Exposição sobre Stanley Kubrick em SP chega à última semana; veja destaques

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Público tem até domingo (12) para visitar mostra do MIS que recria ambientes de filmes e expõe centenas de documentos e objetos originais

Destaque do cenário cultural paulistano em 2013, a excelente exposição sobre o cineasta Stanley Kubrick em São Paulo chega à sua última semana. Visitantes têm até domingo (12) para conferir a mostra do Museu da Imagem e do Som (MIS) que recria ambientes dos filmes e reúne centenas de documentos e objetos originais.

No fim de semana as filas estavam longas e devem permanecer assim nos próximos dias, mesmo com o horário de visitação ampliado. Os fãs do diretor que decidirem enfrentá-las, porém, não devem se decepcionar.

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Ambiente do filme 'Lolita' na exposição Stanley Kubrick no MIS. Foto: DivulgaçãoMáquia de escrever usada em 'O Iluminado'. Foto: DivulgaçãoClaquete do filme 'Laranja Mecânica'. Foto: DivulgaçãoDocumentos de 'Napoleão'; ao centro, a carta de Audrey Hepburn. Foto: DivulgaçãoÀ esquerda, figurino original de 'Barry Lyndon'; à direita, outro montado por Milena Canonero em referência aos criados para o filme. Foto: Divulgação

Em cartaz desde outubro, a mostra foi criada pelo Deutsches Filmmuseum de Frankfurt e trazida pela primeira vez à América Latina numa parceria do MIS com a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

A versão do MIS optou por ambientes dos filmes de Kubrick, dando ao visitante a oportunidade de mergulhar no universo do diretor - desde dividir a trincheira com os soldados de "Glória Feita de Sangue" a caminhar pelos corredores do hotel Overlook, de "O Iluminado".

"Cada país adiciona algo ao material. Aqui houve a ideia de copiar os cenários. Ninguém mais fez isso", afirmou a viúva de Kubrick, Christiane, em entrevista ao iG durante a abertura da exposição. "Ficou com certa cara de teatro. Achei muito impressionante."

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Foi Christiane quem cedeu o material exposto à equipe do Deustches Filmmuseum, dando um ótimo destino para a inacreditável quantidade de documentos que o diretor acumulou até sua morte, em 1999, vítima de um ataque cardíaco.

Divulgação
Christiane Kubrick e o irmão, Jan Harlan, que foi braço direito do diretor, visitam a exposição no MIS

"Olhar para aquelas caixas me deixava triste. Não sabia o que fazer com elas. Não queria jogar fora, mas ver aqueles papéis ficando amarelos, velhos e horríveis era muito deprimente", disse a viúva. "Acho que Stanley foi o último cineasta a trabalhar sem computador. Hoje a maioria das pessoas não guarda nada. Os diretores apenas destroem o arquivo e acabou. Stanley, ao contrário, tinha zilhões de coisas."

Destaques da exposição

Daí o principal conselho para quem for ao MIS nesta semana: não tenha pressa. A exposição é daquelas para se ficar horas, com itens como a armadura e a túnica usadas por Kirk Douglas em "Spartacus" e a câmera Mitchell BNC que Kubrick usou para as cenas à luz de velas de "Barry Lyndon", além de claquetes, pôsteres, estudos de penteado e maquiagem, álbum de polaroids para continuidade, esboços de desenhos de produção, entre outros.

Divulgação
Réplica de uma das 'moças' do Korova Milk Bar

As cartas, em especial, são verdadeiras preciosidades. Em uma delas, Audrey Hepburn diz não estar disponível, mas pede para o diretor "pensar nela de novo algum dia". Em outra, um espectador revoltado com a violência no cinema faz um desabafo: "Após assistir 'Laranja Mecânica', estou pronto para deixar de ver filmes". Há até um aviso à equipe de "Doutor Fantástico" sobre a necessidade de todos usarem chinelos de feltro no chão "muito polido" da sala de guerra.

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A seção dedicada a "O Iluminado" também é um dos destaques. Nela, o público abre portas amarelas e enumeradas conforme percorre um corredor estreito e escuro, forrado do mesmo papel de parede do hotel do filme. Quando chegar no fatídico quarto 237, terá visto os vestidos e sapatos originais das irmãs Grady e o machado de Jack Torrance, tudo ao som de uma trilha sonora tensa e um barulho inconfundível de máquina de escrever.

Outros espaços preferidos dos visitantes são os que recriam a nave de "2001 - Uma Odisséia no Espaço", o Korova Milk Bar de "Laranja Mecânica", e o baile de máscaras de "De Olhos Bem Fechados".

A última seção, dedicada aos filmes que não saíram do papel, é imperdível.  A pesquisa para "Napoleão", projeto abandonado por problemas técnicos, financeiros e organizacionais, inclui o que talvez seja o item mais impressionante da exposição: um enorme arquivo com fichas cheias de informações sobre a vida de pessoas que cruzaram o caminho do imperador francês, coletadas por duas dezenas de assistentes e historiadores contratados por Kubrick.

Ao final, a sensação é de conhecer melhor o trabalho de Kubrick e principalmente seu extremo cuidado em relação a todos os aspectos de seus filmes, característica de "um diretor meticuloso que parece entender a relação crucial que os detalhes têm com o todo".

A definição é do historiador LeGrace G. Benson, escrita em uma carta enviada a Kubrick para elogiar "Dr. Fantástico" - e que, é claro, também está na exposição. 

Exposição - Stanley Kubrick
Visitação: 11/10/2013 a 12/01/2013
Horários: Terça a quinta - 12h às 22h; sexta das 12h à meia-noite; sábado, das 10h às 3h; domingos das 10h às 23h.
Local: Museu da Imagem e do Som (Avenida Europa, 158)
Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia); Às terças, a entrada no MIS é gratuita
Informações: (11) 2117-4777 e pela internet

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