Diretor Lars von Trier aparece de surpresa e provoca Cannes; Shia LaBeouf abandona entrevista coletiva

Reuters

Dois filmes em polos opostos, uma visão alemã da dura vida de uma adolescente de uma família fervorosamente católica e "Ninfomaníaca" , o controverso longa do diretor Lars von Trier, foram os destaques do quarto dia do Festival de Cinema de Berlim.

Crítica: "'Ninfomaníaca' discute sexo, mas inova pouco"

O filme de Von Trier com Charlotte Gainsbourg e uma prolongada lista de membros destacados do mundo do cinema como seus acompanhantes sexuais provocou longas filas nos cinemas neste domingo, apesar da exibição fora da competição.

Lars Von Trier apareceu de surpresa na apresentação do filme em Berlim e aproveitou para fazer uma provocacão ao Festival de Cannes ( Von Trier foi banido de Cannes em 2011 por ter dito em uma entrevista coletiva que "entendia Hitler"). O cineasta vestia uma camiseta com o símbolo do Festival de Cannes estampada com a frase "persona non grata".

Ja na entrevista coletiva de "Ninfomaníaca" a polêmica ficou por conta do ator Shia LaBeouf. O norte-americano abandonou seu posto depois de apenas uma pergunta. Ele justificou dizendo: "Quando as gaivotas seguem o navio, é porque acham que as sardinhas serão jogadas ao mar".

"Caminho da Cruz"

O emparelhamento da obra erótica do dinamarquês com o filme alemão "Kreuzweg" ("Caminho da Cruz"), sobre uma família católica que cria sua filha em um ambiente religioso rigoroso, gerou uma justaposição incomum, mas do gosto do diretor Dietrich Bruggemann.

"Nossa religião é o cinema e essa é a catedral e é o que fazemos no domingo. Primeiro você vai à igreja e, em seguida, você se diverte um pouco", disse Bruggemann em entrevista coletiva após a exibição.

Mas a diversão não é o que exatamente define o filme de Bruggemann, que mostra uma bonita e charmosa jovem caindo no ódio de si mesma, a insegurança e, finalmente, a anorexia em uma família alemã profundamente religiosa.

Ela se divide entre os ensinamentos de um padre - interpretado por Florian Stetter, que diz a adolescentes no catecismo que a música rock e soul são instrumentos de satã e que "a impureza é o principal pecado de nosso tempo" - e as atenções de um menino que a convida para participar de um coro em uma paróquia mais liberal.

Maria, interpretada pela estreante Lea van Acken, se sente atraída pelo menino, mas também acredita que a música pode ajudar seu irmão autista, que não fala desde os quatro anos, a sair de seu isolamento.

Sua mãe fanática, interpretada por Franziska Weiss, proíbe que isso aconteça, mesmo quando a maioria das músicas é de Bach, porque parte é soul e gospel.

O confronto entre Maria, isolada na escola por seus extremos pontos de vista religiosos, e sua mãe dominadora cresce, com consequências devastadoras.

Bruggemann disse que ele e sua irmã Anna, roteiristas, foram criados como católicos e, embora sua família não fosse radical, soube que havia versões extremas, não só na Alemanha, mas em toda parte.

O filme segue o calvário, com Maria no papel de um Jesus feminino, e durante grande parte do longa a câmera está parada em cada cena, com longas atuações dos atores. O filme é um dos quatro alemães entre os 20 concorrentes para o prêmio de melhor filme, que será anunciado sábado.

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