Diretor português reflete sobre a passagem do tempo no original "Tabu"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Premiado filme de Miguel Gomes tem poucos diálogos e belas imagens em preto e branco

A imagem em preto e branco mostra um explorador europeu que caminha por um país da África. Desolado por uma frustração amorosa, ele se lança em um rio e é devorado por um crocodilo. Uma narração conta que, tempos depois, muitos juravam ter visto uma linda mulher e um crocodilo triste juntos, à beira d'água.

Esse misterioso prólogo abre "Tabu", premiado longa do diretor português Miguel Gomes que estreia nesta sexta-feira (28) em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ambicioso e visualmente impecável, o filme (uma coprodução Portugal, Alemanha, França e Brasil) é do tipo que pede paciência ao público, com narrativa e estética pouco convencionais.

Imagem do filme 'Tabu'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Tabu'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Tabu'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Tabu'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Tabu'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Tabu'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Tabu'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Tabu'. Foto: Divulgação

Ao prólogo se segue "Paraíso Perdido", o primeiro segmento de "Tabu", filmado em preto e branco e em 35 mm. Pilar (a ótima Teresa Madruga) é uma mulher católica de meia-idade que vive na Portugal dos dias atuais.

Solitária, ela se ocupa dos problemas dos outros: é ativista dos direitos humanos e cuida da vizinha, a idosa Aurora (Laura Soveral), que vive sob os cuidados da empregada negra, Santa (Isabel Cardoso).

Divulgação
Imagem do filme 'Tabu'

A morte de Aurora revela a Pilar e Santa um segredo sobre seu passado. Passa-se então para o segundo segmento, "Paraíso", ambientado na Moçambique de 50 anos antes, às vésperas da Guerra Colonial Portuguesa.

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Então uma bela jovem, Aurora (Ana Moreira) é uma rica fazendeira rodeada de empregados negros - numa relação que ecoa a que teria, anos depois, com Santa. Casada, ela vive um amor proibido com Ventura (Carloto Costa) na qual um crocodilo como o do prólogo tem papel crucial.

A segunda parte da história também é mostrada em preto e branco, mas Gomes optou por filmar em 16 mm, dando uma textura diferente às imagens e fazendo com que "Paraíso" pareça um filme antigo sobre a história de Aurora.

Nesta parte, não há diálogos, apenas uma narração que em vários momentos é suspensa e deixa "Tabu" sem som (o título do longa é o mesmo de um filme mudo de 1931 dirigido por  F. W. Murnau).

Para o espectador que vencer o estranhamento e se deixar levar pela experiência, a recompensa são belas imagens e uma inteligente e melancólica história sobre o amor, a passagem do tempo e as marcas do período colonial na história de Portugal.

Veja o trailer de "Tabu":


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