Atriz é escolha perfeita para viver vilã da Disney; filme humaniza personagem e mostra como a fada boa se transformou em má

Se transformar em um dos rostos mais célebres de Hollywood teve efeito misto na carreira de Angelina Jolie: por um lado, a fama multiplicou convites e cachês; por outro, tornou mais difícil para o público ver a personagem e esquecer a atriz.

Foi assim em "Um Bom Pastor", "A Troca" e até "O Preço da Coragem", no qual nem maquiagem e peruca foram suficientes para apagar os traços de celebridade. Mas os estúdios Disney não poderiam ter escolhido protagonista melhor para estrelar "Malévola", filmes sobre a icônica vilã de "A Bela Adormecida" que estreia nesta quinta-feira (29).

Ao invés de tentar esconder Jolie, "Malévola" reforça suas principais características: as maçãs do rosto ficam ainda mais marcadas, graças à próteses e enquadramentos certeiros; o famoso bocão é pintado de um vermelho forte, que contrasta com a maquiagem pálida; as lentes de contato verde e de pupilas dilatadas dão ar de mistério; e nem os enormes chifres na cabeça ameaçam a pose de "femme fatale" da atriz.

"Malévola" promete contar o outro lado da história de "A Bela Adormecida" (lançado no cinema em 1959), mostrando a origem da bruxa que enfeitiçou a princesa Aurora e propondo revisões significativas na história. A ideia central é que a vilã não lançou o feitiço apenas por não ter sido convidada para o batizado da criança, mas por ter sido vítima de dura traição.

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No novo filme, o mundo está dividido em dois: o dos humanos, marcado por guerra e ambição, e o dos Moors, no qual Malévola, então uma fada bondosa, vive em harmonia com outras criaturas mágicas. Ainda na infância ela conhece Stefan, um garoto órfão como ela, por quem se apaixona anos depois.

É Stefan o responsável por sua passagem para as trevas: para conseguir herdar o trono, ele arranca as asas de Malévola e finge tê-la matado. Sem seu bem mais precioso, a fada se transforma em bruxa decide se vingar da filha de Stefan, Aurora (Elle Fanning).

Imagem do filme 'Malévola'
Divulgação
Imagem do filme 'Malévola'

Jolie vai bem em todas as fases da personagem, especialmente na aguardada cena do batizado, no qual chega ao auge da maldade e da ironia, devendo assustar muitas criancinhas. Mas a atriz também humaniza Malévola ao mostrar seu crescente afeto por Aurora, já que no novo filme a bruxa má, em sua essência, é do bem.

As mudanças da protagonista são tantas que é surpreendente que, em tempos de franquias e sequências, a Disney não tenha optado por dividir a saga de Malévola em vários filmes. Com muita história para contar, sobra pouco espaço para a sempre encantadora Elle Fanning, e para as ótimas Lesley Manville, Imelda Staunton e Juno Temple, alívio cômico do longa como as atrapalhadas fadas que criam Aurora.

O que chama a atenção, além de Jolie, é o impecável cuidado visual com todas as cenas, que evidenciam as fases da vilã num contraste entre imagens belas e sombrias, coloridas e escuras. Não por acaso, "Malévola" é a estreia na direção de Robert Stromberg, ganhador do Oscar de direção de arte por "Avatar" e "Alice no País das Maravilhas". Domínio técnico ele tem - falta se aprimorar como contador de histórias.

Veja o trailer de "Malévola":


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