É Tudo Verdade tem novos diretores, estreias e homenagens a Solberg e Coutinho

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Maior festival de documentários do Brasil será realizado em abril em São Paulo e no Rio de Janeiro

A edição 2014 do É Tudo Verdade, maior festival de documentários do Brasil, exibirá 77 filmes de 26 países. Dezenove produções farão sua estreia mundial no evento, que acontece de 3 a 13 de abril em São Paulo e de 4 a 13 de abril no Rio de Janeiro.

O festival também fará homenagens a Helena Solberg, Shohei Imamura, Eduardo Coutinho e Leon Hirszman. Como sempre, todas as sessões serão gratuitas.

Imagem do filme 'Retorno a Homs'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Tudo Por Amor ao Cinema'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Rio de Pedra'. Foto: DivulgaçãoImagem do documentário 'Por Um Punhado de Dólares'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Mercado de Notícias'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Democracia em Branco e Preto'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Canção da Floresta'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Mentira de Armstrong'. Foto: Divulgação

De acordo com o criador e diretor do festival, Amir Labaki, a palavra "descoberta" dá o tom da edição. "É um ano marcado pela revelação de novos diretores e pela renovação de quem está fazendo documentário no mundo", afirmou, em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (12) em São Paulo.

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Seis dos sete longas da competição nacional são de realizadores que nunca disputaram o É Tudo Verdade, e o mesmo vale para todos menos um dos diretores dos longas da competição internacional.

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Amir Labaki, criador do É Tudo Verdade

Segundo Labaki, não é possível identificar tendências temáticas ou estéticas na programação ou na produção em geral. "Se existe algo, é a renovação do documentário pela incorporação de instrumentos característicos de outros gêneros", disse. "É um momento de muita variedade, de diálogo com a ficção e com a animação, de buscar uma narrativa longe do didatismo e de preocupação com o tratamento sonoro."

Ao iG, Labaki afirmou que o documentário está mais próximo do público, em parte porque a revolução digital multiplicou os canais de difusão. "Sempre defendi que quando as pessoas tivessem acesso ao gênero, perceberiam o quanto ele é bacana. O grande problema era o desconhecimento, porque se dependia das salas de cinema e da televisão aberta", afirmou.

Com a televisão paga, a internet e serviços on demand, o cenário mudou. "O documentário ficou mais acessível e as pessoas estão descobrindo o quão variada, divertida e rica é a produção", acrescentou. "É um processo dinâmico. Cada vez mais vamos poder ter acesso ao tipo de produção audiovisual que queremos ver."

Destaques do É Tudo Verdade

Entre os destaques internacionais do festival deste ano estão "Canção da Floresta", de Michael Obert, ganhador do Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, o mais importante do mundo; "Retorno a Homs", de Talal Derki, premiado rm Sundance; e "Rio de Pedra", de Giovanni Donfrancesco, melhor documentário do Festival de Cinema de Roma.

A seleção nacional inclui "Tudo Por Amor ao Cinema", de Aurélio Michiles, uma cinebiografia de Cosme Alves Netto; "20 Centavos", de Tiago Tambelli, sobre as manifestações de junho de 2013 em São Paulo, e "Los Hermanos - Esse é Só o Começo do Fim da Nossa Vida", de Maria Ribeiro, que mostra os bastidores da turnê de retorno da banda.

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Helena Solberg ganha retrospectiva no É Tudo Verdade 2014

"Canção da Floresta" será o filme de abertura do festival em São Paulo, enquanto "Tudo Por Amor ao Cinema" abrirá o evento no Rio de Janeiro.

Pela primeira vez, uma diretora brasileira foi escolhida para ser tema da retrospectiva. A homenagem à Helena Solberg inclui a exibição de curtas do início da carreira, oito de seus filmes, um programa sobre ela dirigido por Betse de Paula, além do lançamento de um livro de Mariana Tavares.

A retrospectiva de Imamura também é a primeira dedicada a um cineasta asiático. Duas vezes ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes, o japonês terá seis filmes exibidos, inclusive seu primeiro documentário, "Um Homem Desaparece".

Labaki afirmou que o É Tudo Verdade acontece "enlutado" pela morte de Eduardo Coutinho, que definiu como "o nome que ficou a imagem do documentário no Brasil".

"Este momento de vitalidade do gênero se deve ao talento, ao carisma e à liderança do Coutinho", disse Labaki. "Ele não era apenas o principal documentarista do Brasil. Era um dos principais cineastas e artistas do Brasil. O impacto desta perda é imensurável."

Leia também: Eduardo Coutinho, o cineasta que queria ouvir

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Eduardo Coutinho autografa livro sobre ele (25/10/2013)

Como o festival já havia feito uma retrospectiva da obra de Coutinho há dois anos, o cineasta será lembrado com a primeira exibição em São Paulo de dois filmes que produziu para o DVD de "Cabra Marcado Para Morrer": "Sobreviventes de Galileia", que mostra o retorno do cineasta ao local 30 anos após o lançamento do longa, e "A Família de Elizabeth Teixeira", dedicado à personagem central de "Cabra".

Já Leon Hirszman será homenageado com a pré-estreia de "Posfácio - Imagens do Inconsciente", uma entrevista com Nise da Silveira que foi editada por Eduardo Escorel a convite do Instituto Moreira Salles.

Os jurados do festival deste ano não foram divulgados. Depois de Rio e São Paulo, o É Tudo Verdade também passará por Campinas (22 a 24 de abril), Brasília (30 de abril a 4 de maio) e Belo Horizonte (24 a 27 de julho).

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