Meryl Streep e Julia Roberts enfrentam crise traumática em "Álbum de Família"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Filme sobre parentes cheios de problemas aposta suas fichas no Oscar e busca estatuetas para as duas atrizes

Quando as indicações ao Oscar forem anunciadas, em janeiro, é bem provável que ao menos dois nomes do numeroso elenco de “Álbum de Família”, que estreia nesta sexta-feira (27), estejam entre os lembrados pela Academia: Meryl Streep e Julia Roberts, duas das mais queridas atrizes norte-americanas.

O filme do cineasta John Wells, que dirigiu o longa "A Grande Virada" e vários episódios da série “Plantão Médico”, é daqueles que tem tudo para ganhar prêmios - a começar pelo produtor Harvey Weinstein, conhecido por não poupar esforços ou dinheiro em campanhas de marketing.

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Imagem do filme 'Álbum de Família'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Álbum de Família'. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Álbum de Família'. Foto: Divulgação

A estratégia de Weinstein e desua equipe (George Clooney também está entre os produtores) foca principalmente em conseguir estatuetas para Streep e Roberts. Ambas poderiam ser consideradas protagonistas de “Álbum de Família”, mas, para que não competissem entre si, foram dividas em categorias diferentes na campanha pelo Oscar: Streep na principal, Roberts como coadjuvante.

O filme é uma adaptação da premiada peça de Tracy Letts, que também assina o roteiro, mais enxuto do que o original e centrado nas mulheres da família Weston. Streep interpreta Violet, a matriarca, uma fortaleza de temperamento difícil, viciada em comprimidos e que trata um câncer na boca. O patriarca é Beverly (Sam Shepard), poeta e professor alcoólatra que, após contratar uma enfermeira para cuidar de Violet, abandona a mulher e a casa sem grandes explicações.

Diante do sumiço de Beverly, as três filhas do casal são convocadas a ajudar. Ivy (Julianne Nicholson), a mais quieta e reservada, nunca se casou ou mudou de cidade, por isso acompanha mais de perto os dramas dos pais; Barbara (Roberts) tem claros problemas tanto com a mãe quanto com o marido, Bill (Ewan McGregor), e a filha de 14 anos, Jean (Abigail Breslin, a “Pequena Miss Sunshine”, agora jovem e sexy); Karen (Juliette Lewis) é a mais avoada, sempre pensando em si mesma e vivendo fantasias adolescentes ao lado do homem da vez – no caso, Steve (Delmot Mulroney), que de longe aparenta ser problema.

A reunião de família ainda inclui Mattie Fae (Margo Martindale), irmã de Violet e tão dura e sem papas na língua quanto ela; o filho inseguro e esquisito que ela adora humilhar, Little Charles (Benedict Cumberbatch); e o marido boa praça, Charles (Chris Cooper), quase uma anomalia em meio à família tão problemática.

Neste cenário, traumas, mentiras e mágoas do presente e do passado explodem com uma violência brutal e por todos os lados. No início, a identificação com os Weston é fácil – afinal, todo mundo tem um parente difícil, uma questão familiar mal resolvida ou uma briga que ficou para a história. Aos poucos, conforme os problemas vão se acumulando, a identificação vai sendo minada pelo cansaço. São dramas demais: câncer, vício em remédios, alcoolismo, divórcio, traição, morte, assédio sexual e até uma revelação bombástica digna de novela.

“Álbum de Família” também peca por certa indecisão quanto ao tom, que fica perdido entre o dramalhão e o humor negro, sem que nenhum dos dois funcione completamente. Num sinal da falta de acabamento do filme, Weinstein e companhia alteraram a cena final de última hora, tornando a nova versão mais otimista do que a original, exibida no Festival de Toronto. A tentativa de fazer um “feel good movie”, porém, não cola totalmente em um filme cujas piadas são mais cruéis do que engraçadas.

O talentoso elenco faz o que pode para compensar os fios soltos do roteiro. Streep tem muitas chances de brilhar interpretando uma mulher tão brutal quanto indefesa e, como sempre, dá conta do recado. Ao mesmo tempo, o público já a viu fazer melhor e em filmes melhores muitas outras vezes.

Roberts tem seu papel mais relevante em anos e também não decepciona, ainda que o roteiro tire certa força de sua personagem ao explicar demais o que já estava claro nas entrelinhas: que a principal antagonista de Violet caminha a passos largos para ficar como ela.

As duas atrizes têm as cenas mais “Oscarizáveis” do filme – as gritarias, brigas e grandes discursos. Mas são os atores coadjuvantes, em especial os de interpretação mais quieta e sutil, que falam mais alto. Shepard e Cumberbatch ficam pouco tempo na tela, mas deixam suas marcas. Rosto menos conhecido do elenco, Nicholson sai da sombra dos colegas famosos e entrega a atuação mais comovente. Cooper, sempre excelente, é presença verdadeiramente reconfortante, um personagem mais normal em meio a tantos excessos. São eles os responsáveis pelos melhores momentos de um filme que vai bem na parte, mas não se sustenta no todo.

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