Parentes e personalidades do cinema se despedem de Eduardo Coutinho em velório

Por Nina Ramos , iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

"Perdemos um sábio", afirmou o ator Lázaro Ramos no cemitério São João Batista, no Rio

Cineastas como João Moreira Salles e Walter Salles, o produtor Luiz Carlos Barreto e o ator Lázaro Ramos são algumas das personalidades que  foram ao velório de Eduardo Coutinho nesta segunda (3), no cemitério São João Batista, no Rio.

Repercussão - "Eduardo Coutinho era um dos maiores diretores do Brasil"

Artistas como o ator Otávio Augusto (direita) se despedem do cineasta Eduardo Coutinho durante velório no Cemitério São João Batista, no Rio. Foto: Ale Silva/Futura PressArmando Freires Filho (direita) e João Moreira Salles no velório de Eduardo Coutinho no Cemitério São João Batista. Foto: Ale Silva/Futura PressO produtor Luiz Carlos Barreto no velório do cineasta Eduardo Coutinho no Rio. Foto: Ale Silva/Futura PressEduardo Coutinho autografa livro sobre ele no Cinesesc (25/10). Foto: DivulgaçãoEduardo Coutinho em evento da Mostra de Cinema de SP de 2013. Foto: DivulgaçãoEduardo Coutinho na Flip 2013. Foto: Walter Craveiro/DivulgaçãoEduardo Coutinho e Adriana Rattes no Festival do Rio 2011. Foto: George MagaraiaEduardo Coutinho no Festival do Rio de 2011. Foto: George MagaraiaO cineasta Eduardo Coutinho. Foto: George MagaraiaO cineasta Eduardo Coutinho. Foto: Mario Miranda/Agência Foto

O documentarista Eduardo Coutinho, 80, foi morto a facadas no domingo. Sua mulher, Maria das Dores Oliveira Coutinho, 61, também foi atingida e está internada no hospital Miguel Couto. Segundo a polícia, o autor do crime é o filho do casal, Daniel Coutinho, 41, que tentou cometer suicídio esfaqueando o próprio corpo. Ele também foi levado ao hospital.

O outro filho de Coutinho, Pedro, chegou ao velório por volta das 15h. Ele estava com a mulher e não quis falar com a imprensa. Também não deram declarações artistas como as atrizes Camila Morgado e Bel Kutner e a diretora Amora Mautner.

Luiz Carlos Barreto disse que a morte de Coutinho "foi uma perda enorme não só para o cinema brasileiro, mas para o mundial. Ele foi um documentarista respeitado no mundo inteiro. Modernizou a linguagem dramatúrgica com profundidade de análise e não apenas com registro."

Mais: Vizinho diz que filho de Coutinho fumou cigarro após crime

Barreto afirmou que eles conviveram bastante na época do filme "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), porque Coutinho ajudou no roteiro do filme dirigido por Bruno Barreto. "Era uma pessoa de bom humor, apesar de ser discreto."

Vários presentes ao velório disseram não saber sobre os supostos disturbos psicológicos de Daniel Coutinho, que na opinião da polícia sofreu um surto psicótico. "A gente sabia que ele tinha um filho com problemas, mas ele nunca abordou esse assunto. Era muito discreto", afirmou o diretor Walter Carvalho.

Mais: 'Eu libertei meu pai', diz filho de Eduardo Coutinho após o crime

Para ele, mensurar a importância de Coutinho é algo complexo. "Não tem como definir nem classificar. Ele é uma espécie de Graciliano Ramos. Ou seja, não existe como definir estas pessoas."

O ator Lázaro Ramos disse que "conhecia o Coutinho de convivência, com o trabalho". "Foi uma tragédia, uma fatalidade", afirmou. "Perdemos um sábio."

O ator João Miguel se disse abalado. "Vai deixar muita saudade, mas também muita inspiração. Um homem como o Eduardo não é só documentarista. Ele é um dos maiores cineastas inventivos do Brasil."

A cantora Adriana Calcanhoto disse que ser fã do diretor. "Não tenho palavras. Conhecia ele um pouco, assistia aos filmes e adorava tudo", afirmou. "Ele fazia cinema de um jeito só dele."

O escritor Ferreira Gullar afirmou que Coutinho fazia parte de uma geração "muito criativa'. "Seu legado, é claro, são seus filmes, e a capacidade de, como ele mesmo dizia, apresentar as pessoas."

Abalado, o ator Paulo José disse apenas uma frase: "Estou sem palavras."

Heloísa de Oliveira Coutinho, 78, irmã do cineasta, disse que Pedro e Daniel "sempre foram muito diferentes no temperamento". "O Eduardo era muito discreto, não falava sobre a condição do filho. Acho que ele nunca comentou até por respeito à Dorinha (mulher de Coutinho). A morte é horrível, mas tem uma continuação, com a Dora, o Pedro e o Daniel."

Leia tudo sobre: eduardo coutinhocinema

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas