"Grand Central" usa romance para discutir energia nuclear na França

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Filme de Rebecca Zlotowski é estrelado por duas jovens estrelas do cinema francês: Tahar Rahim e Léa Seydoux

Uma ameaça invisível paira sob os personagens de "Grand Central", filme dirigido pela francesa Rebecca Zlotowski que estreia nesta sexta-feira (24) em São Paulo. 

Exibido no Festival de Cannes e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o longa conta com a bem-vinda presença de Tahar Rahim, um dos grandes jovens talentos do cinema francês que chamou a atenção no ótimo "O Profeta" (2009), e Léa Seydoux, em alta após o sucesso de "Azul é a Cor Mais Quente".

Imagem do filme 'Grand Central'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Grand Central'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Grand Central'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Grand Central'. Foto: Divulgação

Em mais uma boa atuação, Rahim é Gary, um jovem francês de ascendência africana que parece esquecido pela sociedade. "Ninguém nunca lembra o meu rosto", ele diz, "mas eu lembro o rosto de todos."

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Com poucos anos de estudo, nenhum conhecimento de língua estrangeira e baixa qualificação, Gary tem de aceitar um emprego pouco desejável em uma usina nuclear francesa.

O trabalho é arriscado e obriga que todos os funcionários - muitos deles jovens "esquecidos" como Gary - sigam rígidas normas de segurança, se comuniquem com precisão e carreguem no peito um medidor de radioatividade. Se este apitar, a dose de radiação recebida foi alta demais.

Divulgação
Imagem do filme 'Grand Central'

Enquanto permanece nos corredores da fábrica, "Grand Central" é um filme envolvente e tenso. Como os funcionários da fábrica, também o espectador teme cada sinalização do medidor de radioativade e se põe em estado de alerta quando o alarme da usina começa a soar - quanto mais vezes, mais grave o acidente.

Da metade para o fim, porém, o filme perde força e ritmo conforme Zlotowski introduz um romance entre Gary e Karole (Seydoux), mulher de outro trabalhador da usina, Toni (Denis Ménochet). O casal até convence, mas a química não resiste à série de clichês.

Não era preciso inserir o romance para que gostássemos e nos preocupássemos com Gary, um personagem que parece muito real e atual - um símbolo dos efeitos da crise europeia na juventude da França, o país mais dependente de energia nuclear no mundo.

Veja o trailer de "Grand Central":


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