"Um Toque de Pecado" revela violência por trás do crescimento chinês

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Longa de Jia Zhang-Ke é um dos destaques da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Em filmes como "O Mundo" e "Em Busca da Vida", o diretor Jia Zhang-Ke mostrou o outro lado do tão comentado crescimento econômico chinês: desigualdade social, desconstrução e desumanização das cidades, solidão dos moradores.

"Um Toque de Pecado", que é destaque da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo deste ano, segue nesta linha, mas mostra uma China mais brutal, em que pessoas oprimidas e sem perspectivas se veem forçadas a recorrer à violência.

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Imagem do filme 'Um Toque de Pecado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Um Toque de Pecado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Um Toque de Pecado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Um Toque de Pecado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Um Toque de Pecado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Um Toque de Pecado'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Um Toque de Pecado'. Foto: Divulgação

O longa é dividido em quatro histórias, todas inspiradas em casos reais noticiados pela imprensa e que aconteceram em áreas distintas da China. Outras tragédias recentes pontuam o filme, como quando um acidente de trem - algo frequente no país - é mostrado na televisão.

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No primeiro e melhor segmento, Jian Wu interpreta Dahai, funcionário de uma mina de carvão que se revolta contra a concentração dos lucros nas mãos do administrador e das autoridades locais, enquanto a população do vilarejo, a maioria migrante, fica na pobreza.

Outra boa história é estrelada por Zhao Tao, mulher do diretor e atriz de vários de seus filmes. Em "Um Toque de Pecado" ela é Xiao Yu, recepcionista de uma sauna que sofre com o assédio dos clientes que a veem como prostituta e com o fato de o namorado não se divorciar da mulher.

Divulgação
Imagem do filme 'Um Toque de Pecado'

As outras duas partes são menos bem resolvidas, sobre um homem sem trabalho fixo que tem paixão por armas de fogo e nenhum receio em usá-las; e um jovem que, após se envolver em um acidente de trabalho em uma fábrica, faz vários "bicos" até chegar em um bordel.

Juntas, as histórias constroem uma sociedade marcada por ambientes urbanos opressores, humilhações e atos ilícitos, na qual uma forte raiva social se acumula e parece prestes a explodir. A violência não aparece o tempo todo, mas em rompantes bem posicionados e até tragicômicos, que aceleram o ritmo lento típico dos longas de Jia Zhang-Ke.

O diretor, que desde "O Mundo" trabalha livremente na China e surpreendentemente poderá mostrar "Um Toque de Pecado" no país, mais uma vez propõe reflexões interessantes. Fica a sensação, porém, de que poderia ter ido mais fundo se tivesse escolhido apenas uma história para contar. 

"Um Toque de Pecado" na Mostra 2013
30/10 (quarta), 21h30, no Cinesesc
31/10 (quinta), 14h, no Cine Sabesp

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