"Road movie" sobre pai e filho, "Nebraska" é o melhor filme de Alexander Payne

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Estrelado pelo veterano Bruce Dern, filme recebeu seis indicações ao Oscar

Em "Nebraska", que estreia nesta sexta-feira (14), o diretor Alexander Payne combina elementos de dois de seus filmes anteriores: faz um "road movie" como "Sideways - Entre Umas e Outras" (2004) e retrata a reaproximação de uma família como fez em "Os Descendentes" (2011). 

'Nebraska', de Alexander Payne (2013). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Nebraska'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Nebraska'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Nebraska'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Nebraska'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Nebraska'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Nebraska'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Nebraska'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Nebraska'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Nebraska'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Nebraska'. Foto: Divulgação

A combinação resultou no melhor trabalho de Payne, que desta vez filma um roteiro de Bob Nelson. Indicado a seis Oscar, o longa evoca o ótimo "História Real", de David Lynch, ao acompanhar um idoso que viaja pelo interior dos Estados Unidos determinado a alcançar um improvável objetivo.

Leia também: Três indicados ao Oscar estreiam nesta sexta-feira

Woody Grant (Bruce Dern) é um senhor alcóolatra e teimoso, mas ingênuo e de bom coração, que acredita ter ganho US$ 1 milhão. A família faz piada do suposto cupom premiado, enviado pelo correio, mas Woody insiste em deixar Billings, no Estado norte-americano de Montana, para coletar o dinheiro em Lincoln, Nebraska.

Após fracassadas tentativas de fazê-lo desistir da ideia, o filho mais novo, David (Will Forte, famoso pelo programa "Saturday Night Live") decide acompanhá-lo na viagem, que inclui uma passagem por Hawthorne, a cidade onde os pais se conheceram e moraram durante anos.

Veja o trailer de "Nebraska":

Pela sinopse, não é difícil imaginar que a jornada representará a volta de questões do passado e uma chance de reaproximação entre pai e filho, distanciados pelo vício de Woody e por anos de falta de comunicação.

Mas "Nebraska" escapa de ser óbvio ao fazer um inteligente retrato da família norte-americana, especialmente do sul. Hawthorne funciona como um microcosmo da crise econômica do país: um lugar parado no tempo, marcado por falta de oportunidades e onde todos querem se aproveitar da suposta fortuna de Woody.

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Ao mesmo tempo, o filme também trata com sensibilidade o envelhecimento e a inversão de papéis que o tempo impõe para pais e filhos. Agora, é David quem tem de cuidar de Woody, apesar dos ressentimentos.

Divulgação
Bruce Dern e June Squibb em 'Nebraska'

Payne gosta de contar histórias que sejam ao mesmo tempo comoventes e engraçadas, e também nesse ponto "Nebraska" é seu maior acerto. A opção por filmar em preto e branco colabora para o tom melancólico do filme, mas todos os temas são discutidos com bom humor.

As cenas em Hawthorne são especialmente inspiradas. Em uma delas, a câmera, posicionada atrás da televisão da sala, revela o desolamento do lugar: um bando de homens, a maioria velhos, sentados em frente ao aparelho e quebrando o silêncio apenas para falar sobre carros.

O elenco é outro ponto forte, com boas atuações de Forte e June Squibb, indicada ao Oscar de atriz coadjuvante pelo papel de Kate, mulher de Woody, que passa o dia criticando o marido, mas sabe defendê-lo como ninguém.

Dern, porém, é quem comanda o show. Aos 77 anos, o ator ganhou um papel digno de seu talento e a segunda indicação ao Oscar, 35 anos depois de "Amargo Regresso". Apontado como favorito durante meses, ele deve perder a estatueta para Matthew McConaughey, que interpreta um portador do vírus da Aids em "Clube de Compras Dallas".

Os dois trabalhos são bem diferentes. McConaughey tem mais falas, mais cenas de choro e explosão de sentimento, além de ter passado por uma drástica mudança física para o papel: cerca de 20 kg a menos. Dern, ao contrário, brilha nos detalhes e sutilezas: no olhar desorientado, no corpo pesado e no ar triste de quem carrega os arrependimentos de uma vida.

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