Caio Blat sobre confinamento para "Entre Nós": "Foi um processo terapêutico"

Por Nina Ramos , iG São Paulo |

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Em entrevista ao iG, ator fala sobre longa que está no Festival do Rio e a estreia na direção, prevista para 2014: "Tenho a maior realização com a história que a gente está fazendo no cinema brasileiro"

Caio Blat pisou no freio. O lema do ator, agora, é nadar contra a maré e fazer cada vez menos coisas ao mesmo tempo. Isso não significa, porém, ficar parado: prestes a estrear na direção, Blat é o principal destaque do longa "Entre Nós", que intega a competição oficial do Festival do Rio.

Com um café com leite nas mãos e sem sapatos nos pés - Blat os descalçou antes de começar o papo e depois cruzou as pernas -, o ator falou com exclusividade ao iG, durante o festival, sobre o longa dos diretores Paulo e Pedro Morelli, pai e filho na vida real, que precisavam de amigos de verdade para o elenco.

Paulo e Pedro Morelli com a atriz Carolina Dieckmann no set de 'Entre Nós'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Entre Nós'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Entre Nós'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Entre Nós'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Entre Nós'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Entre Nós'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Entre Nós'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Entre Nós'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Entre Nós'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Entre Nós'. Foto: Divulgação

Além de Blat, Maria Ribeiro (sua mulher), Paulo Vilhena (“somos amigos há 20 anos”), Carolina Dieckmann (“Maria e Carol são amigas de infância”), Julio Andrade, Martha Nowill e Lee Taylor estão no time escolhido a dedo.

“Isso virou um filme de amor de verdade. Esse é o material mais importante do filme”, disse Blat. “Era preciso ser um grupo coeso, porque passamos um tempo completamente confinados em um sítio na Serra da Mantiqueira. Esse grupo tinha de ser forte, com pessoas que se amavam, senão não daria certo. E foi isso que aconteceu."

A união dos atores também ajudou no dia a dia do confinamento, que durou cerca de duas semanas e foi realizado antes das filmagens.

“Foi um processo muito terapêutico. Ficamos 15 dias direto nesse sítio, morando na locação e ensaiando. E a gente ficou improvisando o tempo inteiro, dando sugestões para o Paulo e reescrevendo as situações do roteiro e encontrando os pontos mais dramáticos. Ao mesmo tempo, foi uma lua de mel e férias, porque depois que acabava o ensaio… Quer dizer, o ensaio não acabava nunca. A gente ia até de madrugada bebendo, cozinhando, conversando...”, declarou.

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Pôster do filme 'Entre Nós'

A ligação do grupo era essencial para tornar genuína a relação dos personagens na história, que se passa em duas fases e mostra uma turma de amigos que compartilha a paixão pela literatura. Em um primeiro momento (1992), eles enterram cartas com desejos e revelações para serem revelados apenas 10 anos depois. Mas o tal fim de semana de 2002 guarda mais mistérios e roupa suja do que eles poderiam imaginar.

Na conversa com o iG, Caio comentou sobre a construção da angústia de seu personagem, Felipe. “Acho um personagem bem difícil. Ele é um cara que já está no limite. Esse fim de semana que eles voltam para o local para desenterrar as cartas, ele sabe que toda a história dele, tudo o que ele construiu até ali está por um fio. É um filme de filigranas mesmo, de suspense, de tensão. Apesar de ter muita comédia, por trás existe um thriller psicológico muito forte que é conduzido pela tensão do personagem”, falou.

Parceria com Maria Ribeiro

Caio e Maria já tinham feito um casal no filme “Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos”, e voltar a dividir a telona com a mulher agora foi igualmente prazeroso, de acordo com o ator:

“Foi um puta prazer. Nesse filme foi legal nós não sermos um casal. Mostra o trabalho de cada um individualmente. E a participação da Maria foi muito além da função de atriz. Ela ganhou até um crédito por participação no roteiro. Ela reescreveu várias vezes os diálogos, colaborou com as cenas. Ela é um parceira sensacional, porque além de atriz é diretora, escritora. É um privilégio trabalhar com ela sempre”.

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Imagem do filme 'Entre Nós'

Além do budismo, nova paixão provinda da novela “Joia Rara”, da Globo, Blat também adquire equilíbrio do exercício chamado casamento. Há sete anos, Caio e Maria equacionam a relação de amor e dedicação.

“Eu sou mais relax, ela é bem mais pró-ativa. Ela faz um milhão de coisas ao mesmo tempo, e eu tenho feito cada vez menos coisas ao mesmo tempo. Mas é isso que é o fascinante do casamento. São as diferenças, os pontos de encontro, a admiração que um tem pelo outro. É um privilégio a Maria ter aceitado dividir a vida comigo”, disse.

Maturidade para dirigir

Assim que acabar “Joia Rara”, Caio quer voltar suas atenções para o próximo passo da carreira: a estreia na direção. O projeto já está caminhando, tem roteiro e até protagonista. “O roteiro está pronto, foi feito junto com o Hilton Lacerda. É uma adaptação de um romance do Cristovão Tezza chamado ‘Juliano Pavollini’, e a protagonista será a Cássia Kiss. Ganhamos um edital da RioFilme para desenvolver o roteiro. Agora estamos captando para rodar no ano que vem”, revelou.

O desejo de pular para o lado de lá da câmera não era antigo. Segundo Caio, tudo foi questão de tempo de estrada. “É uma coisa de amadurecimento mesmo, somado com a experiência que tenho com todos os filmes que já rodei e com os cineastas com quem já trabalhei. A gente vai formando um discurso próprio e chega uma hora que dá vontade de contar uma história do nosso jeito, uma história que a gente se identifica, que a gente acredita. Acho que isso é natural. Aconteceu com o Wagner (Moura), com o Selton (Mello), com o Marco Ricca, Lázaro Ramos… Todo mundo, uma hora, tem vontade de contar a própria história”, disse.

Leia também: Wagner Moura faz estreia internacional em "Elysium"

E sobre ultrapassar as fronteiras e tentar a experiência em Hollywood, assim como o amigo Wagner Moura, que estreou “Elysium” há poucas semanas?

“Não sei… Não é um objetivo que eu coloco na minha carreira, não. Eu tenho a maior realização com a história que a gente está fazendo no cinema brasileiro. Acho um privilégio poder fazer mais de um filme por ano, isso vai marcar uma época. Eu adoraria ter experiências internacionais, quem sabe. Adoraria filmar nos países vizinhos, apesar de ter a barreira da língua. Mas não está nos meus planos como um objetivo concreto. Acho incrível o que a Alice (Braga) e o Wagner conquistaram, eles arrebentam e merecem. Assim como o (Rodrigo) Santoro, que fez coisas importantíssimas. Eu acho legal para que isso atraia cada vez mais olhares para os atores brasileiros e para o cinema nacional”.

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