'Se tentar adivinhar o que fã quer, não dirijo', diz José Padilha, de 'Robocop'

Por Nina Ramos , iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

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Diretor fala sobre a versão do filme, que estreia na sexta: 'Fui fiel ao conteúdo básico apresentado no início do projeto'

"Cada fã tem uma expectativa diferente. Se eu fosse pensar nisso, em cada uma delas, eu estava liquidado." Assim José Padilha define a preparação para dirigir "RoboCop", que estreia no Brasil na sexta-feira (21).

Crítica: "RoboCop" de Padilha tem mais política e emoção do que o original

AgNews
Joel Kinnaman, José Padilha e Michael Keaton no Rio de Janeiro

Acompanhado dos atores Joel Kinnaman e Michael Keaton, Padilha participou de entrevista na manhã desta terça-feira (18) em um hotel no Rio de Janeiro. É o primeiro filme do diretor de "Tropa de Elite" em Hollywood.

A automação da violência, o uso de drones no lugar de soldados e a influência da América corporativa e a mídia sensacionalista são temas discutidos no filme. No meio disso, um policial meio robô-meio homem, vivido por Kinnaman e adorado por fãs desde 1987, ano da primeira versão da história, do diretor Paul Verhoeven.

Mais: "RoboCop" recebe críticas pouco entusiasmadas nos EUA

Imagem do filme 'RoboCop'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Robocop', dirigido por José Padilha. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'RoboCop'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Robocop'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'RoboCop'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Robocop'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'RoboCop'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'RoboCop'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'RoboCop'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'RoboCop'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'RoboCop'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'RoboCop'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Robocop'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Robocop'. Foto: Divulgação

Para fazer sua ideia, aquela que vendeu para os executivos do estúdio MGM, dar certo, Padilha precisava de algumas coisas: uma delas era ignorar a expectativa dos fãs de "RoboCop".

"Fui fiel ao conteúdo básico apresentado no início do projeto. O filme traz uma ideia, uma filosofia. Quando você automatiza a violência, você abre as portas para o fascismo. Se pegar o 'Tropa 1', no treinamento do Bope, aquela doutrinação leva o soldado a não pensar muito no que está fazendo. Ele tem uma missão e pronto. A ideia de tirar o senso crítico está imbutida no 'RoboCop'. Eu fui o mais fiel que pude da concepção. Falei sobre política externa, mostrei a mídia de extrema direita americana... Fomos fiéis às ideias, não às formas", declarou Padilha.

"Eu sou fã do primeiro filme. Não do segundo e nem do terceiro, mas do primeiro, sim. Se eu for tentar adivinhar o que o fã vai querer, eu não dirijo", falou Padilha, antes de completar: "O filme está aí, a intenção está lá. Agora, eu não tenho como pensar nos fãs, até porque eles são minoria. A garotada de 18, 20 anos não é fã".

A posição adotada por Padilha na concepção de "RoboCop" e seu trabalho nos "Tropas" e em "Ônibus 174" foi o que despertou em Keaton a vontade de aceitar o convite para viver Raymond Sellars, um personagem inspirado em grandes homens de negócio como Steve Jobs.

"Eu acho que fui a última peça desse quebra-cabeça do elenco. Eu vi as pessoas escaladas, vi o trabalho do José e disse sim. Ele é incapaz de fazer algo comum. Acho que se fizesse 'Débi e Loide', ele acharia algo interessante na estupidez", falou, arrancando risadas. Padilha completou: "Olha que no Brasil a gente tem bom conhecimento da estupidez".

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Já Joel Kinnaman, que está no papel principal, conhecia o trabalho de Padilha dos cinemas da Suíça, sua terra natal. "Todos sabem que José coloca sempre um ponto de vista social nos projetos, tem ideias originais, então aqui há uma ação para se fazer o remake. Nós vemos hoje tantos remakes ruins, feitos por razões ruins, ou para explorar fãs ou por causa do dinheiro rápido", pontuou o protagonista.

Sobre bilheteria, Padilha falou que "RoboCop" ainda está em primeiro em muito lugares e se recupera em outros, como nos Estados Unidos. "'Robocop' vai ganhar muito dinheiro. Vai ser bastante bom para o estúdio. Nos Estados Unidos, nós remamos contra três marés. A primeira foi que parte dos fãs não olhou para a mensagem do filme em si, apenas o comparou com o primeiro. Isso era inevitável e a gente sabia disso. A segunda é que estreamos em uma das piores nevascas, então metade das salas não computou. E a terceira é que foi no Dia dos Namorados americano. Você não chega para sua namorada no Dia dos Namorados e a chama para assistir 'RoboCop', né? Mas estamos nos recuperando. Eu estou calejado. Os filmes têm histórias, eles não se resumem em dois dias. Não vou supervalorizar, vou esperar para ver o que vai acontecer", finalizou o diretor, cravando o orçamento de US$ 130 milhões - sendo quase US$ 35 milhões de incentivo fiscal.

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