Produções antigas como "Taxi Driver" e "Bonequinha de Luxo" poderão ser vistas em salas de shoppings do País

Montar um cinema em casa ficou mais fácil com o barateamento das televisões de alta tecnologia e a popularidade dos filmes "on demand" (assistidos na hora em que o telespectador deseja, por TV a cabo ou via internet). Mas um crescente movimento de reestreia de clássicos indica que ainda é cedo para proclamar a morte das salas de cinema.

Salas do circuito de arte de São Paulo vêm tendo sucesso com a exibição de filmes antigos: "Os Pássaros", de Alfred Hitchcock, ganhou espaço no Espaço Itaú; uma mostra dedicada a Stanley Kubrick teve ingressos esgotados no Museu da Imagem e do Som; e os clássicos são presença constante na programação do Cinesesc, que recentemente exibiu uma retrospectiva de Billy Wilder e a versão 3D de "Disque M Para Matar", também de Hitchcock.

Agora, chegou a vez de os clássicos chegarem ao cinemas de shopping. Uma das maiores redes do País, o Cinemark inaugura neste sábado (31), em 31 complexos de 17 cidades brasileiras, uma programação dedicada a filmes que marcaram o cinema.

São eles "Taxi Driver" (1976), de Martin Scorsese (1976); "Pulp Fiction - Tempo de Violência" (1994), de Quentin Tarantino; "Laranja Mecânica" (1971), de Kubrick; "Os Embalos de Sábado a Noite" (1977) e "Grease - Nos Tempos da Brilhantina" (1978), ambos musicais estrelados por John Travolta, e "Bonequinha de Luxo" (1961), filme mais conhecido de Audrey Hepburn, todos em cópias restauradas e digitais.

Cada clássico será exibido três vezes ao longo de uma semana (sábados às 23h55, domingos às 12h30 e quartas às 19h30) em São Paulo, São Caetano do Sul, Barueri, Rio de Janeiro, Niterói, Aracaju, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Vitória, Natal, Porto Alegre, Recife e Salvador.

'Um Corpo que Cai', de Alfred Hitchcock, recentemente exibido nos cinemas
Divulgação
'Um Corpo que Cai', de Alfred Hitchcock, recentemente exibido nos cinemas

De acordo com diretora de marketing do Cinemark Brasil, Bettina Boklis, o programa foi inspirado no sucesso da iniciativa nos Estados Unidos, que em dois anos atraiu mais de 1 milhão de espectadores para filmes clássicos.

A rede acredita que a ideia pode pegar no Brasil, assim como aconteceu com a exibição de óperas, parte da programação das salas há três anos.

Siga o iG Cultura no Twitter

"Estou surpresa com a procura pelos clássicos. Fomos entender se havia interesse, e descobrimos que as pessoas realmente querem vê-los", diz Boklis, em entrevista ao iG .

Para ela, é impossível oferecer uma estimativa de público. "Tudo vai ser aprendizado. Sabemos que sessões à meia-noite funcionam em São Paulo, mas não sabemos como vai ser em Campo Grande. Acredito que vamos nos surpreender."

Delivery e restaurante

Mas o que leva alguém a ir ao cinema para ver filmes que já estão disponíveis na TV a cabo, DVD, Blu-ray e streaming (sem contar os downloads ilegais)?  Para Boklis, há dois motivos principais: rever na tela grande um filme que estreou quando o espectador era jovem ou nem nascido, e apresentar a obra a uma geração mais nova.

"Eu, por exemplo, nunca vi 'Grease' no cinema, e agora vou poder. Um pai de 50 anos que assistiu ao filme na telona na época da estreia agora quer levar o filho de oito anos. Queremos dar esta oportunidade", afirma.

Para o diretor do Museu da Imagem e do Som, André Sturm, há tambem um desejo de participar de uma experiência coletiva de cinema, seguindo o bom e velho ritual de ir a uma sala escura, com outras pessoas.

'Glória Feita de Sangue', lançado em 1957 por Stanley Kubrick, foi exibido no MIS em 2013
Luísa Pécora
'Glória Feita de Sangue', lançado em 1957 por Stanley Kubrick, foi exibido no MIS em 2013

"Se a televisão e o Netflix fossem acabar com o cinema, o delivery teria acabado com os restaurantes", compara. "São duas experiências diferentes. Tem dia em que você quer ficar em casa, pedir comida e ver um filme na TV. Tem dia em que você quer sair, ir a um restaurante e ao cinema, estar num ambiente com mais gente."

Próximos clássicos

Antes mesmo da estreia do Clássicos Cinemark, a rede já tem prevista a realização de uma segunda temporada do projeto, com a exibição de "O Poderoso Chefão" (1972), "Forrest Gump - O Contador de Histórias" (1994), "Império do Sol" (1987), "A História Sem Fim" (1984), "Quanto Mais Quente Melhor" (1959) e "Lawrence da Arábia" (1962).

Uma eventual mudança ou ampliação nos horários de exibição de clássicos dependerá dos resultados da primeira fase. "Existe essa possibilidade, mas não vamos machucar a programação normal. Precisamos acomodar os filmes", diz Boklis.

Belas Artes e o "Noitão"

Os clássicos também terão presença forte no Cine Belas Artes, previsto para ser reinaugurado em julho em São Paulo. Proprietário e programador da sala, Sturm conta que sua produtora, Pandora, comprou os direitos dos principais filmes do diretor francês François Truffaut. A ideia é montar um grande festival, com 18 títulos, já para a estreia do espaço.

Sturm também promete a volta do famoso "Noitão", como eram conhecidas as maratonas cinematográficas que aconteciam durante a madrugada no Belas Artes, e muitas vezes incluíam clássicos. "O Noitão é nossa marca registrada, e voltará com certeza."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.