Michael Fassbender interpreta advogado dúbio em "O Conselheiro do Crime"

Por Reuters |

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Brad Pitt, Javier Bardem, Cameron Diaz e Penélope Cruz também estão no elenco do filme de Ridley Scott

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"O Conselheiro do Crime", novo filme de Ridley Scott, a partir de um roteiro do premiado escritor norte-americano Cormac McCarthy, é um filme que mais esconde do que mostra. O personagem-título, interpretado pelo ator alemão Michael Fassbender, não tem nome próprio, sendo chamado de apenas de "Doutor". Sabemos muito pouco sobre o seu passado e mesmo seu presente - o que exatamente ele faz no esquema de tráfico de drogas que assessora?

Depreendem-se informações aqui e ali, mas tudo é mistério, exceto a ambição que move os personagens. Reiner (Javier Bardem) é um chefão do tráfico, acompanhado de sua mulher, Malkina (Cameron Diaz), que tem como animais de estimação uma dupla de guepardos. É para deixar bem claro: são um casal de predadores. E, no fundo, é ela quem tem o poder ali.

Imagem do filme 'O Conselheiro do Crime'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Conselheiro do Crime'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Conselheiro do Crime'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Conselheiro do Crime'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Conselheiro do Crime'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Conselheiro do Crime'. Foto: Divulgação

Malkina e Laura (Penélope Cruz) são duas pontas que polarizam os personagens masculinos - são a alegria, a perdição e a sina deles. Laura é a noiva do Conselheiro, o advogado sem nome interpretado por Michael Fassbender, que, aos poucos, se consolidou como um dos melhores atores de sua geração, tendo no currículo filmes como "Shame" e "Bastardos Inglórios". Será que Laura sabe de onde vem a fortuna de seu futuro marido? Conhece os tipos de riscos que os dois correm?

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"O Conselheiro do Crime" é, no fundo, um impiedoso estudo de personagens. Há uma trama sobre um carregamento de drogas atravessando a fronteira entre México e EUA, mas isso é um detalhe que entra na história para amarrar um mergulho nos bastidores dos vários escalões do tráfico - aqueles no topo, que ficam com o lucro, enquanto a esfera inferior se esfola nos muitos perigos dessa atividade e paga o preço imposto pelos inimigos. A cadeia de poder começa a ser destruída de baixo para cima.

O mistério também se faz presente no personagem de Brad Pitt, Westray. Quem é esse sujeito todo engomadinho e ricaço? Qual é a dele? O que importa é que ele tem informações que podem ajudar ao Conselheiro. Mas de qual lado ele joga? Mocinho ou bandido? É nesse terreno pantanoso que caminham os personagens, um campo das incertezas onde qualquer gesto mais brusco pode causar danos irreversíveis.

Divulgação
Imagem do filme 'O Conselheiro do Crime'

Ridley Scott - que vem de "Prometeus" e "Robin Hood" - faz um filme que poderia ter saído das mãos de Oliver Stone - especialmente por estabelecer um diálogo com a mais recente obra daquele diretor, "Selvagens" (2012). Ambos investigam o tráfico pelas beiradas, colocando as figuras centrais desse negócio na periferia do enredo.

É um esquema de molde capitalista, portanto, bastante rentável, e assim abre espaço a uma investigação sobre a exploração de países pobres pelos ricos. O contraste dos cenários entre México e EUA é gritante. Os tons de cores do filme são o sintoma disso.

Autor de romances adaptados para o cinema, como "Onde os Velhos Não Têm Vez" (cuja versão cinematográfica no Brasil recebeu o título "Onde os Fracos Não Têm Vez") e "A Estrada", Cormac McCarthy aventura-se por um terreno que ele mesmo já assumiu desconhecer: os personagens femininos.

As ações do filme surgem do embate tácito entre Malinka e Laura - são elas que agem, enquanto os homens, sem se dar conta, apenas reagem. Este é um ambiente povoado por pessoas imperfeitas - que agem mais pelas paixões e instintos do que pela razão, e nesse jogo acabam perdendo a cabeça. Alguns deles, literalmente.

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