Glória Pires faz papel gay no cinema: "Filme mostra duas pessoas que se amam"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Atriz relata experiência de interpretar em inglês em "Flores Raras", que retrata o romance real entre poeta norte-americana e empresária brasileira

Dezoito anos se passaram desde que a produtora Lucy Barreto comprou os direitos para levar ao cinema a história de amor entre a poeta norte-americana Elizabeth Bishop e a empresária brasileira Lota de Macedo Soares.

Após tanto tempo de espera, a atriz Glória Pires acha curioso o fato de a estreia de "Flores Raras", marcada para 16 de agosto, acontecer no momento em que os direitos homossexuais são discutidos como nunca no Brasil.

Opinião: Gloria Pires faz papel gay com naturalidade de atriz de verdade

"Acho que o filme é um advogado não da causa, mas do bom senso, do respeito à natureza humana", afirmou, em entrevista ao iG. "'Flores Raras' mostra de forma simples, até prosaica, a vida de duas pessoas do mesmo sexo que se amam. Não tem nenhum escândalo, nada fantasioso, nenhuma loucura. É uma vida normal, comum, com altos e baixos como a de qualquer um."

Imagem do filme 'Flores Raras'. Foto: Lisa Graham/DivulgaçãoImagem do filme 'Flores Raras'. Foto: Lisa Graham/DivulgaçãoCenas do filme “Flores Raras”, com Glória Pires e Miranda Otto . Foto: DivulgaçãoCenas do filme “Flores Raras”, com Glória Pires e Miranda Otto . Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Flores Raras'. Foto: Lisa Graham/DivulgaçãoImagem do filme 'Flores Raras'. Foto: Lisa Graham/DivulgaçãoCenas do filme “Flores Raras”, com Glória Pires e Miranda Otto . Foto: DivulgaçãoCenas do filme “Flores Raras”, com Glória Pires e Miranda Otto . Foto: DivulgaçãoCenas do filme “Flores Raras”, com Glória Pires e Miranda Otto . Foto: Divulgação

Pires, que considera Lota o papel mais ousado da carreira, teve de enfrentar uma série de desafios para interpretá-la, entre eles as cenas de sexo com a atriz australiana Miranda Otto, que vive Bishop.

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"(Cenas de sexo) são sempre desconfortáveis porque não são duas pessoas (no set), são dez. Mas quando percebo que há um retorno (do outro ator), fica mais fácil. E a história não poderia ser contada sem aquelas cenas", afirmou.

Mais difícil foi atuar em inglês - não só acertar a pronúncia, mas entender falas e expressões idiomáticas. Para isso, Pires contou com a ajuda de uma professora, com quem fazia treinamentos todos os dias no próprio set, enquanto se preparava para as cenas.

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A atriz, que morou nos Estados Unidos por um ano, diz que sempre gostou da língua. Quando pequena, lia dicionários sozinha e, depois, se matriculou em um curso. "Mas pensar em outro idioma requer um pouco mais de tempo mergulhada nele", explicou.

Manuela Scarpa e Cláudio Augusto/Foto Rio News
A atriz Glória Pires

Pires também se dedicou à pesquisa sobre Lota, por considerar que o cuidado deve ser maior em relação a um personagem real. "Um crítico disse que estou caricata e machona demais (no filme). Mas a Lota era assim, desculpa."

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Prestes a completar 50 anos (faz aniversário em 23 de agosto), Pires avalia que os bons papéis na televisão e no cinema mais "caíram no colo" do que foram conquistados.

A atriz diz ter ido atrás de apenas um papel: Ana Terra, na minissérie "O Tempo e o Vento" (1985) - ainda assim, apenas porque sabia que o diretor Paulo José já considerava seu nome.

"Há alguns anos um repórter me perguntou como uma atriz de 40 e poucos anos trabalhava tanto, qual era meu segredo. E eu respondi: 'Amigos'", contou, rindo. "Tenho amigos que gostam de mim e me chamam para trabalhar."

Para Pires, os "presentes" da vida profissional foram tantos e desde tão cedo que, muitas vezes, ela não teve "estofo" suficiente para eles. "Estou feliz por estar mais madura, disponível e preparada para os personagens."

Veja o trailer de "Flores Raras":


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