Almodóvar volta à comédia escrachada em "Os Amantes Passageiros"

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Filme mostra tripulação que tem de lidar com passagerios de um avião com problemas técnicos

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O bom e velho Almodóvar está de volta. Aquele Almodóvar anárquico, politicamente incorreto, que expressa o coração de uma Espanha que não se parece em nada com o daquele país que se endividou para sentar na janelinha do Airbus europeu e hoje amarga os resultados de uma profunda crise econômica.

Cena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: DivulgaçãoCena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: DivulgaçãoCena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: DivulgaçãoCena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: DivulgaçãoCena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: DivulgaçãoCena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: DivulgaçãoCena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: DivulgaçãoCena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: DivulgaçãoCena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: DivulgaçãoCena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: DivulgaçãoCena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: DivulgaçãoCena de 'Os Amantes Passageiros', de Pedro Almodóvar. Foto: Divulgação

Quem esperou para ver um trabalho autoral do diretor espanhol, que já tem dois Oscars na prateleira (de melhor filme estrangeiro, por "Tudo sobre Minha Mãe", e de roteiro original, por "Fale com Ela"), pode até se decepcionar com "Os Amantes Passageiros".

Leia mais: Almodóvar aborda sexo e morte em entrevista

Pedro Almodóvar está apenas interessado em divertir a plateia com uma comédia absurda, de puro besteirol e que lembra muito seus primeiros trabalhos, como "Pepi, Luci, Bom e outras Garotas de Montão", "Labirinto de Paixões" e "Maus Hábitos".

Getty Images
Pedro Almodóvar e Antonio Banderas

O diretor, agora cult e sofisticado, parece ter dado um tempo nos trabalhos mais "sérios" e redespertado seu alter ego da "movida" madrilenha. Como se nos alertasse: "Continuo o mesmo".

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É preciso estar de mal com o mundo para não dar boas risadas com a louca tripulação de um avião que deixa a Espanha com destino ao México e, no meio do caminho, tem de mudar os planos de vôo, pois descobre que o trem de aterrissagem não funciona.

O motivo do problema vai aparecer logo nas primeiras cenas, com uma ponta afetiva de Antonio Banderas e Penélope Cruz. Mas como contar a situação de emergência para os passageiros sem causar pânico a bordo? A tática escolhida é que vai permitir que apenas alguns personagens fiquem em evidência.

A solução é muito original e não pode ser revelada sob pena de estragar a surpresa.

O que pode ser dito é que jamais houve uma tripulação e passageiros tão bizarros como os que estão a bordo dessa companhia fictícia, incluindo uma mulher de meia-idade ainda virgem (Lola Dueñas) com poderes paranormais, um matador de aluguel (José Maria Yazpik) e a dona de uma rede de bordéis frequentada pelo alto escalão da política espanhola (Cecilia Roth).

Ainda, um casal de namorados em êxtase sexual (Laya Martí e Miguel Ángel Silvestre) e um astro de novelas mulherengo (Guillermo Toledo) que acabou de abandonar a namorada (Paz Vega), a qual está prestes a cometer suicídio. Sem contar o piloto (Antonio de la Torre) e o co-piloto (Benito Morón) e seus imbróglios sexuais.

Três comissários, gays afetadíssimos (Javier Cámara, Carlos Areces e Raúl Arévalo), aproveitam a confusão a bordo para servir bebidas e drogas à tripulação e à primeira classe, além de distraí-los com um impagável número musical, usando a canção "I'm So Excited", das Pointer Sisters.

Segredos conjugais e traições são revelados e colocam tripulação e passageiros em uma cumplicidade completamente absurda. Só nos resta soltar o cinto (isso mesmo!) e embarcar nesse vôo anárquico típico do universo almodovariano.

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