Wagner Moura sobre filme em Hollywood: "Só vou fazer outro quando achar legal"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Após "Elysium", primeiro trabalho nos EUA, ator diz não ter estratégia para seguir carreira internacional; leia entrevista

Quando deixou Salvador e começou a aparecer na televisão, há cerca de dez anos, o ator Wagner Moura percebeu que o público baiano fazia especial torcida pelo sucesso na carreira. Agora, ele sente que a história se repete no entusiasmo que cerca "Elysium", ficção científica que marca sua estreia em Hollywood.

"Sinto uma onda parecida, que acho boa e positiva. E eu, do meu lado, jamais faria um trabalho fora do Brasil que fosse ruim, pejorativo para o País", afirmou, em entrevista ao iG. "Não sei se é uma responsabilidade, mas acho que as pessoas que gostam de mim e do meu trabalho esperam que eu me posicione de forma digna no mundo do cinema internacional."

Veja também: Os cinco papéis mais marcantes de Wagner Moura

Imagem do filme 'Elysium'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Elysium'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Elysium'. Foto: DivulgaçãoMatt Damon em "Elysium". Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Elysium'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Elysium'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Elysium'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Elysium'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Elysium'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Elysium'. Foto: Divulgação

Moura, porém, não tem estratégia para seguir em frente em Hollywood ("Fellini Black And White", único outro projeto já encaminhado, atrasou por causa da morte do diretor Henry Bromell) e parece hesitar ao falar sobre carreira internacional.

"Não acho que estou indo para nada. Acho que fiz esse filme aí, que foi ótimo e adorei.", afirmou. "Agora posso fazer outro daqui a pouco ou daqui cinco, seis, sete anos. Só vou fazer outro quando achar que é legal, que vale a pena."

Elogios por "Elysium"

Dirigido pelo sul-africano Neil Blomkamp (de "Distrito 9"), "Elysium" arrecadou US$ 30,5 milhões (R$ 69 milhões) no fim de semana de estreia nos EUA e chega ao Brasil em 20 de setembro.

A trama se passa em 2154, quando a humanidade está dividida em duas classes: os ricos vivem em uma estação espacial chamada Elysium, enquanto os demais tentam sobreviver em uma Terra abandonada e superpovoada.

Leia também: NYT diz que Wagner Moura está "fantástico" em "Elysium"

Ex-presidiário e doente, Max da Costa (Damon) precisa se infiltrar no mundo dos ricos para salvar sua vida. Para isso, procura Spider (Moura), que transporta "ilegais" para a estação. O encontro resulta no início de uma missão que, se bem-sucedida, pode trazer igualdade aos dois mundos.

Além de Moura e Damon, o elenco também inclui a norte-americana Jodie Foster, o mexicano Diego Luna e a brasileira Alice Braga.

Thiago Duran/AgNews
O ator Wagner Moura na pré-estreia de 'Elysium' em São Paulo (09/09)

O desempenho de Moura foi elogiado por jornais norte-americanos como "The New York Times" ("fantástico"), "San Francisco Chronicle" ("uma performance rica, colorida"), "Star Tribune" ("brilhante") e pela revista "Variety", para quem o ator brasileiro "tem a grandiloquência ardente" do porto-riquenho Raul Julia, morto em 1994.

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Para Moura, os elogios foram um sinal de que as escolhas que fez para o papel foram corretas. "Fiquei feliz porque fiz este personagem de um jeito arriscado. Ele não precisava ser daquele jeito, ter o mesmo vigor, a mesma energia, falar daquele jeito, mancar. Acho que a ideia do Neil era um personagem mais cerebral, mais ardiloso", afirmou. "Ele ficou assustado, mas gostou."

O fato de "Elysium" falar sobre desigualdade social foi um atrativo para o ator, que diz gostar de política. "Acho 'torta na cara' maneiro e não me incomodo em fazer um filme só divertido. Mas é um grau a mais quando a coisa funciona também como pensamento."

Veja o trailer de "Elysium":

Questionado pelo iG sobre qual característica do sistema hollywoodiano traria para os sets brasileiros, Moura escolheu o maior profissionalismo. "Se você marca 9h, é 9h. O que você combinar, vai ter", explicou, apesar de achar difícil exigir o mesmo do cinema nacional dada a diferença "incomparável" de orçamentos. "Lá tudo tem. Precisa? Tem."

Sobre o que levaria do cinema brasileiro para Hollywood, ele optou pela capacidade de "se virar". "É como o jogador de futebol brasileiro que joga no campinho: quando joga no gramado, joga bem", afirmou. "Aqui tem essa coisa de botar fita crepe e fazer funcionar, tem uma onda de improviso. Não que eles sejam imbecis e não saibam fazer o mesmo. Mas ele não precisam."

Estreia na direção

Moura estará em dois filmes nacionais com previsão de estreia para este ano - "Serra Pelada", de Heitor Dhalia, e "Praia do Futuro", de Karim Aïnouz - e acaba de filmar "Trash", de Stephen Daldry, no Rio de Janeiro (o longa é uma coprodução da empresa brasileira 02).

No ano que vem, quer deixar a carreira de ator de lado para focar em sua estreia na direção, que será com um filme sobre o ex-deputado e guerrilheiro Carlos Marighella.

Moura diz que o fato de ser um ator "rodado" o fez abraçar o projeto, inicialmente convidado a apenas produzir. "Minha vontade de dirigir vem um pouco de já ter trabalhado com muita gente legal e me interessar pelo outro lado."

O ator diz que considerou assumir também o papel principal, mas desistiu: "Aí eu seria muito guloso."

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