Com Caio Blat e Cauã Reymond, "Alemão" se inspira em invasão a favela carioca

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Para retratar operação que instalou Unidades de Polícia Pacificadora em comunidade, filme conta uma história ficcional de agentes infiltrados e perseguidos por bandidos

Em entrevista concedida ao iG em janeiro, o produtor Rodrigo Teixeira, um dos mais importantes do País, disse que "todo mundo queria ter feito 'Tropa de Elite'". Para ele, o filme foi capaz de unir qualidade e rentabilidade: "Eu queria ter um sucesso desses no currículo."

"Alemão", que estreia nesta quinta-feira (13), parece ser uma tentativa de chegar lá. Criado a partir de ideia original de Teixeira, o filme do diretor José Eduardo Belmonte conta uma tensa história ficcional para retratar um acontecimento real: a invasão da polícia ao Complexo do Alemão, em 2010, para implantar as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

Entrevista: Cauã Reymond deixa mocinhos da TV e vira chefe do tráfico em "Alemão"
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Cena do filme 'Alemão'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Alemão'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Alemão'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Alemão'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Alemão'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Alemão'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Alemão'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Alemão'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Alemão'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Alemão'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Alemão'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Alemão'. Foto: Divulgação

Em "Alemão", diferentemente do que ocorre em "Tropa de Elite", os policiais fogem dos bandidos. A ação se concentra em cinco agentes (interpretados por Caio Blat, Milhem Cortaz, Gabriel Braga Nunes, Marcelo Melo Jr. e Otávio Müller) que se infiltraram no morro para coletar informações, mas são descobertos 48 horas antes de a operação começar.

Impossibilitados de se comunicar com o delegado Valadares (Antonio Fagundes), que prepara a invasão, os infiltrados se escondem em uma pizzaria e tentam sobreviver enquanto são perseguidos pelos capangas de Playboy (Cauã Reymond), chefe do tráfico e do morro.

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Se não tem a mesma energia e agilidade de "Tropa de Elite", "Alemão" aposta suas fichas na construção de um clima constantemente tenso. A trilha sonora é barulhenta, assim como o som de helicópteros e tiros, e o fato de ter sido filmado em cinco comunidades cariocas, inclusive no próprio Alemão, garante autenticidade.

Uma dura cena de tortura mostra o que os traficantes estão dispostos a fazer, e tanto eles quanto os policiais estão sempre carregando armas e ameaçando usá-las. A sensação é de opressão principalmente na pizzaria, com as suspeitas e discussões dos próprios agentes se somando à constante vigilância e ao medo de serem descobertos. 

AgNews
Antônio Fagundes e Cauã Reymond em entrevista coletiva sobre 'Alemão'

Em vários momentos o filme ensaia definir melhor os cinco personagens principais, mas nunca chega a fazê-lo. Ficamos apenas com tipos: o mais jovem e ponderado que procura melhorar a vida das pessoas, o autoritário e explosivo que quer reencontrar a filha pequena, o acusado de corrupção que mudou de vida etc.

Muitas das relações entre os personagens são tão convenientes e típicas do gênero que ficam claras ao público antes de serem "reveladas" pelo filme. Um dos policiais, por exemplo, namora a irmã do braço-direito do chefe do tráfico, que por sua vez é apaixonado por uma mulher que entra por acaso na pizzaria e acaba se envolvendo na história. São laços criados para dar efeito dramático, mas que parecem forçados e resultam em sentimentalismo desnecessário.

O roteiro também força a mão em outros momentos, como no fato de a faxineira possuir a chave do que deveria ser um secretíssimo ponto de encontro, ou de os infiltrados terem sido descobertos porque um mensageiro da polícia, perseguido por bandidos, deixou para trás uma mochila com fotos e ficha completa dos envolvidos na operação. A julgar por "Alemão", os agentes cariocas estão entre os mais amadores do mundo.

O filme, porém, faz claro esforço para não escolher vilões e heróis. A população critica a truculência e a ineficácia das instituições, mas as claras diferenças entre os cinco protagonistas mostram que nem todos os policiais são iguais.

Há menções ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, assim como reportagens sobre a invasão real e imagens de protestos e confrontos nas ruas. Mesmo com tanto material, "Alemão"acrescenta pouco às discussões sobre a situação dos morros cariocas.

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