Jayme Monjardim filma história épica nacional em "O Tempo e o Vento"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Longa com Fernanda Montenegro, Thiago Lacerda e Cleo Pires é adaptação da obra de Erico Verissimo

Orçamento de cerca de R$ 13 milhões, 130 atores, mais de 2 mil figurantes, uma cidade cenográfica de 10 mil metros quadrados erguida por 200 trabalhadores, 66 dias de filmagem e um roteiro com 27 versões diferentes.

Os números de "O Tempo e o Vento", superprodução de Jayme Monjardim que estreia nesta sexta-feira (27), são tão grandiosos quanto a história que pretende contar. Baseado em "O Continente", primeiro livro da trilogia de Erico Verissimo, o filme narra a rivalidade de 150 anos entre duas famílias do sul do País: os Amaral e os Terra-Cambará. 

Imagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Tempo e o Vento'. Foto: Divulgação

Ao adaptar a obra, Monjardim e a roteirista Letícia Wierzchowski (que trabalharam juntos na minissérie "A Casa das Sete Mulheres"), optaram por ancorar a história em Bibiana Terra-Cambará, interpretada na velhice por Fernanda Montenegro e na juventude por Marjorie Estiano.

É a voz de Montenegro que ecoa por todo o filme, enquanto Bibiana, centenária, narra a história da família ao receber a visita de seu grande amor, o capitão Rodrigo (Thiago Lacerda), morto cinquenta anos antes.

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A saga começa no romance proibido entre os avós de Bibiana - o índio Pedro Missioneiro (Martin Rodriguez) e a jovem camponesa Ana Terra (Cleo Pires) -, a primeira parte de uma história marcada por temas como honra, amor à terra, importância da família, além de paixões arrebatadoras. É um prato cheio para Monjardim, um fã de épicos que ficou conhecido por produções grandiosas na TV Globo e pelo dramático "Olga", seu último filme, lançado há quase dez anos.

O jeitão de minissérie dá as caras aqui e ali em "O Tempo e o Vento", sobretudo nos closes e no "fade out" que sugere como será a divisão de capítulos quando o filme for exibido na televisão no início do ano que vem.

Apesar disso, o longa é inegavelmente bem produzido, com evidente cuidado a figurinos, cenários e batalhas, além de uma fotografia belíssima do talentoso Afonso Beato, desta vez utilizando as modernas câmeras digitais F65. 

Divulgação
Afonso Beato Jayme Monjardim nas filmagens de 'O Tempo e o Vento'

Os pontos negativos vêm de um certo exagero que marca a obra de Monjardim, a começar pelo excesso de música incidental e narração, e que está revelado já na frase que estampa o pôster do filme, classificando o romance entre Bibiana e Rodrigo de "maior história de amor de todos os tempos".

Não é maior, por exemplo, do que a de Scarlett O'Hara e Rhett Butler de "E o Vento Levou...", uma produção que certamente serviu de inspiração para "O Tempo e o Vento". Falta ao longa nacional, principalmente, as cenas bem-humoradas e espirituosas do clássico hollywoodiano, importantes para aliviar o tom solene.

Neste sentido, o mais bem -sucedido é Lacerda, que por vezes derrapa no sotaque gaúcho (aparentemente opcional entre o elenco), mas aposta no charme e nas frases de efeito do capitão Rodrigo para criar empatia no público. É o bastante para se destacar em um filme com centenas de personagens que, em meio a tantos números e apesar de todos os esforços, parece mais bonito e bem feito do que emocionante.

Veja entrevista com Cleo Pires sobre "O Tempo e o Vento":



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