Para não ofender, "Copa de Elite" faz paródia light de filmes nacionais

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Longa com Marcos Veras, Júlia Rabello e Rafinha Bastos suaviza piadas; "É um filme corajoso", diz o ex-"CQC"

Importar para o Brasil a fórmula de filmes hollywoodianos como "Todo Mundo em Pânico" é a proposta de "Copa de Elite", longa de Vitor Brandt que estreia em 17 de abril. Marcos Veras e Júlia Rabello, casal do coletivo Porta dos Fundos, e o apresentador e comediante Rafinha Bastos são as estrelas do longa, que faz paródia de produções nacionais como "Tropa de Elite", "Bruna Surfistinha", "Chico Xavier" e "Minha Mãe é Uma Peça".

Cena do filme 'Copa de Elite'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Copa de Elite'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Copa de Elite'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Copa de Elite'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Copa de Elite'. Foto: Divulgação

Segundo a equipe do filme, a proposta esbarrou no obstáculo de que o Brasil está menos disposto a rir de si mesmo do que os Estados Unidos. A produtora Mayra Lucas admitiu que o longa pegou leve com os filmes brasileiros com medo de ofender outros artistas.

"Logicamente teve gente que não entendeu o roteiro, e algumas citações foram retiradas por isso", disse Lucas, durante entrevista coletiva nesta terça-feira (8) em São Paulo. "A paródia é amparada legalmente, mas não a ofensa. Um 'Family Guy' ou 'South Park' nunca aconteceria aqui. Mas a gente tenta estar no limite."

A produção buscou autorização informal de todos os realizadores dos filmes parodiados, como José Padilha, diretor de "Tropa de Elite", que liberou com um recado: "Vão ganhar uma grana em cima de mim, hein?". Ao menos um longa, porém, deixou de ser citado por não ter liberado a piada.

Processado várias vezes por comentários feitos na televisão e nas redes sociais, Rafinha Bastos disse considerar "Copa de Elite" um filme "corajoso". "Só por ele existir já é um avanço sensacional", opinou. "A gente tem de parar um pouco de dar valor a essas questões. O Jô Soares e o Chico Anysio foram processados a vida inteira. Sempre vai ter um cara que se leva mais a sério, inclusive nos Estados Unidos. Mas aqui essas questões repercutem de maneira desnecessária."

AgNews
Rafinha Bastos e Tammy Miranda em entrevista sobre 'Copa de Elite'

"A internet virou uma praça para queimar bruxas. A gente ainda está aprendendo a lidar com isso", disse Rabello. Veras chamou as redes sociais de "um exemplo de repetição de babaquice". "A gente retrocedeu um pouco na liberdade de brincar. Estamos cada vez mais careta", afirmou. "Como humoristas, sempre queremos ir mais longe, mas também fugimos de problemas. Infelizmente no Brasil os comediantes se tornaram meio que inimigos da população. Isso é um absurdo."

A equipe valorizou muito o fato de o ator Bruno de Luca ter aceitado participar do filme, tirando sarro da própria fama de chato. "Acho que ele não entendeu a piada", brincou Bastos. "Acho que ele pensou: 'Nossa, que homenagem'."

AgNews
A atriz Júlia Rabello

Para a produtora, a existência de um filme de paródia reflete a força do cinema brasileiro. "'Copa de Elite' seria impossível há cinco anos", disse Maíra. "A gente ia zoar 'O Quatrilho'", brincou Bastos.

Veras, que interpreta uma versão do Capitão Nascimento tentando evitar a morte do papa durante a Copa do Mundo, disse ter revisto trechos de "Tropa de Elite" para pegar a "energia" do personagem. "Tentei pegar um pouco do talento do Wagner Moura."

O filme fala pouco sobre política e nada sobre os protestos contra a Copa. "Não fugimos dos assuntos, apenas nunca tivemos a intenção de tocar em uma discussão, tomar algum partido", disse o diretor.

Em sua estreia no cinema, Brandt trabalhou a toque de caixa: finalizou as filmagens em dezembro e a montagem no mês passado. Voltado ao público jovem, o longa tem participações de Anitta, Alexandre Frotta e Thammy Miranda.

Bastos disse ter ficado preocupado com o sucesso das piadas."É como um stand-up comedy: se as piadas estão engraçadas, o show está bom. No filme é a mesma coisa. Tinha de ser engraçado para caramba", disse. "Fazer cinema que foge do circuito da Globo não é uma coisa muito simples, mas a gente conseguiu."

Para Veras, o cinema é uma oportunidade de a geração atual de comediantes se encontrar. "Esse encontro está acima das emissoras, de Globo ou Band. É um local para se reunir, trabalhar, se divertir, independente dos contratos".

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