As mulheres de Woody Allen

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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"Blue Jasmine" adiciona mais um nome à lista de personagens femininas inesquecíveis do diretor; relembre suas principais musas, de Diane Keaton a Penélope Cruz

Se Hollywood é notória por deixar as mulheres de lado, reservando poucos e piores papéis para as atrizes, o diretor Woody Allen representa uma saudável exceção. "Blue Jasmine", que estreia nesta sexta-feira (15), acrescenta mais um nome à longa lista de personagens femininas inesquecíveis do diretor.

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A musa da vez é Cate Blanchett, que deve ser indicada ao Oscar por sua atuação como Jasmine, uma ricaça que perde tudo e se vê forçada a abandonar sua mansão em Nova York para viver na casa da irmã pobretona em São Francisco.

As musas de Woody Allen: Diane Keaton, Mia Farrow, Scarlett Johansson e Penélope Cruz. Foto: DivulgaçãoDiane Keaton em 'Noivo Neurótico, Noiva Nervosa' (1977). Foto: DivulgaçãoDiane Keaton em 'Manhattan' (1979). Foto: DivulgaçãoMariel Hemingway em 'Manhattan' (1979). Foto: DivulgaçãoMia Farrow em 'A Rosa Púrpura do Cairo' (1985). Foto: DivulgaçãoMia Farrow em 'Simplesmente Alice' (1990). Foto: DivulgaçãoDianne Wiest em 'Hannah e Suas Irmãs' (1986). Foto: DivulgaçãoDianne Wiest em 'Tiros na Broadway' (1994). Foto: DivulgaçãoAnjelica Houston em 'Crimes e Pecados' (1989). Foto: DivulgaçãoAnjelica Houston em 'Um Misterioso Assassinato em Manhattan' (1993). Foto: DivulgaçãoMira Sorvino em 'Poderosa Afrodite' (1995). Foto: DivulgaçãoJudy Davis em 'Maridos e Esposas' (1992). Foto: DivulgaçãoJudy Davis em 'Desconstruindo Harry' (1997). Foto: DivChristina Ricci em 'Igual a Tudo na Vida'. Foto: DivulgaçãoRadha Mitchell em 'Melinda e Melinda' (2004). Foto: DivulgaçãoScarlett Johansson em 'Ponto Final - Match Point' (2005). Foto: DivulgaçãoScarlett Johansson em 'Scoop - O Grande Furo' (2006). Foto: DivulgaçãoPenélope Cruz em 'Vicky Cristina Barcelona' (2008). Foto: DivulgaçãoPenélope Cruz em cena de 'Para Roma Com Amor' (2012). Foto: DivulgaçãoCate Blanchett em 'Blue Jasmine' (2013). Foto: DivulgaçãoEmma Stone em 'Magia ao Luar' (2014). Foto: Divulgação

Se a indicação de fato vier, será a 12ª vez que uma atriz concorrerá ao Oscar por um filme de Allen. Cinco vezes elas saíram premiadas - Diane Keaton por "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa"; Dianne Wiest duas vezes, por "Hannah e Suas Irmãs" e "Tiros na Broadway"; Mira Sorvino por "Poderosa Afrodite" (ponto alto de uma carreira medíocre); e Penélope Cruz por "Vicky Cristina Barcelona".

Em comparação, quatro atores foram indicados por filmes do diretor e só um ganhou (Michael Caine, também por "Hannah").

Leia também: Os 10 mais e os 5 menos de Woody Allen

Os números dão um pequeno indicativo do que os filmes deixam óbvio. Allen encheu a tela de bons papéis femininos, das primeiras e principais musas - Diane Keaton e Mia Farrow - às mais recentes - Scarlett Johansson e Penélope Cruz -, passando por Wiest, Mariel Hemingway (a Tracy de "Manhattan"), Judy Davis (parceira de vários filmes e destaque de "Maridos e Esposas"), Radha Mitchell (dose dupla em "Melinda e Melinda"), entre outras.

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Quatro atrizes ganharam o Oscar por filmes de Woody Allen: Dianne Wiest, Diane Keaton, Mira Sorvino e Penélope Cruz


Em geral, as mulheres de Allen são complexas, inteligentes e têm muito a dizer. São raras as personagens femininas de Allen que funcionam apenas como "a mãe" ou "a namorada". "Os homens nunca foram representados de forma superior", disse o diretor, em recente entrevista ao "The New York Times". "Geralmente eles são inferiores, porque são menos 'pé no chão' do que as mulheres."

Allen atribui o despertar para os papéis femininos ao relacionamento com Keaton. "Começamos a namorar, fomos morar juntos e comecei a escrever para ela", contou, à revista "W". "Ela teve uma grande influência sobre mim. Keaton tem aquela personalidade enorme,: eu escrevia as piadas para os meus personagens, mas ela ficava com todas as risadas. Depois de 'Noivo Neurótico, Noiva Nervosa', me sentia mais confortável escrevendo para mulheres do que para homens."

Abaixo, veja vídeo e, em seguida, mais sobre as principais mulheres dos filmes de Woody Allen.

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Diane Keaton em 'O Dorminhoco', de 1973

Diane Keaton

Apesar de o primeiro grande papel de Keaton ter sido Kay Adams em "O Poderoso Chefão", de Francis Ford Coppola, foram os filmes de Allen que moldaram sua carreira. Em entrevistas, ele costuma se referir ao diretor como um mentor sem o qual "não seria nada".

Os dois se conheceram em 1968, durante os ensaios da peça "Play It Again", começaram a namorar e moraram juntos por mais de um ano. Fizeram oito filmes, a maioria depois da separação.

O destaque é "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa", no qual interpretam um casal problemático que muitos viram como um espelho da vida real. Sobre isto, Keaton escreveu em sua autobiografia:

"Meu sobrenome é Hall (a personagem se chama Annie Hall). Woody e eu de fato tivemos um romance significativo, ao menos para mim. Eu de fato queria ser cantora. Eu era insegura e de fato tateava em busca de palavras. Mas 35 anos depois, quem se importa? O que importa é a obra de Woody. 'Noivo Neurótico, Noiva Nervosa' foi sua primeira história de amor. O amor mantinha aquelas pessoas juntas. Embora amarga, a mensagem é clara: O amor enfraquece. Woody assumiu um risco: deixou o público sentir a tristeza do adeus em um filme engraçado."

Filmes: "Sonhos de um Sedutor" (1972 - dirigido por Herbert Ross), "O Dorminhoco" (1973), "A Última Noite de Bóris Gushenko" (1975), "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" (1977), "Interiores" (1978), "Manhattan" (1979), "A Era do Rádio" (1987), "Um Misterioso Assassinato em Manhattan" (1993).

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Mia Farrow em 'Neblina e Sombras' (1991)

Mia Farrow

Como Keaton, Farrow tinha bons papéis no currículo (especialmente a protagonista de "O Bebê de Rosemary", de Roman Polanski) antes de começar a trabalhar com Allen. Mas não há dúvidas de que o diretor foi seu principal parceiro: 13 filmes juntos em dez anos.

Um de seus papéis mais marcantes é a garçonete Cecilia, de "A Rosa Púrpura do Cairo", que se refugia no cinema para esquecer os problemas da vida e, um dia, vê o protagonista do filme sair da tela e se apaixonar por ela.

A dupla teve um relacionamento amoroso por 12 anos e se separou em 1992, em meio a um escândalo: Farrow descobriu que sua filha adotiva, Soon-Yi, tinha um affair com Allen (o casal, aliás, está junto até hoje). Durante a batalha judicial pela guarda dos filhos, a atriz acusou o diretor de ter abusado sexualmente de uma das crianças, Dylan, então com 7 anos. Ele negou as acusações e foi absolvido, mas perdeu o direito de ver a menina. Os filhos mais velhos cortaram relações e ainda não falam com Allen.

Filmes: "Sonhos Eróticos de Uma Noite de Verão" (1982), "Zelig" (1983), "Broadway Danny Rose" (1984), "A Rosa Púrpura do Cairo" (1985), "Hannah e Suas Irmãs" (1986), "A Era do Rádio" (1987), "Setembro" (1987), "A Outra" (1988), "Crimes e Pecados" (1989), "Contos de Nova York" (1989), "Simplesmente Alice" (1990), "Neblina e Sombras" (1992). "Maridos e Esposas" (1992).

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Dianne Wiest em 'Tiros na Broadway' (1994)

Dianne Wiest

Menos conhecida do que Keaton e Farrow, Wiest foi uma das atrizes que colaborou mais vezes (cinco filmes) e melhor com Allen.

Foi o papel da prostituta Emma em "A Rosa Púrpura do Cairo" que lançou a carreira de Wiest. Os dois Oscar que guarda em casa vieram de parcerias com Allen, e nos dois casos ao interpretar neuróticas atrizes de teatro - uma bem diferente da outra.

Em "Hannah e Suas Irmãs" ela é Holly, uma ansiosa e insegura aspirante que faz uma série de testes mas nunca consegue um papel realmente expressivo. Em "Tiros na Broadway", ela é Helen Sinclair, glamurosa estrela dos palcos que começa a ver sua carreira declinar.

Filmes: "A Rosa Púrpura do Cairo" (1985), "Hannah e Suas Irmãs" (1986), "A Era do Rádio" (1987), "Setembro" (1987), "Tiros na Broadway" (1994).

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Scarlett Johansson em 'Vicky Cristina Barcelona'

Scarlett Johansson

A parceria com Allen deu certo peso à carreira de Johansson, que recebeu elogios sobretudo pelo primeiro filme com o diretor, o drama "Ponto Final - Match Point".

Dos três longas que fizeram juntos até agora, este tem o papel mais marcante da atriz, que faz par com Jonathan Rhys-Meyers. Ele é um jovem ambicioso que se casa com uma jovem rica, mas vê seus planos ameaçados pela incontrolável atração que sente por Nola (Johansson), namorada de seu cunhado.

Allen contou ter filmado várias vezes a cena em que a atriz aparece pela primeira vez, na intenção de transmitir ao público o impacto que sentia ao olhar para ela. Johansson, por sua vez, é só elogios para o diretor. "Ele consegue explorar com profundidade a complexidade do espírito feminino", disse, ao NYT.

Filmes: "Ponto Final - Match Point" (2005), "Scoop - O Grande Furo" (2006), "Vicky Cristina Barcelona" (2008).

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Penélope Cruz em 'Para Roma Com Amor' (2012)

Penélope Cruz

A carreira de Cruz é mais associada ao diretor Pedro Almodóvar, mas foi a parceria com Allen que lhe rendeu o único Oscar da carreira até agora.

Coadjuvante em "Vicky Cristina Barcelona", ela roubou a cena como María Elena, a desequilibrada mulher do personagem interpretado por Javier Bardem (marido de Cruz na vida real). 

Sem entender espanhol, Allen deu ao casal total liberdade para improvisar e criar diálogos na língua, o que acabou rendendo algumas das cenas mais engraçadas do filme.

Cruz voltou a mostrar sua veia cômica no segundo trabalho com o diretor, "Para Roma Com Amor", no qual interpreta uma divertida prostituta que finge ser a mulher de um tímido jovem italiano.

Filmes: "Vicky Cristina Barcelona" (2008) e "Para Roma Com Amor" (2012).

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