Diretor leva dupla cidadania ao cinema e vira fenômeno de bilheteria na Europa

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Comédia "A Gaiola Dourada", do franco-português Ruben Alves, conta história de família que deixou Portugal para viver na França; leia entrevista do cineasta ao iG

A comédia "A Gaiola Dourada", estreia do ator franco-português Ruben Alves na direção de longa-metragem, virou fenômeno de bilheteria na Europa. Foi o filme mais visto em Portugal no ano passado, batendo até os blockbusters norte-americanos, e levou mais de 1,2 milhão de espectadores aos cinemas da França.

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No Brasil, estreia nesta sexta-feira (28), após sessões lotadas na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Rio de Janeiro. Para Alves, também o público brasileiro pode se identificar com a história de Maria e José Robeiro, imigrantes portugueses que vivem em Paris há mais de 30 anos.

"É uma história universal, simples", afirmou o diretor, em entrevista ao iG por telefone. "Fala sobre família, trabalho, amor, sobre pais e filhos, sobre imigrantes que foram embora de países que tinham uma ditadura e querem dar uma vida melhor para os filhos, sobre estar longe de casa e tomar a decisão de voltar."

Imagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Gaiola Dourada'. Foto: Divulgação

É, também, a história do próprio Alves, que nasceu em Paris após seus pais deixaram Portugal, como milhares de outras pessoas fizeram principalmente nas décadas de 1960 e 1970, fugindo da ditadura e em busca de melhores condições de vida.

Na França, seus pais trabalhavam como zeladora e pedreiro, as mesmas profissões de Maria (Rita Blanco) e José (Joaquim de Almeida). No filme, os franceses valorizam a honestidade e o trabalho duro dos portugueses, mas também se aproveitam da incapacidade de ambos de negar qualquer pedido de ajuda. Por isso, quando José herda uma herança e cogita voltar para Portugal, todos ao seu redor tentam impedir que isso aconteça.

No momento em que a crise econômica estimula nova onda de migração na Europa, o filme ganhou relevância. "Nunca quiser seguir um formato político. Queria divertir as pessoas", afirmou Alves. "Adoro comédia, principalmente a comédia social. Acho que a melhor coisa é rir, mas depois ficar pensando."

Leia os principais trechos da entrevista:

iG: A que você atribui o sucesso do filme?
Ruben Alves:
O sucesso de bilheteria só não foi mais surpreendente do que a parte emocional. Me impressionou a quantidade de mensagens que recebi, principalmente de portugueses, me agradecendo por fazer o filme, dizendo que o filme é sobre eles. Acho que se trata de uma história universal, simples, que fala sobre família, trabalho, amor, sobre pais e filhos, sobre imigrantes que foram embora de países que tinham uma ditadura e querem dar uma vida melhor para os filhos, sobre estar longe de casa e tomar a decisão de voltar.

iG: Você dedica o filme aos seus pais. Quão pessoal é esta história?
Alves: Fiz o filme pensando nos meus pais e em mostrar, através deles, toda a geração que foi embora de Portugal nos anos 1960. Quis fazer um filme sobre uma família. Sempre assumi minha dupla cultura. Adoro ser francês, mas sou português. Nasci em Paris, mas meu sangue é português. Comigo dá certo, mas para muitos é um problema. Muita gente tem vergonha de dizer que é português na França. O povo português imigrante precisava de representação. 

Rogerio Resende/Divulgação
O diretor Ruben Alves, de 'A Gaiola Dourada'

iG: A crise em Portugal e na Europa também serviu de motivação?
Alves: Não. Quando comecei a escrever o filme, em 2010, a crise não estava tão forte como agora. Há cerca de um ano começou a se falar de uma nova onda de imigração de portugueses. Nunca quis seguir um formato político. Não foi meu objetivo. Queria divertir as pessoas. Mas calhou de, afora, se falar muito sobre o assunto.

iG: Como escrever este tipo de história universal sem cair em clichês?
Alves: O filme tem vários clichês sobre os portugueses na França, mas tentei brincar com eles. Adoro comédia, principalmente a comédia social. Acho que a melhor coisa é rir, mas depois ficar pensando. Tentei fazer o filme de uma maneira descomplexada, porque sou muito descomplexado. Minha mãe era zeladora, meu pai era pedreiro, e eles sempre foram pessoas educadas, elegantes, que me ensinaram valores. Tenho muito orgulho dos meus pais. Então foi uma coisa de sentir, de não pensar tanto. Meu instinto falou muito.

iG: Acha que o público brasileiro também pode se identificar com a história?
Alves: Fui a sessões no Rio de Janeiro e em São Paulo e o filme passou muito bem. As pessoas vieram falar comigo, riram, choraram, perceberam os detalhes. Acho que há uma ligação muito forte entre nós. Dizemos que os brasileiros são nossos irmãos, então a estreia aqui é muito importante para mim. Acho que o português encontra algo muito bom nos brasileiros. Em Portugal somos mais fechados, fatalistas, nostálgicos, enquanto vocês são sempre muito leves. O português ama o brasileiro. Essa ligação não pode acabar nunca.

iG: É verdade que haverá uma versão hollywoodiana do filme?
Alves: Estou em negociação com duas produtoras que querem fazer um remake que fale sobre os mexicanos nos Estados Unidos. O filme está viajando bastante - Austrália, Colômbia, Israel, Hong Kong. Tem sido incrível.

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