"Círculo de Fogo" aposta no visual para mostrar batalha entre monstros e robôs

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Guillermo del Toro se apoia na estética do videogame, mas não surpreende como em "O Labirinto do Fauno"

Desde que surpreendeu público e crítica com as criaturas e o universo fantástico de "O Labirinto Do Fauno", o mexicano Guillermo del Toro se firmou como um dos cineastas mais imaginativos de Hollywood. Embora os filmes seguintes não tenham alcançado o mesmo sucesso, a criatividade visual continuou sendo marca de seu trabalho como diretor e produtor, como na série "Hellboy" e no terror psicológico "O Orfanato".

Em "Círculo de Fogo", que estreia nesta sexta-feira (9), o mundo de fantasia de Del Toro atinge proporção bem maior. Desta vez, o diretor usa a tecnologia digital para opor monstros e robôs gigantes em um filme com muitos efeitos, muitas batalhas e muito barulho.

Imagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Círculo de Fogo'. Foto: Divulgação

A trama criada por Del Toro em parceria com o roteirista Travis Beacham é complexa, e talvez por isso a dupla tenha tomado a questionável decisão de iniciar o filme com uma longa e didática narração sobre o contexto em que a história se desenvolve. O estranhamento é quase imediato: por que falar e explicar o que poderia ser mostrado? 

Pela narração, somos informados de que a Terra foi invadida por criaturas gigantes conhecidas como Kaiju ("animal incomum" em japonês). Parecidos com dinossauros, esses monstros saíram do mar, mais especificamente de uma "fenda" no Oceano Pacífico, dispostos a acabar com a humanidade.

Em resposta, a comunidade internacional uniu suas forças para criar seus próprios monstros: os Jaegers, enormes robôs pilotados por militares que se conectam por meio de uma ponte neural, sendo capazes de acessar a mente, a memória e as sensações um do outro.

Após um período de vitórias, os Jaegers começaram a ser vencidos pelos Kaijus e perderam força política. É só aí que Del Toro de fato começa a história: quando o marechal Stacker Pentecost (Idris Elba) decide usar os últimos cinco Jaegers em uma batalha final contra os Kaijus no Pacífico.

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O ator Idris Elba em cena de 'Círculo de Fogo'

O robô norte-americano Gipsy Danger fica a cargo de dois pilotos traumatizados por ataques dos Kaijus: Raleigh Becket (o pouco expressivo Charlie Hunnam), que perdeu o irmão, e Mako Mori (Rinko Kikuchi), órfã desde a infância.

Sem astros no elenco, Del Toro aposta alto nos efeitos visuais e na estética de videogame, com os robôs lançando armas ao comando dos pilotos (canhão de plasma! espada! foguete!). O grande número de cenas noturnas e chuvosas resulta em um filme escuro, o que valoriza os detalhes coloridos, quase neon, das máquinas e monstros.

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O visual, sem dúvida, chama a atenção, e a gosma fluorescente que sai pela boca de um Kaiju é de um colorido tão vibrante quanto o vômito amarelo do sapo de "O Labirinto do Fauno". Mas enquanto as criaturas do filme que deu fama a Del Toro enchiam a tela do cinema, as de "Círculo de Fogo" apenas impressionam - não deslumbram. 

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Imagem do filme 'O Labirinto do Fauno'

É curioso pensar que, mesmo estrelado por uma criança, "O Labirinto do Fauno" parece um filme muito mais adulto, em parte graças ao maior cuidado dispensado à construção de personagens. A forma esquemática com que os traumas de Raleigh e Mako são apresentados torna fácil adivinhar o que vem pela frente - quais dificuldades enfrentarão e o que vai aproximá-los. 

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O marechal Pentecost é o que chega mais perto de um personagem bem desenvolvido, sobretudo por causa do talento do ator Idris Elba. Mas "Círculo de Fogo" não tem tempo para mostrar quem é aquele homem. Além das batalhas e efeitos, é preciso oferecer ao público um pouco de tudo o que ele supostamente quer: artes marciais, humor, romance e mais de uma cena do galã sem camisa - um agrado, presumo, às meninas que acompanharem os namorados ao cinema.

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Atores, ambientação e referências à cultura asiática garantem o apelo no mercado internacional, considerado fundamental para os blockbusters hollywoodianos recentes. O sucesso de "Círculo de Fogo" na China (US$ 45 milhões ou R$ 103,9 milhões no fim de semana de estreia) pode compensar o desempenho abaixo do esperado nos Estados Unidos, onde arrecadou menos da metade do orçamento de cerca de US$ 200 milhões (R$ 461,7 milhões).

É um filme ruim? Não. Mas está longe de oferecer respiro e novidade em uma temporada de blockbusters pouco inspiradores.

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