Inspirado em Bowie, "Praia do Futuro" tem Wagner Moura como herói humano

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Ator interpreta salva-vidas que abandona a família no Brasil para viver um romance gay na Alemanha

Depois de criar "O Abismo Prateado" a partir de uma música de Chico Buarque, o diretor Karim Aïnouz buscou em "Heroes", de David Bowie, a inspiração para seu quinto filme, "Praia do Futuro", que estreia nesta quinta-feira (8). 

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De um herói se espera coragem, mas o de "Praia do Futuro" também sente medo e vergonha. Donato, o salva-vidas interpretado por Wagner Moura, é um herói mais de carne e osso do que o Capitão Nascimento: logo nas primeiras cenas, falha ao tentar salvar uma vítima de afogamento na praia cearense que dá título ao filme.

Cenas do filme . Foto: Divulgação / California FilmesCenas do filme "Praia do Futuro". Foto: Divulgação / California FilmesCenas do filme . Foto: Divulgação / California FilmesCenas do filme "Praia do Futuro". Foto: Divulgação / California FilmesCenas do filme "Praia do Futuro". Foto: Divulgação / California FilmesCenas do filme "Praia do Futuro". Foto: Divulgação / California FilmesCenas do filme "Praia do Futuro". Foto: Divulgação / California FilmesCenas do filme "Praia do Futuro". Foto: Divulgação / California Filmes

É a partir da falha que a trama se desenvolve. Por causa do afogamento, Donato conhece e se apaixona por um amigo da vítima, o alemão Konrad (Clemens Schick). Após encontros às escondidas no Brasil, os dois partem para a Berlim, uma mudança que Aïnouz marca opondo a ensolarada paisagem cearense ao frio cinza da capital alemã, e substituindo as repetidas tomadas das turbinas eólicas da Praia do Futuro pela torre de televisão da Alexanderplatz.

Divulgação / California Filmes
O diretor Karim Aïnouz

A relação do casal domina dois dos três capítulos do filme. No terceiro e mais emotivo, quem chega a Berlim é Ayrton (Jesuíta Barbosa), irmão que Donato abandonou no Brasil.

Aos 18 anos, Ayrton vai atrás do herói da infância não para questionar o fato de ele ser homossexual, mas, sim, o de ter desaparecido sem dizer nada. 

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Há, portanto, um bonito embate geracional no filme, no qual o que era tabu para o irmão mais velho é visto com maior naturalidade pelo mais novo. O homossexualismo é parte fundamental da trama de "Praia do Futuro", mas Aïnouz vai além do rótulo de "filme gay" ao abordar temas mais amplos e recorrentes em sua filmografia, como a sensação de não pertencimento e as transformações silenciosas que acontecem durante cada jornada.

A história ganha força com o excelente trabalho do trio de atores, a trilha sonora melancólica de Volker Bertelmann e uma série de cenas cheias de significado, como o reencontro dos dois irmãos, no qual socos e abraços se confundem; o mergulho de Donato em um aquário de hotel, vendo-se de novo em seu próprio elemento; a forma apaixonada e brega com que Konrad canta "Aline", de Christophe; além do final emocionante em uma estrada qualquer.

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