"Odeio o Dia dos Namorados" importa tática de Hollywood para cinema nacional

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Pensada especialmente para a data e com elementos sobrenaturais, comédia de Roberto Santucci com Heloísa Périssé repete clichês

O diretor Roberto Santucci e o roteirista Paulo Cursino levaram mais de 10 milhões de espectadores ao cinema com "Até Que a Sorte Nos Separe" e dois filmes da série "De Pernas Pro Ar". Com "Odeio o Dia dos Namorados", que estreia nesta sexta-feira (7), devem repetir o feito, buscando inspiração em dois filões consagrados de Hollywood.

O primeiro é o filme pensado para uma data específica do calendário, aposta dos estúdios norte-americanos para impulsionar a venda de ingressos logo na estreia. Para agradar tanto as mulheres quanto os homens no Dia dos Namorados, a comédia romântica incorpora elementos sobrenaturais e efeitos especiais, importando a fórmula do espírito que volta para a Terra para mostrar "o filme da vida" ao protagonista.

Vídeo: Danielle Winits fala sobre 'Odeio o Dia dos Namorados'

Imagem do filme 'Odeio o Dia dos Namorados'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Odeio o Dia dos Namorados'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Odeio o Dia dos Namorados'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Odeio o Dia dos Namorados'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Odeio o Dia dos Namorados'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Odeio o Dia dos Namorados'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Odeio o Dia dos Namorados'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Odeio o Dia dos Namorados'. Foto: Divulgação

Oficialmente, a inspiração é "Um Conto de Natal", de Charles Dickens. Na prática, ecoa as dezenas de filmes hollywoodianos que usam a mesma ideia. Alguns são bem-sucedidos, como o clássico "A Felicidade Não se Compra", de Frank Capra, mas a maioria não vai além da repetição, como "Minhas Adoráveis Ex-Namoradas", estrelado por Matthew McConaughey.

O clima de "já vi esse filme" é tão grande em "Odeio o Dia dos Namorados" que até o título já pertence a outro longa, estrelado por Nia Vardalos. Neste não há fantasmas, mas a protagonista tem o mesmo perfil da Débora vivida por Heloísa Périssé: uma mulher que, com medo de se envolver, prefere manter apenas relacionamentos casuais.

Divulgação
A dupla Paulo Cursino e Roberto Santucci

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A diferença é que, enquanto a personagem de Vardalos é meiga e romântica, a de Périssé é uma intragável publicitária odiada por todos.

Débora tem uma missão difícil: criar uma campanha de Dia dos Namorados para uma marca de chocolate (em uma das várias inserções de merchandising, que também incluem de fabricante de celular a loja de sapatos). Para piorar, o cliente é Heitor (Daniel Boaventura), um ex que dispensou sem dó após um pedido de casamento público.

Tensa, ela sofre um acidente de carro e, enquanto voa pela Ponte Estaiada, em São Paulo, recebe a visita do espírito do amigo Gilberto (Marcelo Saback). Na tentativa de amolecer o coração de Débora, ele a leva ao passado e ao futuro, para que entenda o que fez com que se tornasse tão dura e contemple o que acontecerá se sobreviver e não mudar de atitude.

Não é preciso muito esforço para saber o que vai acontecer no final de "Odeio o Dia dos Namorados", um filme previsível que busca em efeitos especiais quase sempre toscos um diferencial que não existe.

Sobram, porém, personagens clichês como a mulher com medo de relacionamento, o melhor amigo gay, a delegada durona, o fortão que chora e o herói romântico, todos enfileirados para passar uma mensagem tão criativa quanto: “A vida é o que a gente faz dela”.

Assista ao trailer de "Odeio o Dia dos Namorados":


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