Filmado em plano-sequência, "Ana Arabia" mostra Amos Gitai em boa forma

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Longa do diretor israelense é destaque da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Figurinha carimbada da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o cineasta israelense Amos Gitai está de volta ao festival com "Ana Arabia", um belo drama de 81 minutos filmado em plano-sequência, ou seja, sem cortes.

Foram dez gravações até que Gitai se sentisse satisfeito com o filme, que retrata uma tarde na vida de uma pequena comunidade na região entre Jaffa e Bat Yam, em Israel. No local, abandonado e cheio de casas em ruínas, judeus e árabes convivem pacificamente.

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Imagem do filme 'Ana Arabia'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Ana Arabia'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Ana Arabia'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Ana Arabia'. Foto: Divulgação

Como o espectador, também a protagonista visita o enclave pela primeira vez. Ela é Yael (Yuval Scharf), uma jovem jornalista que pretende escrever uma reportagem sobre o local. Seu foco é Siam, uma sobrevivente do Holocausto que se mudou para Israel, se converteu ao Islã e se casou com um muçulmano, passando a ser conhecida como Ana Arabia.

Como Siam está morta, Yael conta com relatos de familiares para refazer sua trajetória. Durante a visita ela conhece o viúvo, Yousseff (Yussuf Abu-Warda), os filhos Miriam (Sarah Adler) e Walid (Shady Srour) e a nora de Siam, Sarah (Assi Levy), também marcada por um casamento multicutural - que não deu certo.

Divulgação
O cineasta israelense Amos Gitai

A comunidade funciona como um retrato em miniatura, e otimista, do que o Oriente Médio poderia ser se o conflito de décadas chegasse a uma resolução.

Claramente fascinada pelo lugar, Yael faz poucas perguntas, deixando que os personagens contem suas próprias histórias e, aos poucos, deem informações sobre Siam e o dia a dia no enclave.

O enredo se constrói aos poucos, conforme a jornalista passa pelos diferentes ambiente e conversa com os moradores. Ao mesmo tempo em que impressiona pela ausência de cortes, este constante movimento também tira certa força do filme, que não se detém por muito tempo em um só personagem, diálogo ou reflexão.

"Ana Arabia" não é tão marcante quanto "Free Zone" ou "Aproximação", para citar dois longas recentes de Gitai exibidos pelo festival, mas mostra um cineasta em boa forma e totalmente no controle de seu filme.

"Ana Arabia" na Mostra 2013
30/10/2013 (quarta), 14h, no Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca
31/10/2013 (quinta), 19h, no Cinusp

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