Filme "Círculo de Fogo" exibe monstros e robôs com a marca de Guillermo del Toro

Por Mariane Morisawa , especial para o iG, de San Francisco |

compartilhe

Tamanho do texto

"Tudo tem de passar por mim", diz o cineasta ao iG; longa estreia no Brasil nesta sexta-feira; leia entrevistas

Não, não é o novo “Transformers”. “Círculo de Fogo” até tem robôs (e monstros), mas também uma alma: Guillermo del Toro, o diretor de “O Labirinto do Fauno”. Ainda que não seja uma criação sua – o projeto foi apresentado a ele pela produtora Legendary, a partir de um roteiro de Travis Beacham –, o mexicano deu um jeito de colocar seu próprio chili na história.

Imagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: Divulgação

Numa mesa-redonda em San Francisco, uma das cidades atacadas pelos Kaiju (os monstros) no filme, ele faz uma cara divertida e diz “Chuta!” quando um jornalista pergunta quão pessoal é a produção.

“Tudo tem de passar por mim”, explica. “Deixe-me ser mais claro: os Kaiju e os robôs foram desenhados na minha garagem. Havia oito mesas, tranquei os artistas lá. Travis ficava no cômodo ao lado. E almoçávamos todos juntos.”

Getty Images
O cineasta Guillermo Del Toro

Na história, os Kaijus, gigantescos (mesmo) monstros alienígenas, brotam do fundo do Pacífico para aterrorizar as cidades banhadas pelo oceano, como Sydney, São Francisco e Hong Kong.

Siga o iG Cultura no Twitter

Kaijus são figuras saídas diretamente do cinema pop japonês, como “Godzilla”. Para combatê-los, os humanos criam robôs igualmente gigantescos, chamados Jaegers, sempre sob o comando de dois pilotos, que precisam estar em comunhão cerebral (um tem acesso a todas as emoções, memórias e pensamentos do outro).

Logo no início da história, Raleigh (Charlie Hunnam, da série “Sons of Anarchy”) perde o irmão e parceiro (Diego Klattenhoff), mas, quando o comandante Stacker Pentecost (Idris Elba, da série “Luther”) precisa de alguém muito capaz para pilotar o Jaeger Gipsy Danger, vai buscar o rapaz no fim do mundo. Mal sabe ele que a companheira ideal para Raleigh é sua queridinha Mako (Rinko Kikuchi).

Leia mais: Del Toro retoma monstros japoneses em "Círculo de Fogo"

Os toques de humor vêm dos personagens de Ron Perlman (como um comerciante que vende partes de Kaiju mortos), Charlie Day e Burn Gorman (como dois cientistas meio malucos que tentam achar uma maneira de livrar a Terra dos monstros).

Os atores tiveram de passar por um treinamento físico pesado para encarnar seus papéis. Em algumas versões do roteiro, a ação começava com Raleigh fazendo academia. “E sempre digo que Brad Pitt, aquele bastardo, ferrou para todo mundo depois de ‘Clube da Luta’, porque a expectativa quando você tira a camisa é completamente absurda!”, diz o inglês Hunnam, que, aliás, lembra bem o astro quando jovem.

O processo de seleção para o papel foi dos mais fáceis, segundo o ator. “Por causa da amizade de Guillermo com Ron Perlman, ele começou a assistir a ‘Sons of Anarchy’ e a me mandar mensagens. Um dia, me ligou do nada, me chamou para sua casa, explicou o filme e perguntou se eu queria fazer.” A resposta foi “sim, por favor!”.

Rinko Kikuchi foi selecionada de maneira um pouco similar. A atriz japonesa tinha trabalhado com o mexicano Alejandro González-Inãrritu em “Babel” – ele, Guillermo Del Toro e Alfonso Cuarón são tão amigos que um dá palpite no filme do outro. Ela pediu a Iñarritu para colocá-la em contato com seu compatriota.

“Queria muito este papel e estava tão nervosa quando encontrei Guillermo que ele me levou para tomar sorvete”, conta. Nos sets, quando ela perdia a concentração, o diretor cantava a música-tema de “Meu Vizinho Totoro”.

Claro que não faltam efeitos especiais muito elaborados, a cargo a Industrial Light & Magic, a partir daqueles desenhos feitos na casa do cineasta. Mas Del Toro também incrementou tudo com cenários reais, o que explica o orçamento astronômico estimado em US$ 190 milhões (e o provável baixo retorno financeiro da produção). A impressionante cena de flashback de Mako quando criança, por exemplo, foi feita em cima de plataformas que tremiam a cada passo dos monstros e robôs. “Queria muito brincar com as proporções o tempo todo, então tem esse Kaiju gigantesco contraposto a um sapatinho de menina”, explicou.

É a melhor sequência de “Círculo de Fogo”, uma daquelas que ficam na memória dos cinéfilos mesmo que se trate de uma produção divertida sobre robôs lutando contra monstros. Mas é essa, afinal, a diferença entre “Círculo de Fogo” e tantos outros filmes-pipoca da estação: um cineasta de verdade no comando. Sobre o sucesso ou fracasso, Del Toro jura não pensar.

“Só posso entregar o meu melhor. Minha carreira, seja boa, má, feia, não me importa, sempre foi nos meus termos”, diz. “Minha responsabilidade é fiscal: eles me dão dinheiro, tento fazer com que pareça que gastamos o dobro e entrego o filme dentro do orçamento e do cronograma. Mas eu só posso pensar em mim mesmo, fazer o que eu gosto de fazer. A maior responsabilidade é com você mesmo, porque são três anos trabalhando num filme desses. E para mim valeu a pena.”

Leia tudo sobre: círculo de fogoguillermo del torocinema

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas