Procuradora de Norma Bengell: "Ela queria trabalhar, mas o corpo não respondia"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Atriz e diretora que marcou o cinema nacional morreu nesta quarta-feira, aos 78 anos

Os últimos cinco anos foram os mais difíceis da vida de Norma Bengell, cineasta e atriz brasileira que morreu nesta quarta-feira (9), aos 78 anos, vítima de problemas respiratórios decorrentes de um câncer de pulmão. A afirmação é de Luciene Marques, que morou com a artista nesse período e há cerca de três anos se tornou sua procuradora.

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O diagnóstico de câncer foi dado seis meses atrás, mas desde 2010 Bengell sofria por problemas de saúde causados por duas quedas em casa. Uma grave lesão na coluna fez com que a atriz, viúva e sem filhos, precisasse se movimentar com ajuda de uma cadeira de rodas.

"Ela dizia que o corpo não prestava, mas a cabeça funcionava a mil. Era isso que a deixava perturbada. Ela queria trabalhar, mas o corpo não respondia", afirmou Marques ao iG, acrescentando, porém, que Bengell não era uma pessoa triste. "Ela não ficava pensando no que passou."

Norma Bengell em cena de 'Os Cafajestes' (1962). Foto: DivulgaçãoNorma Bengell em 'Mafioso'. Foto: DivulgaçãoNorma Bengell em 'Noite Vazia'. Foto: DivulgaçãoNorma Bengell em 'Toma Lá, Dá Cá'. Foto: DivulgaçãoNorma Bengell em 'Toma Lá, Dá Cá'. Foto: DivulgaçãoMuito emocionada, Norma Bengell é homenageada no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2011. Foto: George MagaraiaMuito emocionada, Norma Bengell é homenageada no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2011. Foto: George Magaraia

Segundo Marques, a atriz decidiu torná-la sua procuradora porque os problemas de saúde a impediam de ir buscar no banco os R$ 2,9 mil depositados mensalmente pego governo, por ser anistiada política.

Marques disse ter conhecido Bengell por intermédio de uma amiga. "Sou paraibana e ela me deixou morar na casa dela no Rio de Janeiro de graça por um ano. Quando precisou de alguém, decidi retribuir", contou a procuradora, que disse ter abandonado o emprego em uma loja para auxiliar a atriz "Ninguém queria cuidar dela, porque não tinha como pagar."

Uma das maiores atrizes do cinema nacional na década de 1960, com filmes como "Os Cafajestes" e "O Pagador de Promessas" no currículo, Bengel se lançou na direção na década seguinte,

Divulgação/TV Globo
Norma Bengell morreu aos 78 anos

Em 1996, seu segundo longa-metragem, "O Guarani", lhe rendeu um processo judicial por suposto desvio do dinheiro público captado para a filmagem.

Em 2007, questionada pela revista "IstoÉ" sobre a prestação de contas do filme, ela respondeu:

"Não quero tocar nesse assunto que já me machucou demais. O filme passou no mundo todo, vendeu dez mil vídeos. Eu não devo nada a ninguém, são os ninguéns que devem muito a mim por terem tentado macular a imagem de uma mulher que trabalha."

Em junho do ano passado, a atriz e diretora contou ao programa "Domingo Espetacular", da Rede Record, que estava à beira da falência por causa de dívidas com a Receita Federal. "Eu tinha um advogado que me roubou, me lesou e ele não pagou o Imposto de Renda. Então, dez anos de Imposto de Renda, e eu não tenho pagar isso, não tenho como", afirmou.

Ao iG, a procuradora afirmou que os dois processos seguem em andamento e que há cerca de dois meses um juiz federal ouviu depoimento da atriz, que estava em sua casa, mas já com problemas de saúde.

Os custos do velório e da cremação, marcada para quinta-feira (10), devem ser arcados pela prefeitura, disse Marques. Segundo ela, o pedido às autoridades foi feito por uma amiga da atriz.

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