Crise econômica da Europa ganha as telas do Festival de Veneza 2013

Por Reuters |

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Filmes como 'L'Intrepido', 'Miss Violence' e 'Sacro Gra' falam sobre pobreza e recessão

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Um filme italiano sobre um homem que assume trabalhos alheios, exibido nesta quarta-feira (4) no Festival de Veneza, mostrou um lado mais ameno da crise econômica europeia, mas outras atrações da mostra carregam consigo um tom mais sombrio.

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"L'Intrepido", de Gianni Amelio, com o humorista Antonio Albanese vivendo um desempregado que ganha a vida substituindo extraoficialmente as pessoas em seus empregos  -como pedreiro ou condutor de bonde, por exemplo -, garante algumas gargalhadas e também uma boa dose de reflexão.

Getty Images
O diretor de 'L'Intrepido', Gianni Amelio, no Festival de Veneza

Já o grego "Miss Violence" mostra pessoas que tiveram as vidas arruinadas pela pobreza e por suas causas imediatas, como violência e desespero emocional. Outro italiano, o documentário "Sacro Gra", mostra a vida em áreas carentes fora do anel viário romano.

Alberto Barbera, diretor artístico do festival, disse que os curadores ficaram impressionados com a quantidade de filmes sombrios inscritos neste ano. "Os cineastas decidiram encarar o fato de que estamos vivendo um tipo de crise de todos os valores da nossa civilização", disse ele à Reuters.

"Não é só uma questão de crise financeira, é o fato de que perdemos um sistema de valores que manteve nossas sociedades vivas até agora, e já não o temos mais."

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Divulgação
Nicolas Cage em cena de 'Joe'

Os reflexos da crise não se limitam à Europa. "Joe", ambientado no sul dos Estados Unidos, mostra um ex-detento (Nicolas Cage) tentando criar um menino num ambiente de pobreza e violência.

Jay Weissberg, crítico da publicação setorial Variety, disse que é notável a presença em Veneza de filmes que falam da pobreza, mas que é surpreendente que esse tema não seja ainda mais prevalente.

"Acho que os filmes gregos estão pelo menos obliquamente lidando com a crise de uma forma que a maioria das outras indústrias nacionais não lida", disse ele à Reuters.

"É porque os estúdios acham que ninguém quer ver (a pobreza), porque (o público) quer escapar disso no cinema, ou o quê? Não tenho a resposta."

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