Adèle Exarchopoulos: "Fazer cenas de separação foi mais difícil que as de sexo"

Por Thiago Ney , iG São Paulo | - Atualizada às

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Jovem atriz de "Azul É a Cor Mais Quente" fala ao iG sobre como foi filmar romance explícito com Léa Seydoux

Adèle Exarchopoulos é uma das duas protagonistas de "Azul É a Cor Mais Quente", filme sobre um romance lésbico que ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes 2013. A atuação fez desta jovem atriz de 20 anos uma estrela que viaja pelo mundo e recebe em casa peças de importantes estilistas. Ela também passou por São Paulo, onde recebeu a reportagem do iG na mesa de um restaurante devorando um misto-quente e bebendo mate gelado.

Cena de 'Azul É a Cor Mais Quente'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Azul É a Cor Mais Quente'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Azul É a Cor Mais Quente'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Azul É a Cor Mais Quente'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Azul É a Cor Mais Quente'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Is The Warmest Color'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Azul É a Cor Mais Quente'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Azul É a Cor Mais Quente'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Azul É a Cor Mais Quente'. Foto: Divulgação

"Às vezes sou como ela. Odeio quando alguém tenta me ensinar algo. Ela se sacrifica muito, eu não sou tão tolerante. Ela segue o que o coração diz." Adèle está falando de seu personagem, também chamado Adèle, uma estudante adolescente que se apaixona por Emma, artista plástica um pouco mais velha e que pinta o cabelo de azul, interpretada por Léa Seydoux.

O filme estreia nesta sexta em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Salvador , Recife e Campinas.

A relação entre Adèle e Emma conduz "Azul É a Cor Mais Quente", e o filme seria "apenas" uma história de amor não fossem as longas (uma com quase dez minutos de duração) e explícitas cenas de sexo vividas entre as duas protagonistas. O diretor Abdellatif Kechiche pediu às duas atrizes o máximo de realismo possível - e conseguiu o que queria, mesmo que à custa de atritos com Adèle e Léa Seydoux.

Divulgação
Adèle Exarchopoulos em 'Azul É a Cor Mais Quente'

Depois de Cannes, as atrizes (principalmente Léa) criticaram a maneira "rígida" e "exaustiva" com que Kechiche dirigia cada take, e como ele demorava dias para filmar as cenas de sexo. Foram cinco meses de filmagens. Pelo menos Adèle parece ter feito as pazes novamente com o diretor.

"Ele é o melhor diretor da França, e por isso eu queria entrar nesse filme de qualquer jeito. Mesmo quando ele me disse que eu teria de fazer cenas de sexo", contou a atriz. "Adoro o fato de que não são filmadas apenas cenas bonitas, ensaiadas. Nós improvisamos bastante."

Sobre essas cenas, Adèle afirma que "não foram as mais difíceis de fazer". "Acho que foi mais difícil para a Lea. Eu apenas me deixei levar, como em uma dança. Houve muita improvisação, rolou naturalmente. As cenas mais difíceis para mim foram as de separação, em que brigamos. Porque depois de toda a cumplicidade, vem o rompimento. Foi intenso."

Mas "Azul É a Cor Mais Quente" mostra-se um filme bem interessante não apenas pelo romance entre Adèle e Emma, mas pela sutileza com que retrata as disparidades entre as duas personagens - a inexperiente Adèle de um lado e, de outro, a sofisticada e vivida Emma.

"Foi uma decisão consciente tratar da diferença intelectual, até pela escolha das atrizes", afirma Kechiche, que também veio a São Paulo para promover o longa. Enquanto Adèle Exarchopoulos é filha de um professor e de uma enfermeira, Léa Seydoux vem de uma poderossa família de classe alta e ligada ao entretenimento.

'Uma das ideias do filme é mostrar como isso é difícil, esse amor entre duas pessoas tão diferentes, que vêm de ambientes bem diferentes", conta Kechiche.

Getty Images
A atriz Adèle Exarchopoulos em Cannes

Também por essa questão em relação a Emma, Adèle parece estar sempre deslocada no filme, nunca plenamente satisfeita, desde o momento em que se envolve com um colega da escola, no início do longa.

"Ela sabe o que quer - em determinados momentos. Ela quer ser professora, ela sabe disso. Quando lê um livro, se sente bem. Quando está sozinha, lendo, escrevendo, ela está feliz", opina a atriz "Ela tenta encontrar um lugar, seja com Emma ou quando está com algum garoto. Mas é dificil. É como quando você conhece a família do seu namorado, e tenta parecer alegre, divertida, e você não consegue ser você mesma. Mas Adèle é uma mulher pura, tentando encontrar seu o lugar."

Continuação?

Com o sucesso (pelo menos de crítica) de "Azul É a Cor Mais Quente", o diretor Abdellatif Kechiche disse que se apegou à personagem - e uma continuação está nos planos.

"Gostaria de revê-la ao longo da vida, aos 30, 40 anos, passando pelas provações da vida, vendo os amores que irá viver. Já tenho cenas, roteiros, peripécias do que vai acontecer. Mas isso vai ficar para daqui a cinco, seis anos."

Kechiche reitera que não vê "Azul É a Cor Mais Quente" como um filme de nicho por ter como eixo o romance lésbico. "É bom que cada um se aproprie do filme, e não apenas a comunidade sexual. Não quis limitar o filme fazendo um discurso em defesa do homossexual, queria mostrar esse amor como algo comum, mas sei que isso acaba se tornando um discurso. Mas isso não torna o filme invisível para o público geral."

Por outro lado, o diretor diz que o apelo do filme seria outro se o casal fosse heterossexual. "Seria um filme diferente. O fato de ser duas mulheres é uma parte constitutiva do filme."

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