"Os Suspeitos" combina suspense e dilema moral de personagens

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Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal estrelam filme que investiga a essência do mal

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"Os Suspeitos" (não confundir com o filme homônimo de Bryan Singer, com Kevin Spacey) é um filme avesso a sutilezas, seja nas suas reviravoltas ou na raiva visceral de Hugh Jackman. O diretor, Denis Villeneuve ("Incêndios"), e o roteirista, Aaron Guzikowski ("Contrabando"), não poupam emoção, a começar pelo tema: o sequestro de duas crianças e a jornada de um pai em busca do paradeiro de sua filha.

Trata-se de um filme que investiga o mal, em sua essência e implicações morais. Pode um homem de bem (para usar uma expressão tão comum a ponto de esvaziar seu significado) fazer coisas horríveis? E, ao fazê-las, ele deixa de ser um homem de bem, mesmo que sejam supostamente justificáveis?

Imagem do filme 'Os Suspeitos'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Os Suspeitos'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Os Suspeitos'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Os Suspeitos'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Os Suspeitos'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Os Suspeitos'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Os Suspeitos'. Foto: Divulgação

Jackman interpreta Keller, cuja filha pequena Anna desaparece ao lado da coleguinha Joy, num dia de Ação de Graças, quando saem para brincar.

O primeiro suspeito é Alex (Paul Dano), rapaz que parece ter problemas mentais e dificuldades em se expressar. Ele é apenas a primeira pista para tentar descobrir o paradeiro das meninas. Um detetive de polícia, Loki (Jake Gyllenhaal), entra no caso. A investigação não leva a nada e Alex é libertado.

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Começa aí um dilema moral, para personagens e público. Disposto a arrancar qualquer informação de Alex, Keller o prende numa casa velha, para torturar o rapaz e conseguir alguma pista. Ele pede ajuda a Franklin (Terrence Howard), o pai da outra menina sequestrada. Se Keller não hesita nas implicações de tal ato, o outro homem sempre se sente mal por usar esses métodos.

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Imagem do filme 'Os Suspeitos'

O mundo onde a trama se desenrola é povoado por almas perdidas, cobertas por um frio gélido e tons de cinza e marrom -da bela fotografia de Roger Deakins ("007: Operação Skyfall").

Leia também: "É preciso arriscar quebrar a cara", diz Hugh Jackman

Grace (Maria Bello), por exemplo, não consegue sequer sair da cama depois do sumiço da filha Anna. Holly Jones (Melissa Leo) cuida do sobrinho Alex e acredita na inocência dele, mas parece não ficar tão abalada com o sumiço do rapaz.

Os personagens são pessoas tementes a Deus. Keller, numa caça, na primeira cena do filme, reza antes de mandar o filho matar o animal. São pessoas que em si encerram as contradições do ser humano.

Como em "Incêndios", o canadense Villeneuve acumula reviravoltas e um final-surpresa, que pode, no entanto, mostrar-se frustrante.

A longa duração de "Os Suspeitos" pulveriza um pouco seus efeitos ao criar excesso de situações, mesmo com a narrativa se concentrando no período de uma semana. O desespero dos personagens e da situação é forte o bastante. Por isso, em alguns momentos, a narrativa pediria por um pouco mais de sutileza.

Veja o trailer de "Os Suspeitos":


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