Woody Allen diz que acusações de abuso sexual são "inverídicas e lamentáveis"

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Por meio de porta-voz, diretor diz que responderá ao artigo da filha adotiva, Dylan Farrow

Reuters

Por meio de sua porta-voz, o cineasta Woody Allen alegou que as novas acusações de que teria abusado sexualmente de uma filha adotiva quando a menina tinha 7 anos são "inverídicas e lamentáveis". A declaração foi feita no domingo (2), um dia depois da carta da suposta vítima que abalou Hollywood.

"O sr. Allen leu o artigo e concluiu que ele é inverídico e lamentável. Ele responderá muito em breve", disse por email Leslee Dart, sua assessora de imprensa.

Leia também: Filha adotiva de Woody Allen relata abusos sexuais em carta aberta

Imagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: Divulgação

Dylan Farrow, 28 anos, filha da atriz Mia Farrow, que foi mulher de Allen, contestou a aclamação concedida nos últimos anos ao premiado cineasta, de 78 anos, e contou sua versão dos fatos de décadas atrás em uma carta aberta publicada por Nicholas Kristof, colunista do "The New York Times" e amigo da família Farrow.

Leia também: Mia Farrow relembra acusações de pedofilia contra Woody Allen

As suspeitas de abuso sexual de Allen contra Dylan já haviam vindo à tona pela primeira vez na época em que Allen e Mia Farrow se separaram, em 1992. Allen nunca foi detido nem processado pelo caso. Uma investigação conduzida por peritos judiciais considerou que não havia indícios para amparar um processo contra o cineasta.

Questões legais

Juristas dizem que, mesmo que promotores vejam agora indícios de crime, pode ser tarde para tentar processar Allen. Uma condenação dependeria de o júri considerá-lo culpado acima de qualquer suspeita, com base em provas como o depoimento de Dylan - o que, décadas depois do fato, poderia ser inviável.

O tempo decorrido provavelmente poupará Allen de ser processado, segundo Todd Fernow, professor de Direito da Universidade de Connecticut - Estado norte-americano onde os fatos teriam ocorrido.

Segundo ele, o tempo de prescrição para crimes sexuais (exceto os mais graves) é de cinco anos após o registro do boletim de ocorrência policial. No caso de Dylan Farrow, portanto, isso teria se esgotado em 1997.

Divulgação
Woody Allen e Mia Farrow no filme 'A Outra' (1988)

Em 1993, o promotor Frank Maco recusou-se a levar adiante um processo contra Allen. Maco, que se aposentou em 2003, disse no domingo que não faria especulações sobre o caso, mas explicou que o tempo de prescrição depende de vários fatores, como a natureza das provas e mudanças legais ocorridas na última década. "Quando deixei o cargo, estava convencido de que o prazo de prescrição já havia transcorrido havia muito tempo nesse caso", afirmou.

As acusações a Allen voltam à tona no meio da temporada de premiações de Hollywood, quando o cineasta recebeu um prêmio especial no Globo de Ouro, concedido pela Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood, e concorre ao Oscar de melhor roteiro por "Blue Jasmine".

Na carta, Dylan questiona por que Allen, ganhador de quatro Oscars, é tão reverenciado, e desafia publicamente os atores de seus filmes - como Cate Blanchett e Alec Baldwin, que estão em "Blue Jasmine" - sobre qual seria sua reação diante de uma situação de abuso doméstico.

Participando de um festival de cinema em Santa Barbara, na Califórnia, Blanchett disse ao blog Hollywood Elsewhere: "Obviamente essa é uma situação longa e dolorosa para a família, e espero que eles encontrem algum tipo de solução e paz".

Com Reuters

Leia tudo sobre: CULTURAGENTEALLENRESPONDEACUSACAO

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas