"Depois da Terra" traz Will e Jaden Smith em ficção científica previsível

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Com enredo convencional, filme de M. Night Shyamalan narra história de pai e filho distantes que se aproximam durante luta para sobreviver

M. Night Shyamalan é conhecido como o diretor da reviravolta no final. A de "O Sexto Sentido" deu certo e o alçou ao status de possível sucessor de Alfred Hitchcock. As que vieram a seguir, em filmes como "A Vila" e "A Dama na Água", rapidamente transformaram a promessa em decepção.

"Depois da Terra", ficção científica que estreia nesta sexta-feira (7), é a sua mais recente tentativa de mudar de estilo e sair da má fase, após o desastroso "O Último Mestre do Ar". Com roteiro e direção de Shyamalan, o longa partiu de uma ideia do ator Will Smith e não tem reviravolta. Muito pelo contrário: o enredo é tão previsível que logo nas primeiras cenas já se arrisca um palpite sobre o final.

Leia também: A mudança de estilo de M. Night Shyamalan

Imagem do filme 'Depois da Terra'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Depois da Terra'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Depois da Terra'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Depois da Terra'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Depois da Terra'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Depois da Terra'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Depois da Terra'. Foto: Divulgação

A trama começa com flashes de cenas que serão desenvolvidas depois, numa espécie de videoclipe que explica, de forma excessivamente didática, que o filme se passa mil anos depois de uma série de cataclismas ter obrigado os seres humanos a trocar a Terra por um local chamado Nova Prime.

A paz é mantida pelos Rangers, membros de uma organização militar chefiada pelo general Cypher Raige (Will Smith), um homem duro e dedicado que passa longos períodos longe da família. O filho (Jaden Smith), Kitai, faz de tudo para se igualar ao pai, mas o desempenho brilhante em sala de aula não compensa a má atuação quando vai a campo.

Getty Images
Will e Jaden Smith, pai e filho na vida real e na ficção

Por sugestão da mulher e na tentativa de criar uma aproximação, Cypher leva o menino em uma catastrófica missão que acaba num pouso de emergência na Terra, do qual apenas os dois sobrevivem. Como o general está gravemente ferido, cabe a Kitai percorrer o perigoso território em busca de um sinalizador de emergência.

Siga o iG Cultura no Twitter

Guiado pelo pai, com quem se comunica por dispositivos eletrônicos, ele enfrenta macacos, parasitas, baixas temperaturas e outros obstáculos naturais, sempre sob a ameaça de uma poderosa criatura chamada ursa, que localiza suas presas através de feromônios relacionados ao medo. Aqueles desprovidos do sentimento - como Cypher - são chamados de "fantasmas", pois tornam-se invisíveis ao ser alienígena.

Tire as especificações futurísticas e o que resta em "Depois da Terra" é uma história convencional sobre pai e filho marcados por um trauma familiar, que acertam contas e ficam mais próximos durante uma situação extrema.

Smith foi acusado de usar o longa para fazer propaganda da cientologia (com a qual tem relações, mas diz não ser membro), dada a similaridade entre partes do enredo e conceitos da doutrina de L. Ron Hubbard. Artigos dedicados a tal comparação também ligaram o vulcão que aparece em cena crucial do filme à capa de um dos livros do autor.

Pode ser. Mas "Depois da Terra" parece ser principalmente uma tentativa de Smith de impulsionar a carreira do filho, Jaden, com quem atuou no drama "Em Busca da Felicidade". A decisão de transformar Kitai, e não Cypher, em estrela do filme é arriscada porque o jovem ator, embora esforçado, não tem nem o talento nem o carisma do pai.

Repetindo um número limitado de expressões (medo, desespero, súbita coragem), Jaden Smith ainda não consegue carregar um filme nas costas - que dirá sob a direção de um cineasta medíocre.

Veja o trailer de "Depois da Terra":


compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas