Filme faz releitura original da "Branca de Neve" com estética do cinema mudo

Por Natasha Madov , iG São Paulo |

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Em preto e branco, longa do espanhol Pablo Berger aproxima a história do conto de fadas para a vida real

Em uma recente passagem por São Paulo, o diretor espanhol Pablo Berger contou que teve a inspiração para seu novo filme a partir de uma fotografia antiga, que mostrava um grupo de anões vestidos como toureiros - onde estaria e quem seria a Branca de Neve deles?

A partir dessa ideia e de uma vontade de homenagear o cinema dos anos 1920, Berger construiu um filme que ao mesmo tempo relê e subverte tanto a tradicional história dos Irmãos Grimm quanto a tradição dos filmes mudos.

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Cena do filme 'Branca de Neve', de Pablo Berger. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Branca de Neve', de Pablo Berger. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Branca de Neve', de Pablo Berger. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Branca de Neve', de Pablo Berger. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Branca de Neve', de Pablo Berger. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Branca de Neve', de Pablo Berger. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Branca de Neve', de Pablo Berger. Foto: DivulgaçãoCena do filme 'Branca de Neve', de Pablo Berger. Foto: Divulgação

Como no francês "O Artista", não há diálogos falados em "Branca de Neve". O filme ganhou 10 estatuetas no Goya (o Oscar do cinema espanhol) deste ano, incluindo melhor filme, melhor roteiro e melhor atriz, para Maribel Verdú, que faz a madrasta.

Diferentemente de tentativas recentes de modernizar os contos de fadas, como "Branca de Neve e o Caçador", "Hansel e Gretel: Caçadores de Bruxas" e "Jack: O Caçador de Gigantes", Berger conseguiu reforçar a essência da história da história de rivalidade da menina e sua madrasta malvada, justamente ao afastá-la da fantasia e colocá-la em um contexto bem definido.

Aqui, Branca de Neve chama-se Carmen (interpretada por Macarena García), a filha de uma dançarina de flamenco e um toureiro, na Sevilha dos anos 1920. A mãe morreu durante o parto, antecipado por testemunhar o acidente de seu marido durante uma tourada.

Tetraplégico e deprimido, o pai não se interessa pela menina, até que a morte da avó a faz viver com ele e sua nova esposa, a fútil ex-enfermeira Encarna. Pouco interessada em dividir a fortuna do marido com sua filha, a madrasta trata Carmen como uma empregada e mais tarde vai tentar se livrar dela.

A história segue paralelos claros com a história dos Grimm, mas também empresta de outros contos de fadas, como "Cinderela" e "Bela Adormecida". Ao mesmo tempo, Carmen conta com ajuda, mas faz seu próprio caminho no mundo, para bem e para mal. Com isso, Berger traz o conto de fadas para um mundo sem reinos distantes, fadas madrinhas, príncipes encantados ou finais felizes, justamente como a vida real. E com isso, o deixa muito mais verdadeiro.


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