Com Tony Ramos e tom de thriller, "Getúlio" conta últimos dias do ex-presidente

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Famoso por documentários, diretor João Jardim estreia na ficção com bom drama político

Estreante no cinema de ficção, o diretor João Jardim fez acertos importantes em "Getúlio", cinebiografia do ex-presidente brasileiro que chega aos cinemas nesta quinta-feira (1º).

Leia também: Por que o cinema brasileiro não retrata os políticos?

Acertou, primeiro, ao não fazer uma cinebiografia propriamente dita, preferindo retratar um período breve e específico: os 19 últimos dias de Getúlio Vargas - do atentado contra Carlos Lacerda ao suicídio, em 24 de agosto de 1954. O recorte permite que o filme seja um thriller político, agitado desde o início e capaz de manter a tensão conforme a crise se aprofunda e a expectativa pelo final já conhecido de Vargas - a morte - aumenta.

Imagem do filme 'Getúlio'. Foto: Bruno Veiga/DivulgaçãoImagem do filme 'Getúlio'. Foto: Ana Stewart/DivulgaçãoImagem do filme 'Getúlio'. Foto: Ana Stewart/DivulgaçãoImagem do filme 'Getúlio'. Foto: Ana Stewart/DivulgaçãoImagem do filme 'Getúlio'. Foto: Ana Stewart/DivulgaçãoImagem do filme 'Getúlio'. Foto: Ana Stewart/DivulgaçãoImagem do filme 'Getúlio'. Foto: Ana Stewart/DivulgaçãoImagem do filme 'Getúlio'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Getúlio'. Foto: Ana Stewart/DivulgaçãoImagem do filme 'Getúlio'. Foto: Ana Stewart/DivulgaçãoImagem do filme 'Getúlio'. Foto: Walter Carvalho/DivulgaçãoImagem do filme 'Getúlio'. Foto: Bruno Veiga/Divulgação

Acertou ao se propor a desafiar a falta de tradição do cinema brasileiro em retratar seus líderes, fortalecendo uma filmografia limitada em quantidade e qualidade.

Acertou no cuidado da produção, seja nos figurinos e cenários que constroem o clima de época, seja na trilha sonora que reforça o suspense, seja no trabalho de câmera que não fica apenas em enquadramentos óbvios: Getúlio é mostrado também nos detalhes - no charuto que segura atrás do corpo, nos sapatos que não consegue amarrar.

Acertou na escolha de bons atores como Drica Moraes, Alexandre Borges, Leonardo Medeiros, Alexandre Nero e Tony Ramos, que não impressiona pela semelhança física ou vocal (como fez Thiago Mendonça ao viver Renato Russo em "Somos Tão Jovens"), mas foge da mera imitação e empresta simpatia ao personagem.

Divulgação
João Jardim no set de 'Getúlio'

Acertou ao não deixar que esta simpatia resultasse em um filme laudatório. "Getúlio" foca menos nas posições políticas do ex-presidente do que em sua crescente solidão e isolamento, conforme é pressionado por adversários, enganado por aliados e sente o peso da própria trajetória política.

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Acertou ao se esforçar para situar o espectador sem excesso de didatismo. O filme começa com um panorama do governo de Vargas, mas o texto é breve e narrado enquanto a imagem do ex-presidente aparece na tela, aos poucos e com o impacto da primeira vez. A decisão de usar um gerador de caracteres para identificar personagens é inusitada, mas ajuda quem não sabe os detalhes da história.

Há erros, é claro: uma ou outra frase que soa fake na tentativa de contextualizar demais; uma cena sentimental com a filha, Alzira, inserida para humanizar Getúlio; o pouco tempo dedicado ao personagem de Lacerda; e, principalmente, a recorrente representação de pesadelos do ex-presidente, mostrados em câmera lenta, que mais quebram o clima do que acrescentam novas informações sobre seu estado emocional.

No saldo final, "Getúlio" resulta em um produto ainda raro no cinema nacional: um filme grandioso e de apelo popular, mas bem feito.

Veja o trailer de "Getúlio":


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