Com Giovanna Antonelli, "S.O.S. Mulheres ao Mar" fortalece personagens femininas

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Homens são coadjuvantes em comédia romântica estrelada pela atriz e ambientada em um cruzeiro

Um claro sinal de como o cinema representa homens e mulheres de forma desigual está no fato de que mesmo na comédia romântica, um gênero tido como feminino, os papéis das atrizes geralmente parecem desinteressantes e estereotipados. Em muitos filmes hollywoodianos, elas ficam com o romance e eles, com o humor.

Mais: Com poucos e piores papéis femininos, Hollywood "esquece" mulheres da plateia

Imagem do filme 'S.O.S. - Mulheres ao Mar'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'S.O.S. - Mulheres ao Mar'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'S.O.S. - Mulheres ao Mar'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'S.O.S. - Mulheres ao Mar'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'S.O.S. - Mulheres ao Mar'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'S.O.S. - Mulheres ao Mar'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'S.O.S. - Mulheres ao Mar'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'S.O.S. - Mulheres ao Mar'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'S.O.S. - Mulheres ao Mar'. Foto: Divulgação

"S.O.S. Mulheres ao Mar", comédia romântica nacional que estreia nesta quinta-feira (20), vai contra esta tendência, bebendo da fonte de filmes como "Missão Madrinha de Casamento" e tirando humor da relação entre mulheres. O longa é dirigido por Cris D'Amato e produzido e estrelado por Giovanna Antonelli, que comanda um elenco majoritariamente feminino, com mais tempo em cena e responsável por praticamente todas as piadas.

Antonelli é Adriana, uma tradutora de filmes pornôs que deixou de lado o sonho de ser escritora para apoiar a carreira do marido, o arquiteto Eduardo (Marcello Airoldi). Após dez anos de casamento, ela é trocada por Beatriz (Emanuelle Araújo), uma famosa e bela atriz com quem Eduardo fará um cruzeiro para a Itália.

Disposta a reconquistá-lo, Adriana embarca no navio ao lado da irmã, Luiza (Fabíula Nascimento), e da empregada, Dialinda (Thalita Carauta). A ideia é separar o novo casal, mas o foco de Adriana muda quando ela encontra, na cabine ao lado, o sensível e bonitão André (Reynaldo Gianecchini, em seu quinto par romântico com Antonelli).

Leia também: Giovanna Antonelli quer fazer comédia romântica "para todos"

Por essa sinopse, o leitor não terá dificuldade em prever como a história vai se desenrolar. O que, em tese, não é um problema: em geral, espera-se mesmo que os casais das comédias românticas fiquem juntos no final. A chave - e o desafio - está no caminho até lá, em manter o público interessado nos encontros e desencontros que culminarão no final feliz.

Divulgação
Thalita Carauta: destaque cômico de 'S.O.S. Mulheres ao Mar'

"S.O.S. Mulheres ao Mar" tem boas piadas, mas poucas se devem a qualquer um dos casais em cena. O filme se apoia principalmente no carisma de Antonelli e no timing cômico de Nascimento e Carauta, que se destacam desde o início, e na ambientação cafona, porém divertida, dos cruzeiros (a empresa MSC é uma das patrocinadoras da produção).

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Também há belíssimas imagens de Roma e Veneza, mas nada é capaz de compensar o roteiro fraco e os diálogos banais, que pioram conforme o romance se sobrepõe à comédia. O texto pobre culmina na mensagem de que a felicidade não tem fórmula - ao contrário do filme, que tem na força das mulheres seu único diferencial.

O problema é que, em contrapartida, os homens foram reduzidos a quase nada. Eduardo passa o filme sendo jogado de um lado para o outro por Beatriz e Adriana, tendo tão pouco a dizer quanto André, que acha graça de tudo, sorri para tudo, compreende tudo. Afora o físico de Gianecchini, é difícil entender o que a protagonista viu em qualquer um dos dois, quanto mais torcer para que termine com um deles.

Falta a "S.O.S. Mulheres ao Mar" o que falta à maioria das comédias românticas: equilíbrio. Em artigo publicado na revista "New Yorker" em 2007, o crítico norte-americano David Denby lamentou as mudanças no gênero e o fato de o modelo atual, firmado por filmes como "Ligeiramente Grávidos", calcar o embate do casal no contraste entre "a ambição feminina e a infantilidade masculina", dando às mulheres a função de fazer os homens crescerem.

"Os grandes diretores das comédias românticas dos anos 1930 e 1940 sabiam que a história seria não apenas mais engraçada, mas também mais romântica, se a briga fosse entre iguais", escreveu Denby. "A chave para fazer uma grande comédia romântica está em criar heroínas iguais aos homens. Elas não têm de se arrumar para o jantar, mas devem desafiar os homens intelectual e espiritualmente."

Como "S.O.S. Mulheres ao Mar" deixa claro, o contrário também vale.

Veja o trailer de "S.O.S. Mulheres ao Mar":


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