Cate Blanchett brilha e Woody Allen volta à relevância em "Blue Jasmine"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Com filme sobre socialite que perdeu tudo, diretor troca magia das cidades europeias por dura crise nos EUA

Woody Allen voltou à boa forma? Todo ano o diretor norte-americano lança um novo filme e a cada novo filme a pergunta se repete. O mesmo deve acontecer com "Blue Jasmine", que estreia nesta sexta-feira (11) e ocupa lugar de destaque na produção do cineasta nos últimos dez anos.

Neste período, Allen fez dois dramas medianos ("Ponto Final - Match Point" e "O Sonho de Cassandra") e uma série de comédias com maior ("Meia-Noite em Paris", "Vicky Cristina Barcelona") e menor acerto ("Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos", "Para Roma Com Amor"). Os melhores filmes desta fase são inteligentes e principalmente divertidos, ainda que pouco memoráveis.

Imagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Blue Jasmine'. Foto: Divulgação

Mais do que uma volta à boa forma, "Blue Jasmine" marca o retorno de Allen à relevância: ao substituir as cartas de amor para cidades europeias por um trágicômico retrato da dura realidade econômica dos Estados Unidos, o diretor fez seu filme mais atual, contundente e bem-acabado em muitos anos.

Deu, ainda, um papel e tanto para Cate Blanchett, merecidamente favorita ao Oscar de melhor atriz pela brilhante atuação como Jasmine, mais uma boa personagem feminina do diretor.

Vemos Jasmine pela primeira vez no momento em que ela desembarca em São Francisco com roupas elegantes e malas Louis Vitton, últimos resquícios da vida que levava até então. A construção da personagem e da história se dá aos poucos, conforme Allen interrompe a ação presente com bem encaixados flashbacks que expõem a rápida derrocada de Jasmine, do topo do mundo ao fundo do poço.

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Nas cenas do passado ela está linda, impecável, preocupada com pouco além de compras, festas e a mansão na luxuosa Park Avenue, em Nova York. Enquanto isso, o marido milionário, Hal (Alec Baldwin), mantém casos extraconjugais e comete todo tipo de trambique com o dinheiro dos outros, no melhor estilo Bernard Madoff.

Quando os crimes de Hal são descobertos e ele é preso, Jasmine perde o dinheiro, a casa, a família e a sanidade mental. Começa a falar sozinha, tem crises de falta de ar, vive a base de comprimidos e se vê obrigada a mudar para São Francisco e morar de favor no apartamento da meia-irmã, Ginger (Sally Hawkins), uma atendente de supermercado que perdeu nas mãos de Hal uma pequena fortuna e a chance de mudar de vida.

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Imagem do filme 'Blue Jasmine'

Jasmine está disposta a recomeçar, mas não esconde o desprezo por tudo aquilo, do apartamento ao namorado da irmã, Chili (Bobby Cannavale). Ela quer convencer Ginger a sonhar mais alto, mas não tem muito a que se agarrar. Viveu às custas do marido, não estudou, não trabalhou, não fez nada por si mesma.

Um outro diretor talvez transformasse "Blue Jasmine" em um filme-lição, na história de uma mulher que, sem nada, refez a relação com a irmã que renegava e aprendeu a valorizar as pequenas coisas. Allen toma o caminho mais interessante ao manter Jasmine exatamente como era - arrogante, mesquinha, autocentrada - e mostrá-la cada vez mais perturbada pela culpa e pela solidão.

É uma personagem cheia de nuances e não por acaso Blanchett muda muito, até fisicamente, conforme passado e presente se alternam na tela. Em uma cena ela é esnobe, imponente e poderosa, na outra é frágil, tem os olhos chorosos e as mãos trêmulas. Para a atriz, era grande o risco de ficar antipática demais ou de cair no "overacting" diante de uma personagem tão perturbada e cheia de tiques. Passou pelas duas provas, com louvor.

O elenco de apoio também é excelente, em especial Baldwin, Hawkins, Cannavale e ainda Andrew Dice Clay e Louis C.K., que interpretam outros namorados de Ginger. Todos funcionam como alívio cômico para uma história triste - o que significa que, sim, há humor em "Blue Jasmine". Mas um humor mais ácido do que fofo, mais real do que bonitinho.

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