"É preciso tentar coisas novas e arriscar quebrar a cara", diz Hugh Jackman

Por Mariane Morisawa , de Zurique, especial para o iG |

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Ator está colecionando elogios por sua atuação em "Os Suspeitos", thriller dramático do diretor Denis Villeneuve

É um bom momento para Hugh Jackman. Em menos de um ano, ele concorreu ao Oscar pela primeira vez por “Os Miseráveis”, ajudou “Wolverine: Imortal” a arrecadar US$ 373 milhões no mundo todo e agora vem colecionando elogios por “Os Suspeitos”, de Denis Villeneuve.

Cena de "Os Suspeitos". Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Wolverine - Imortal' (2013). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Para Maiores' (2013). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Os Miseráveis' (2012). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Gigantes de Aço' (2011). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Butter' (2011). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Flor da Neve e o Leque Secreto' (2011). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'X-Men Origens: Wolverine' (2009). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Austrália' (2008). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Lista - Você Está Livre Hoje?' (2008). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Grande Truque' (2006). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Fonte da Vida' (2006). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Scoop - O Grande Furo' (2006). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'X-Men: O Confronto Final' (2006). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Van Helsing - O Caçador de Monstros'  (2004). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'X-Men 2' (2003). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Kate & Leopold' (2001). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'A Senha: Swordfish' (2001). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Alguém Como Você' (2001). Foto: DivulgaçãoImagem de 'X-Men: O Filme' (2000). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Paperback Hero' (1999). Foto: Divulgação

No thriller dramático, interpreta Keller Dover, que tem sua filha de seis anos abduzida no dia de Ação de Graças junto com uma amiguinha. Ele acha que o detetive Loki (Jake Gyllenhaal), sem filhos, não está se esforçando o bastante para recuperar a garotinha e resolve tomar uma atitude de consequências trágicas.

O filme, que estreia no Brasil na sexta-feira (18), foi exibido no Festival de Zurique, onde Jackman foi homenageado com o troféu Ícone de Ouro, um dia depois de receber um prêmio pelo conjunto da carreira em San Sebastián (na Espanha). Em mesa-redonda com a participação do iG, Hugh Jackman falou sobre “Os Suspeitos”:

iG: Keller é um cara sombrio. Você é do tipo de ator que permanece no personagem quando não está filmando?
Hugh Jackman: Eu não fico no personagem. Mas também não posso dizer que estava totalmente relaxado no fim do dia, é uma coisa estranha. Atuar é um grande privilégio, porque você vive vidas diferentes, entra em contato com emoções reais, mesmo que as situações não sejam reais, claro, e no fim do dia você está calmo, como se tivesse tomado um bom banho de banheira. Mas ao mesmo tempo, no dia seguinte você sabe que vai ter mais. Especialmente neste filme, foram 60 dias difíceis, a não ser os primeiros.

Divulgação
Hugh Jackman

iG: Por que quis fazer este filme?
Hugh Jackman: Adorei o roteiro, achei que era um thriller não convencional, que diverte, deixa ligado para você descobrir quem sequestrou as crianças. Mas também era ambicioso, emocionante, provocador, com coisas importantes a dizer sobre a natureza da violência. Fiz sete filmes como Wolverine, e as pessoas vão para assistir à violência. E é o que é, uma diversão. Mas a violência real é incômoda, é confusa, e os efeitos colaterais, enormes. Acho importante examinar isso.

iG: Esse é o tipo de personagem de que gosta?
Hugh Jackman: Eu adoro esse tipo de personagem, cheio de falhas. Ele lutou a vida toda. Seu pai cometeu suicídio em sua casa, quando ele era pequeno. Imagine como foi sua criação... Ele é um alcoólatra em recuperação, é alguém preparado para enfrentar qualquer tipo de catástrofe, que não acredita em nenhuma instituição ou em nenhuma pessoa. E a religião é tudo. Ele construiu tudo isso em volta para ser capaz de enfrentar esses demônios. É alguém que trabalhou duro todos os dias para se tornar a melhor versão de si mesmo. Em oito dias, tudo vai por água abaixo. E isso corta meu coração.

iG: O diretor Denis Villeneuve disse que você estava se sentindo um pouco aprisionado pelo mesmo tipo de papéis.
Hugh Jackman: Um pouco. No cinema, fora dos Estados Unidos, sou muito conhecido por Wolverine. As pessoas se esquecem que fiz um personagem sombrio no teatro ou fiz um gay num musical. Então eu não sinto que fiz uma só coisa, mas acredito que haja um certo perigo de ser percebido de uma única maneira pelo resto do mundo, como se só soubesse fazer um tipo de papel. E começava a ver essa imagem refletida nas ofertas que estava recebendo.

iG: Aprendeu alguma coisa neste filme?
Hugh Jackman: Sim. Acho que me preparo bastante, às vezes demais. E aqui trabalhei com Jake, que é muito instintivo e tal. E a verdade é que às vezes, atuando, você precisa simplesmente se abandonar.

iG: Você recebeu dois prêmios em uma semana.
Hugh Jackman: Sim, o que vai ser amanhã? (risos)

iG: Como isso muda a maneira como vê o passado e o futuro?
Hugh Jackman: Estava falando com minha mulher que talvez estejam me premiando como forma de me dizer: “Você pode parar, por favor? Chega!” (risos). Quando fazia testes, tinha essa superstição de nunca repetir o mesmo monólogo. Mas é uma bobagem, porque o que você fez seis meses atrás não é o mesmo de hoje, você muda e aprende. Tinha medo de voltar para trás. Minha atitude – e talvez venha do medo – é que você precisa continuar indo em frente, apesar de ser muito tentador voltar a uma zona de conforto. É preciso tentar coisas novas, arriscando-se a quebrar a cara. Veja a comédia “Para Maiores”! (risos)

iG: Mas em “Para Maiores” foram dois dias de trabalho.
Hugh Jackman: Sim, eu e Kate Winslet, com testículos saindo do meu pescoço. Não foi tão ruim! (risos)

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