"Star Trek - Além da Escuridão" tem vilão terrorista sofisticado

Por Mariane Morisawa , especial para o iG |

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Diretor J.J. Abrams e ator Zachary Quinto falam ao iG sobre o novo filme da franquia de ficção científica

Quando J.J. Abrams, então conhecido como o criador de “Lost” e o diretor de um único longa-metragem para o cinema, “Missão: Impossível 3”, assumiu a franquia “Star Trek”, uma tarefa gigantesca se impunha: o último filme da série, “Jornada na Estrelas: Nêmesis”, tinha faturado pífios US$ 67,3 milhões no mundo inteiro. Mas ele conseguiu: “Star Trek”, lançado em 2009, arrecadou um total de US$ 385,6 milhões.

Crítica: "Star Trek - Além da Escuridão" investe em ação na luta contra terrorismo

Naquele filme, o diretor reunia a famosa tripulação da Enterprise pela primeira vez, com os jovens Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto) à frente. O vilão, Nemo (Eric Bana), era um brutalhão. Em “Star Trek - Além da Escuridão”, que estreia nesta sexta (14), é diferente. O misterioso John Harrison (Benedict Cumberbatch, da série inglesa “Sherlock”) é um vilão sofisticado, que prefere a manipulação à força bruta – não que ele hesite em usá-la se necessário.

Cena de 'Star Trek: Além da Escuridão'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Star Trek: Além da Escuridão'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Star Trek: Além da Escuridão'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Star Trek: Além da Escuridão'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Star Trek: Além da Escuridão'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Star Trek: Além da Escuridão'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Star Trek: Além da Escuridão'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Star Trek: Além da Escuridão'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Star Trek: Além da Escuridão'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Star Trek: Além da Escuridão'. Foto: DivulgaçãoCena de 'Star Trek: Além da Escuridão'. Foto: Divulgação

“Eu o descrevo como um terrorista. Ele tem uma intenção legítima, mas suas ações são horríveis”, disse o ator durante entrevista em Los Angeles.

Segundo J.J. Abrams, o medo tinha de vir da realidade – e, realmente, semanas antes da estreia nos Estados Unidos, aconteceram os atentados em Boston, por moradores do país.

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“Há um histórico desse tipo de filme de lidar com as coisas que são vitais no momento. Gene Roddenberry, o criador da série, falava de raça, sexo, guerra nos anos 1960”, afirmou J.J. Abrams. “Este filme é uma grande peça de entretenimento, mas temos uma audiência sofisticada, não dá para ter um vilão que torce o bigode. Nem sempre o ‘eles’ está num lugar diferente. Muitas vezes, o ‘eles’ está entre nós.”

Getty Images
O cineasta J.J. Abrams

Abrams já admitiu várias vezes que não era fã da série, ao contrário de “Star Wars”, outra franquia que ele pegou para si recentemente e que deve gerar nova produção em 2015 – por causa disso, um terceiro “Star Trek”, se acontecer, vai ser apenas produzido por ele. Por conta disso, seu objetivo era um só: contar uma história que você ama se não for fã de “Star Trek” e ama se for fã. “‘Além da Escuridão’ não pressupõe que você tenha visto o primeiro filme, não pressupõe que você se preocupa com os personagens. Nem que gosta deles ou os compreende.”

Se a série original era comedida em termos de ação – até por falta de recursos financeiros –, elas não faltam na nova franquia. Em “Além da Escuridão”, os personagens passam por vários lugares diferentes, de um planeta primitivo a um vulcão em atividade, da Enterprise à Londres do futuro, fora um planeta Klingon.

“É muito maior, a jornada de Spock é muito maior, e foi assim com todos os personagens”, disse o ator Zachary Quinto. “Há muito mais um sentido de urgência, de todo o mundo ser necessário o tempo inteiro.” O ator contou um pouquinho mais em entrevista da qual participou o iG.

Pergunta: Sentiram-se mais acostumados uns com os outros desta vez?
Zachary Quinto: Realmente é um grupo ótimo de pessoas. Nós gostamos de estar juntos, de trabalhar juntos. Acho que todos nos superamos neste filme, que tem uma escala maior e exigiu mais de todos nós. No primeiro “Star Trek”, você conhecia todos os personagens, agora você vê o que eles estão dispostos a arriscar e sacrificar uns pelos outros. E quanto um depende do outro e confia no outro. Esse é um dos fundamentos desta franquia, que estava muito à frente do seu tempo quando Gene Roddenberry a criou, em 1966.

Pergunta: Há menos pressão agora com o segundo?
Zachary Quinto: Engraçado, na última entrevista perguntaram se sentimos mais pressão (risos). Nosso objetivo é fazer o melhor trabalho possível, e a produtora e a equipe tornam tudo incrivelmente fácil e nos empurra para essa direção. A pressão está fora do nosso controle. A resposta do público não é nossa área.

Pergunta: Entendem toda essa paixão por "Star Trek"? Já estiveram nessa posição em relação a alguma coisa?
Zachary Quinto: Claro! Nunca fui apaixonado por nada dessa maneira, mas entendo. Era obcecado por Jodie Foster em “Nell” (risos).

Pergunta: O que o motiva a estar em Hollywood, além de dinheiro?
Zachary Quinto: Todos os membros desse elenco me parecem interessados em diversidade, em buscar oportunidades além dos filmes de estúdio e de grande orçamento. Tenho uma produtora e produzi quatro ou cinco filmes. Tenho interesse em teatro. Quero fazer bons trabalhos com boas pessoas. E quando olho para as experiências que tive, me chama mais a atenção as pessoas com quem trabalhei do que os projetos em si. Tive muita sorte, especialmente nos últimos seis anos, de trabalhar com gente que está fazendo trabalhos interessantes, mas também com integridade. São boas pessoas. E isso é tão importante para mim quanto todas essas outras coisas.

Pergunta: J.J. parece ter muita energia, sempre fazendo mil coisas. É difícil acompanhá-lo?
Zachary Quinto: O bacana de participar desta franquia especificamente é que, se você vai às origens, com Gene Roddenbery, o que eles estavam tentando fazer em 1965 era impossível em termos de recursos. Então trabalhar com alguém que entende isso e tem a habilidade de fazer e ainda a integridade é a parte mais bacana.

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