Carlos Saldanha: "'Rio 2' é de Hollywood, mas a inspiração é 100% brazuca"

Por Nina Ramos , iG Rio de Janeiro |

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Diretor da animação fala sobre inspirações para a sequência, que tem como cenário principal a Floresta Amazônica

O clima arborizado do Parque Lage, no Rio de Janeiro, deu o tom certo para as entrevistas de lançamento da animação "Rio 2", do diretor brasileiro Carlos Saldanha. Neste segunda-feira (17), houve um papo com o idealizador do projeto, Rodrigo Santoro, que dubla o personagem Túlio, e Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, que compõem a trilha-sonora do filme.

Rodrigo Santoro fala sobre a animação 'Rio 2'. Foto: AgNewsCarlinhos Brown, Rodrigo Santoro, Sergio Mendes e Carlos Saldanha. Foto: AgNewsCarlos Saldanha, diretor de 'Rio 2'. Foto: AgNewsCarlinhos Brown fala sobre 'Rio 2'. Foto: AgNewsO músico Sergio Mendes. Foto: AgNews

Desta vez, diferentemente da primeira aventura da ararinha Blu e de sua mulher, Jade, o cenário principal é a Floresta Amazônica, e a discussão principal é o desmatamento do local. A cidade que dá nome ao filme apenas abre a história com o Ano Novo em Copacabana e a vida de Blu, Jade e seus três filhos no melhor estilo urbano da Cidade Maravilhosa.

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"Fazer uma sequência facilita porque você já conhece os personagens, mas precisa dar uma continuidade para aquela história. E daí a parte fácil para por aí. A dificuldade só aumenta. Pode até parece vantagem, mas é mais difícil. A história é minha mesmo, partiu da base já criada no primeiro filme", disse Saldanha, antes de falar sobre o desempenho deste novo filme nas bilheterias.

"Queremos que qualquer filme seja bem-sucedido. Isso é bom para todo mundo. Você cria uma percepção de que filmes de animação são bem feitos (sobre a concorrência direta com blockbusters). O resultado a gente não pode prever, mas a intenção é fazer um filme bom. A pressão para fazer um filme bom já é tão grande, que se pensar ainda em dinheiro, complica."

Divulgação
Cena da animação 'Rio 2'

Como cabeça do projeto e manda-chuva, apesar da equipe 99% gringa, é a palavra verde-amarela que manda no final. Portanto, Saldanha fez questão de separar estereótipos e defendeu a criação de uma história universal. "Eu trabalho em cima da essência, para não só brasileiros se identificarem, mas para os estrangeiros entenderem. A gente não consegue fugir de algumas coisas. Se vamos falar de Manaus e região, não podemos não mostrar o encontro das águas, construções da cidade. São detalhes que a gente valoriza. Mas sendo brasileiro, eu sei para onde a história vai", afirma.

Santoro e Túlio

Santoro, que volta na voz do atrapalhado Túlio, se divertiu ao reencontrar o tom agudo do personagem. "Eu me diverti muito, foi só alegria. Quando o Saldanha me convidou para fazer o segundo, eu nem pensei. Foi sim imediato. É um exercício criativo de muita liberdade. Nós buscamos a alma do personagem através da voz", conta. "Nós fizemos o processo em cinco ou seis sessões, então construímos o personagem pouco a pouco. Foi um prazer. O Túlio é simpático, apaixonado por pássaros. Eu ainda não vi o filme e estou muito curioso."

Sobre o longo processo de criação da animação, Saldanha fez questão de brincar com seu ator: "Acho que fizemos o filme em três anos. Nesse período, encontrei o Rodrigo cinco ou seis vezes, fiz apenas um filme e ele, uns sete, no mínimo."

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Cena da animação 'Rio 2'

Danças e ritmos

Em termos visuais, ter o verde e todos os bichos que moram na floresta como cenário é uma mão cheia para animadores. As cenas das danças na tribos das araras (tanto vermelhas quanto azuis) são de preencher os olhos. "Minha inspiração maior são as cirandas pernambucanas, carimbó e maracatu. Nós buscamos os ritmos nordestinos, colocamos quadrilha, festa junina... Nosso clube do bolinha (ele, Carlinhos Brown e Sergio Mendes) só conversava sobre isso", revela o diretor. "Tem escala hollywoodiana, mas a inspiração é 100% brazuca."

Ainda falando sobre o desafio técnico, Saldanha afirmou que animar elementos vivos da natureza foi o mais complicado. "Porque é orgânico, né? No 'Rio 1', por exemplo, o difícil não foi fazer os prédios, e sim a floresta, as montanhas... Na Amazônia a complexidade é maior porque a escala é maior."

O maestro Sergio Mendes assina a trilha junto com John Powell. "Nós queríamos outros caminhos nessa sequência. A história voa pelo Brasil até a Amazônia, então a partir disso tivemos a ideia de também realizar essa viagem musicalmente", diz Sergio. "Demos às músicas esse sabor de Amazonas, Rio, Bahia... Quando o barquinho entra em cena junto com a voz do Milton (Nascimento), é de arrepiar. Foi um barato fazer de novo esse trabalho. É uma alegria enorme."

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