Leandra Leal, Bruno Gagliasso e Danilo Gentili estão no longa que traz filão do "filme de cachorro" ao Brasil

Importar e saber combinar fórmulas hollywoodianas pouco exploradas pelo cinema nacional foi a grande sacada de "Mato Sem Cachorro", filme do diretor Pedro Amorim que estreia nesta sexta-feira (4).

Como na maior parte das comédias românticas da era moderna, o casal é formado por uma determinada jovem mulher que tenta, a todo custo, fazer o namorado crescer. Ela, no caso, é Zoé (Leandra Leal), criativa funcionária de uma rádio carioca. Ele é Deco (Bruno Gagliasso), um cara boa-praça que desperdiça o talento como produtor musical passando tardes inteiras no computador ou no videogame.

Os dois se conhecem quando Deco quase atropela um filhote de cachorro que sofre de uma rara doença conhecida como narcolepsia canina: sempre que fica animado, desmaia. Tal condição é fonte de grande parte das piadas, já que o longa traz para o Brasil o consagrado filão do "filme de cachorro" - ou "cãomédia", no infame trocadilho usado no trailer. Não por acaso, o animal foi trazido dos EUA para as filmagens, juntamente com seu tradutor.

Inicialmente, o casal e o cachorro, batizado de Guto, formam uma família feliz. Dois anos depois, cansada de tentar fazer o namorado levantar do sofá, Zoé termina a relação e fica com a guarda do animal. É só quando vê a ex com um novo amor que Deco finalmente toma uma atitude: sequestrar Guto com a ajuda do primo, Leléo (Danilo Gentili).

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Em "Mato Sem Cachorro", portanto, o casal principal começa junto, mas depois se separa, se enquadrando num subgênero da comédia romântica conhecido como "comedy of remarriage"- muito popular nos anos 1930 e 1940, mas pouco utilizado atualmente.

A opção de Amorim é bem-vinda, ainda que o romance entre Zoé e Deco seja menos interessante e engraçado do que a troca de farpas entre Deco e Leléo. Gagliasso é baixinho e carioca, Gentili é alto e paulista, e o contraste entre os atores - ambos estreantes no cinema - já funciona como piada.

Veja entrevista com Danilo Gentili e Pedro Amorim:

Por vezes parece que "Mato Sem Cachorro" tem ideias demais para um filme só - o casal, o cachorro, os primos, uma série de personagens secundários, uma competição musical. Piadas grosseiras também aparecem aqui e ali, geralmente quando o desfile de palavrões capitaneado por Gentili soa exagerado.

No fim, o filme se salva graças ao jeitão jovem e pop, presente na trilha sonora que inclui Wando e um mashup de Michel Teló com "Imagine"; na "cameo" de Sidney Magal; nas piadas que vão do desenho Caverna do Dragão ao ensaio nu da atriz Cláudia Ohana; e em um divertido falso viral que mostra a cantora Sandy totalmente bêbada, tentando se livrar do teste do bafômetro.

Há poucos elementos realmente originais em "Mato Sem Cachorro", mas o filme parece muito mais "fresh" que a imensa maioria das comédias nacionais.

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