"Queria filmar uma história acessível", diz George Clooney sobre "Caçadores..."

Por Mariane Morisawa , de Los Angeles, especial para o iG |

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Ator volta à direção em filme que tem no elenco Cate Blanchett, Matt Damon, Bill Murray e John Goodman; leia entrevista

George Clooney já era famoso e respeitado quando resolveu se arriscar na direção, com “Confissões de uma Mente Perigosa”, em 2002. De lá para cá, ficou ainda mais famoso, ainda mais respeitado e já fez outros quatro longas, alguns bem políticos, como “Boa Noite e Boa Sorte” (2005) e “Tudo pelo Poder” (2011). O mais recente é “Caçadores de Obras-Primas”, que está em cartaz no Brasil, e trata de um assunto bem sério: o salvamento de pinturas, esculturas e artefatos roubados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Crítica: George Clooney comanda aventura sobre caçadores de obras de arte

Cena do filme 'Caçadores de Obras-Primas'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Caçadores de Obras-Primas'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Caçadores de Obras-Primas'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Caçadores de Obras-Primas'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Caçadores de Obras-Primas'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Caçadores de Obras-Primas'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Caçadores de Obras-Primas'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Caçadores de Obras-Primas'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Caçadores de Obras-Primas'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Caçadores de Obras-Primas'. Foto: Divulgação

Mas a ideia era falar do tema com leveza. “Não é uma história muito conhecida sobre a Segunda Guerra, o que é bem raro. Mas queríamos que fosse acessível”, disse Clooney em entrevista em Los Angeles. Seu objetivo, desta vez, era evitar os discursos. “Meu sócio, Grant Heslov, e eu tendemos a fazer filmes muito cínicos às vezes. Então impusemos o desafio de não fazer isso desta vez, de criar um filme que tivesse um olhar positivo sobre as coisas.”

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O próprio diretor interpreta Frank Stokes, encarregado pelos Estados Unidos de liderar um grupo responsável por encontrar, recuperar e devolver as obras de arte roubadas. Seus companheiros na tarefa são James Granger (Matt Damon), Richard Campbell (Bill Murray), Walter Garfield (John Goodman), Preston Savitz (Bob Balaban), o inglês Donald Jeffries (Hugh Bonneville) e o francês Jean-Claude Clermont (Jean Dujardin). Eles ainda contam com a ajuda de Claire Simone (Cate Blanchett), secretária de um oficial nazista que, sob risco de vida, cataloga todas as peças que passam pelo museu onde trabalha.

O roteiro de George Clooney e Grant Heslov baseia-se no livro de Robert M. Edsel e Bret Witter, mas trocou os nomes dos personagens reais para poder ter mais liberdade. Ainda assim, várias coisas que parecem inventadas são verdadeiras.

“Em uma cena do filme, copiamos uma fotografia em que os pertences de famílias judias estavam montados como se fossem showrooms em salas imensas”, contou o cineasta. Segundo Clooney, não foi muito difícil reunir o elenco estelar. Bill Murray resumiu um pouco o espírito da coisa. “A história é fascinante e desconhecida. E trabalhar com esse grupo foi muito divertido. Terminávamos uma cena, depois ríamos por 40 minutos”, contou. “Fomos a lugares maravilhosos, comemos bem, rimos muito. Se tivéssemos de começar tudo de novo amanhã, começaríamos.”

Cate Blanchett fez graça. “Imagine minha decepção: achei que ia trabalhar com Bill Murray e terminei com o Matt Damon!”, disse.

Clooney admite que os atores alemães do elenco não devem ter se divertido tanto. “Sinto-me mal pelos atores alemães, que há 75 anos estão interpretando nazistas!”, disse. “O ator vinha e falava: ‘Talvez ele tenha sido obrigado a fazer isso?’. E eu tinha de dizer: ‘Não, ele é um nazista mau mesmo’.”

Apesar de sua intenção ser fazer entretenimento, George Clooney sabe que o tema é sério e ainda provoca discussão, como mostram as recentes descobertas de centenas de obras de arte roubadas em Munique e Salzburgo, com valor superior a US$ 1 bilhão.

“Muitas dessas obras de arte foram encontradas e estão nas casas de outras pessoas ou em museus. A repatriação é um processo longo. Na Rússia, há uma geração de pessoas que acham que, como o país perdeu 25 milhões de pessoas durante a guerra, merece ficar com o espólio”, afirmou. “Às vezes é difícil criar simpatia pela causa quando nomes como Rothschild estão envolvidos. As pessoas acham que eles eram ricos, então não importa tanto.”

Também citou o saque dos museus no Iraque e na Síria como exemplos do que não pode mais acontecer. “Uma das cenas que mais me emocionam no filme é quando dizem que você pode matar, assassinar as famílias, mas, se a cultura é morta, a sociedade como um todo acaba.”

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