Johnny Depp, como índio, é a melhor atração de "O Cavaleiro Solitário"

Por Reuters |

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Novo longa de Gore Verbinski custa a decolar, mas desenvolve-se em um aventura tecnicamente bem realizada, com boa atuação da dupla de protagonistas

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Mais uma vez, Johnny Depp salva o dia. Como em "Piratas do Caribe" (qualquer um da franquia), o ator se torna a razão de ser de "O Cavaleiro Solitário", que, embora uma aventura bem intencionada, oferece apenas um pouco mais além do carisma e bom humor de Depp e infindáveis cenas de perseguição.

Armie Hammer e Johnny Depp em 'O Cavaleiro Solitário'. Foto: DivulgaçãoJohnny Depp como o índio Tonto em 'O Cavaleiro Solitário'. Foto: Divulgação'O Cavaleiro Solitário'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme "O Cavaleiro Solitário". Foto: DivulgaçãoImagem do filme "O Cavaleiro Solitário". Foto: DivulgaçãoImagem do filme "O Cavaleiro Solitário". Foto: DivulgaçãoImagem do filme "O Cavaleiro Solitário". Foto: DivulgaçãoImagem do filme "O Cavaleiro Solitário". Foto: DivulgaçãoImagem do filme "O Cavaleiro Solitário". Foto: DivulgaçãoImagem do filme "O Cavaleiro Solitário". Foto: Divulgação

Baseado no famoso personagem criado por George Washington Trendle, cujo aparecimento data da década de 1930, no rádio, o longa conta as origens dessa figura, que aqui é interpretado por Armie Hammer ("Espelho, Espelho Meu"). O longa estreia em cópias legendadas e dubladas.

Diretor dos três primeiros "Piratas do Caribe", Gore Verbinski assume a franquia em potencial, apresentando o Cavaleiro Solitário (Armie Hammer), rapaz formado em direito que é obrigado a deixar os bons modos e a oratória de lado, ao descobrir uma conspiração criminosa por trás da construção de ferrovias, da exploração da prata e contra os nativos americanos.

A trama é emoldurada pelo personagem de Depp, um índio chamado Tonto, que está empalhado em exposição num museu em San Francisco, na década de 1930. Já envelhecido, ele ganha vida e começa a contar a um garotinho a história do Cavaleiro.

Portando uma máscara negra, o Cavaleiro Solitário é facilmente confundido com Zorro - tanto que no Brasil, por um tempo levou esse nome - mas é um tanto diferente. Ele é um Ranger, uma espécie de xerife do Texas, que jura vingar a morte do irmão (James Badge Dale) e descobre uma conspiração por trás de seu assassinato.

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No fundo, trata-se da história da transformação de um rapaz, que, originalmente se chama John, num homem feito, ao deixar de lado seus conhecimentos apenas acadêmicos e enfrentar o mundo real. Nada mais do que um filme sobre os bons e velhos ritos de passagem.

Tonto, por outro lado, é um personagem mais complexo devido às implicações morais que recaem sobre ele. Supostamente um traidor de sua tribo, ele se torna o escudeiro improvável de John, ao mesmo tempo que tenta provar sua inocência.

Ele transita entre o estereótipo do Bom Selvagem e um nativo que tenta afirmar a sua identidade num momento em que está sufocada, e seu povo sendo satanizado e dizimado. Os toques de humor ajudam, mas em momento algum escondem a real natureza do personagem, no fundo, um rebelde lutando por sua causa.

A ação custa um pouco a decolar, no começo, mas quando isso acontece, desenrola-se uma aventura tecnicamente muito bem-feita, às vezes meio rocambolesca, sem que isso se torne propriamente um problema. Pois o objetivo aqui são as cenas de perseguição, a correria e, claro, a sensacional trilha sonora com trechos da ópera "Guilherme Tell", de Rossini, a música-tema do seriado da televisão.

Depp é engraçado, mas também sabe exatamente do que está falando. Armie, por sua vez, tem o charme e o carisma de que o personagem necessita. Um pequeno porém está na duração. É como se fossem dois filmes em um: as origens do Cavaleiro Solitário mais uma primeira aventura. Explica-se de onde ele vem e porque luta, mas só não se explica porque ainda é chamado de solitário se tem Tonto como companheiro.


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