Baz Luhrmann: o cineasta do excesso

Por iG São Paulo |

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Reveja a trajetória do diretor de "O Grande Gatsby", que mistura elementos da ópera e da cultura pop em seus filmes

"Cortina Vermelha" foi o termo usado pelo cineasta australiano Baz Luhrmann, 50 anos, para definir o estilo de seus três primeiros longas: "Vem Dançar Comigo" (1992), "Romeu + Julieta" (1996) e "Moulin Rouge - Amor em Vermelho". Mas a expressão vai além da trilogia e resume o próprio estilo do diretor, famoso por um cinema extremamente teatral.

De volta às telas com "O Grande Gatsby", que estreia no Brasil nesta sexta-feira (7), Luhrmann tem o excesso como marca registrada: se interessa por musicais, histórias épicas e amores impossíveis, mistura elementos que vão da ópera à cultura pop e mantém uma câmera frenética que lhe rendeu o apelido de "Michael Bay do melodrama".

Imagem do filme 'O Grande Gatsby' (2013). Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'O Grande Gatsby' (2013). Foto: Divulgação'Austrália', lançado em 2008. Foto: Divulgação'Austrália', lançado em 2008. Foto: Divulgação'Vem Dançar Comigo', lançado em 1992. Foto: Divulgação'Vem Dançar Comigo', lançado em 1992. Foto: Divulgação'Romeu + Julieta', de 1996. Foto: Divulgação'Romeu + Julieta', de 1996. Foto: Divulgação'Moulin Rouge - Amor em Vermelho', de 2001. Foto: Divulgação'Moulin Rouge - Amor em Vermelho', de 2001. Foto: Divulgação

Nascido em Sydney, Luhrmann é filho de uma dançarina e de um fazendeiro que também administrava um cinema. Influenciado pelos pais, estudou dança durante a juventude e se formou como ator no Instituto Nacional de Arte Dramática da Austrália, em 1985.

Uma peça inspirada em sua vida, escrita durante o curso, o levou a trabalhar como diretor de teatro. A obra era "Vem Dançar Comigo", que depois se tornaria seu primeiro filme.

Sucesso na Austrália, o longa conta a história de Scott Hastings (Paul Mercurio), um jovem e ousado dançarino que foge às convenções da dança de salão. Após perder uma competição importante e ser abandonado pela parceira habitual, ele passa a treinar com Fran (Tara Morice), aluna do estúdio de dança de sua mãe, por quem se apaixona. A final do campeonato, filmada com intensos movimentos de câmera e muitas cores, já mostrava "a mão" de Luhrmann.

O segundo projeto foi ousado: "Romeu + Julieta", uma versão moderna do clássico de William Shakespeare, no qual Verona se transforma em praia, Capuletos e Montéquios viram empresários e espadas são substituídas por armas. Apesar de muitos críticos terem rejeitado a atualização da peça, Luhrmann levou o prêmio de direção no Festival de Berlim e o filme se tornou bastante popular, assim como a trilha sonora, com canções de Garbage, Cardigans e Radiohead. Dali em diante, a música seria parte fundamental da obra do cineasta.

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O diretor Baz Luhrmann

O fim da trilogia da "Cortina Vermelha" veio com o musical "Moulin Rouge - Amor em Vermelho", indicado a oito Oscar e vencedor de dois (direção de arte e figurino). Ao retratar a história de amor entre o escritor Christian (Ewan MacGregor) e a cortesã Satine (Nicole Kidman), Lurhmann usou uma série de clichês e referências pop para elevar o melodrama à máxima potência.

Está em "Moulin Rouge" a cena considerada símbolo dos exageros de Luhrmann: aquela em que Kidman e MacGregor fazem um medley com várias músicas - entre elas "Heroes", de David Bowie, "One More Night", de Phil Collins", e "I Will Always Love You", de Dolly Parton (ou Whitney Houston). A cantoria acontece em um telhado, enquanto fogos de artifício explodem no céu de Paris.

Após fazer um musical, Luhrmann passou para seu segundo gênero preferido, o épico. Lançado em 2008, "Austrália" se tornaria o segundo filme mais visto da história do país, mas também o maior fracasso de crítica da carreira do diretor.

Com quase três horas de duração, o longa narra o romance entre uma aristocrata e um pastor entre 1939 e 1942. Na "salada" de Luhrmann, coube tudo: bombardeios, Nicole Kidman cantando "Over the Rainbow" e Hugh Jackman mostrando o corpo em um longo banho.

Com "O Grande Gatsby", Luhrmann dá sinais de que não pensa em recuar na ousadia. Sua versão do clássico de F. Scott Fitzgerald é grandiosa em todos os sentidos, a começar pelo fato de ter sido filmada em 3D e com orçamento de US$ 105 milhões (R$ 223 milhões).

O diretor e sua mulher, a diretora de produção Catherine Martin, não economizaram na extravagância para retratar a Nova York dos anos 1920: muitas dançarinas, figurinos brilhantes, festas, confete e fogos de artifício.

Com bom desempenho nas bilheterias internacionais, "O Grande Gatsby" é mais um filme de Luhrmann a dividir público e crítica: alguns elogiaram sua estética vibrante, outros o acusaram de sacrificar a história para impressionar visualmente.

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