Em novo "Godzilla", monstro cede espaço a personagens e dramas humanos

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Batalha entre criaturas gigantes impressiona, mas fica em segundo plano no filme do diretor Gareth Edwards

Maior do que nunca do alto de seus 107 metros, o Godzilla volta aos cinemas nesta quinta-feira (15), em um "reboot" norte-americano que aproveita os 60 anos do lançamento do primeiro filme do monstro japonês, em 1954.

De lá para cá, Godzilla foi tema de 28 filmes e se consagrou como o monstro mais conhecido do cinema, uma criatura que ameaça os humanos, mas muitas vezes os salva do perigo.

Imagem do filme 'Godzilla'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Godzilla'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Godzilla'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Godzilla'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Godzilla'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Godzilla'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Godzilla'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Godzilla'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Godzilla'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Godzilla'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Godzilla'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Godzilla'. Foto: Divulgação

Esta é a linha seguida pela nova versão, dirigida pelo britânico Gareth Edwards ("Monstros"): Godzilla ainda pisoteia muita gente e destrói prédios como ninguém, mas é o grande herói do filme, único capaz de enfrentar as perigosas criaturas gigantes conhecidas como Muto, que se alimentam de radioatividade e deixam rastro de destruição por onde passam.

Ambientada em várias cidades e países, a trama de "Godzilla" começa em 1999, nas Filipinas, quando os cientistas Dr. Serizawa (Ken Watanabe) e Dra. Graham (Sally Hawkins) descobrem um enorme esqueleto e dois casulos de Mutos - um rompido, outro preservado. Na mesma época, em Tóquio, um suposto desastre natural causa um colapso na usina nuclear comandada pelo físico Joe Brody (Bryan Cranston, da série "Breaking Bad"), matando sua mulher, Sandra (Juliette Binoche).

Siga o iG Cultura no Twitter

Quinze anos depois, Joe continua tentando entender o que aconteceu na usina e desconfia que um novo desastre está prestes a acontecer. Disposto a deixar o passado para trás, o filho, Ford (Aaron Taylor-Johnson), tenta convencê-lo a abandonar o caso e voltar para casa, em San Francisco, nos Estados Unidos. Convenientemente, Ford é um militar especializado em desarmar bombas e terá papel crucial na luta contra a ameaça que o pai tentara impedir.

Divulgação
Imagem do filme 'Godzilla'

O tamanho e a qualidade do elenco (que inclui também David Strathairn, no papel do almirante que comanda a caça aos Mutos) já indica que "Godzilla" dedica especial atenção aos dramas humanos. Experientes e talentosos, todos os atores citados são presenças bem-vindas na tela, ainda que nenhum tenha tempo suficiente para desenvolver completamente seu personagem.

Quem tem mais espaço é Taylor-Johnson, justamente o dono da história mais convencional: o herói que tem filho pequeno e mulher apaixonada (interpretada por Elizabeth Olsen, irmã mais nova das gêmeas Mary Kate e Ashley) esperando por ele em casa.

Tragédias reais ecoam o tempo todo na tela, principalmente o terremoto seguido de tsunami que matou milhares no Japão em 2011, além de danificar a usina de Fukushima. Também é fácil lembrar dos ataques de 11 de Setembro nas imagens de prédios implodindo e aviões caindo, e há uma breve mas bonita referência ao bombardeio a Hiroshima, em 1945.

Veja o trailer de "Godzilla":

Mas o foco na tragédia humana relega os monstros a menos espaço do que o esperado. Godzilla só aparece em cena quase uma hora depois do início do filme (primeiro partes do corpo, depois por completo), e por duas vezes Edwards corta para outra cena bem na hora em que o embate entre o gigante japonês e os Mutos estava prestes a começar. A batalha impressiona, mas pode deixar fãs de ação pedindo por mais.

A vantagem é que, com este modelo, Edwards conseguiu diferenciar seu filme de grande parte dos blockbusters que Hollywood vem produzindo. No momento em que as franquias apostam no excesso e encavalam um combate no outro, "Godzilla" oferece "teasers" aqui e ali, mas investe em apenas uma grande batalha, impactante não apenas pelos efeitos especiais, mas porque foi longamente aguardada.

No momento em que os filmes mostram ameaças em larga escala e tantas explosões e tiros que é difícil saber quem atirou em quem, "Godzilla" foca no pessoal: quando um trem é atacado, torcemos para um menino ser salvo, não o vagão inteiro.

No momento em que o cinema de ação tem de ser rápido desde o primeiro instante, "Godzilla" demora a entregar a atração principal. É, em resumo, um filme que deve mais a Steven Spielberg do que a Michael Bay.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas