Protagonista de "Crô - O Filme" funciona melhor na TV do que no cinema

Por Fernando Antonialli , do iG São Paulo |

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Mordomo interpretado por Marcelo Serrado na novela "Fina Estampa", de Aguinaldo Silva, ganha filme com roteiro do dramaturgo e direção de Bruno Barreto

A abrangência do cinema de Bruno Barreto torna difícil a tarefa de advinhar seus próximos projetos. De adaptações de Jorge Amado ("Dona Flor e Seus Dois Maridos" e "Gabriela, Cravo e Canela") a dramas indicados ao Oscar ("O Que É Isso, Companheiro?"), o diretor trafega bem por diversos gêneros.

Por esse motivo, não foi de todo surpreendente quando Barreto assumiu a direção de "Crô - O Filme", que leva ao cinema o personagem criado por Aguinaldo Silva (que assina o roteiro do longa) na novela "Fina Estampa".

Imagem de longa 'Crô - O Filme'. Foto: DivulgaçãoImagem de longa 'Crô - O Filme'. Foto: DivulgaçãoImagem de longa 'Crô - O Filme'. Foto: DivulgaçãoImagem de longa 'Crô - O Filme'. Foto: DivulgaçãoImagem de longa 'Crô - O Filme'. Foto: DivulgaçãoImagem de longa 'Crô - O Filme'. Foto: Lisa Graham

Com Marcelo Serrado e Alexandre Nero (entre outros atores) de volta em seus papéis, o filme fez um bom trabalho ao se tornar independente da novela. Porém, a mudança de humor da TV para o cinema fez o personagem perder a força, ficando às vezes até chato.

No longa, Crô (Serrado) está entediado com a vida de milionário depois de herdar a fortuna de Teresa Cristina (ainda na novela). Agora que não precisa mais trabalhar, ele tenta ocupar o tempo livre com os mais diferentes hobbies, mas não tem sucesso em nenhum deles.

Marcelo Serrado: "Crô é um dos grandes personagens de Aguinaldo Silva"
Bruno Barreto: "É um personagem maior do que a vida"

Crô, então, percebe que, mesmo não precisando, ainda quer servir. Em busca de sua próxima "musa" (como ela chama a futura patroa), o mordomo começa uma série de entrevistas com as mulheres mais ricas de São Paulo. Quem mais se destaca no processo é Vanusa (Carolina Ferraz), uma mulher que busca ascensão social e, secretamente, explora trabalhadores em uma fábrica de roupas.

O ponto forte de "Crô" é o elenco afiado e bem familiarizado com os seus personagens. A dupla de Serrado e Alexandre Nero (o motorista Baltazar) ainda mantém a química da novela. Mas o destaque vai para Carolina Ferraz, "novata" no universo criado por Aguinaldo Silva. A vilã tem as cenas mais engraçadas, assim com as mais pesadas (que acontecem em sua fábrica ilegal).

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Os trejeitos afeminidos e exagerados que fizeram a fama de Crô na TV foram transportados à risca para o cinema. Mas a dose de poucos minutos diários com que as afetações eram servidas durante "Fina Estampa" funcionavam bem. Já no filme, ver o ex-mordomo repetir as mesmas caras e bocas cansa na primeira meia hora.

O que ajuda o filme a manter um pouco de ritmo são as participações especiais. Ivete Sangalo, como mãe e primeira "musa" de Crô, e Gaby Amarantos, uma aspirante a patroa, entregam alguns dos momentos divertidos. Mas as contadas cenas em que o humor funciona não superam os longos momentos de silêncio e risos forçados. 


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