Ron Howard retrata F1 em "Rush": "Hoje o esporte é mais civilizado"

Por Mariane Morisawa , especial para o iG, de Los Angeles |

compartilhe

Tamanho do texto

Diretor fala ao iG sobre longa que retrata rivalidade entre Niki Lauda e James Hunt nos "anos loucos" da competição: "Era uma época de ouro"

Sexy não é uma palavra que normalmente se associa à obra do diretor norte-americano Ron Howard. E, no entanto, é a melhor descrição de “Rush – No Limite da Emoção”, que estreia nesta sexta-feira (13).

Mas talvez a palavra-chave para o sucesso da produção, que recria a temporada de 1976 de Fórmula 1, seja “internacional”. “Me senti seguro para fazer um filme europeu, internacional, porque havia pessoas que iam me apoiar e me impedir de passar vergonha”, disse o diretor, em entrevista ao iG.

Imagem de 'Rush - No Limite da Emoção'. Foto: DivulgaçãoImagem de 'Rush - No Limite da Emoção'. Foto: DivulgaçãoImagem de 'Rush - No Limite da Emoção'. Foto: DivulgaçãoImagem de 'Rush - No Limite da Emoção'. Foto: DivulgaçãoImagem de 'Rush - No Limite da Emoção'. Foto: DivulgaçãoImagem de 'Rush - No Limite da Emoção'. Foto: DivulgaçãoImagem de 'Rush - No Limite da Emoção'. Foto: DivulgaçãoImagem de 'Rush - No Limite da Emoção'. Foto: Divulgação

A Fórmula 1, afinal, é muito pouco popular em seu país de origem, os Estados Unidos. “Cinematograficamente, era uma grande oportunidade, porque precisava capturar o visual e a intensidade de maneira emocionante e conectada aos personagens, tão intrigantes”, completou Howard, vencedor do Oscar por “Uma Mente Brilhante” (2001).

O roteirista Peter Morgan acha que “Rush” tem uma mistura das sensibilidades norte-americana – nas cenas decorrida – e europeia – na recusa de ter um mocinho e um vilão.

Em 1976, o austríaco Niki Lauda (interpretado no filme por Daniel Brühl) era o campeão mundial de Fórmula 1 e mantinha uma saudável rivalidade com o inglês James Hunt (vivido por Chris Hemsworth). Os dois eram opostos: o austríaco, metódico, focado, direto ao ponto da grosseria, e o inglês, bon-vivant, divertido, mulherengo, popular.

Naquela temporada, Lauda sofreu um acidente gravíssimo em Nürburgring, que o deixou entre a vida e a morte e marcou para sempre seu rosto e seu crânio.

Era uma época arriscada para ser um piloto de Fórmula 1: entre 1970 e 1980, morria praticamente um por ano em Grandes Prêmios. Hoje, é bem diferente. Desde o acidente fatal de Ayrton Senna em 1994, nenhum corredor pereceu num Grande Prêmio.

Leia também: "Rush" narra rivalidade entre pilotos de Fórmula 1

Divulgação
Cena do filme 'Rush'

“As pessoas não morrem agora, o que é ótimo para elas e suas famílias, mas certamente isso alterou a atmosfera do esporte”, disse o roteirista Peter Morgan.

Howard completou: “Quando você extrai o risco de morte, muda o esporte, como as pessoas dirigem, o respeito que têm um pelo outro e o nível de intensidade das rivalidades. Mesmo que tenhamos de sentir que é um tempo melhor, mais seguro e mais civilizado, é preciso reconhecer que aquela era uma época de ouro”.

Siga o iG Cultura no Twitter

Se Chris Hemsworth teve de se despir do físico de Thor para viver James Hunt (e caber num carro de Fórmula 1), o alemão Daniel Brühl (de “Adeus, Lênin!”) teve uma tarefa consideravelmente mais complicada: conquistar Niki Lauda, que continua tão sem paciência para besteiras e tão pouco diplomático quanto antes.

Veja o trailer de "Rush - No Limite da Emoção":

O primeiro aguardado telefonema veio numa manhã bem cedo. “Alô, acho que a gente tem de se encontrar agora”, disse Lauda. “Traga apenas bagagem de mão para Viena, para o caso de a gente não gostar um do outro e aí você poder se mandar rapidinho.”

Brühl chegou em Viena com uma malinha pequena e morrendo de medo. Mas, depois de cinco minutos, o austríaco estava sorrindo. “Percebi que ele tinha gostado de mim. Foi um grande alívio, e aí tive de comprar roupas extras”, disse Brühl, que cresceu vendo o ex-piloto comentar as corridas na televisão.

No último dia de convivência na preparação, Lauda virou-se para o ator e falou: “Sabe o quê? Meio que gosto de você. Quer ir comigo para o Brasil para o Grande Prêmio? Eu piloto o avião”.

Em São Paulo, ele encontrou corredores de agora, como Sebastian Vettel, e das antigas, como o inglês Jackie Stewart e o brasileiro Nelson Piquet. “Foi interessante comparar os dois estilos: os do passado eram mais rock’n’roll, os de hoje são mais profissionais e focados.”

Segundo Howard, Lauda adorou o resultado final. “Ele ficou muito emocionado, porque há aspectos do acidente, da recuperação, da volta, até da personalidade, dos quais ele não se lembra”, disse. “Agora ele viu três vezes, então enxerga como fã. Pode ter alguma objetividade.”

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas