Antônio Calloni faz personagem "inventado" em "Faroeste Caboclo"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Em entrevista ao iG, ator diz que chance de fazer cinema o atraiu mais do que a música de Renato Russo

Entre as liberdades que o filme "Faroeste Caboclo" tomou em relação à música da Legião Urbana está a criação do personagem Marco Aurélio, policial corrupto que faz o trabalho sujo para Jeremias, algoz de João de Santo Cristo.

O papel de vilão coube a Antônio Calloni, 51 anos, prolífico ator de teatro e televisão que tem o cinema como paixão. Foi mais a chance de fazer um filme, e menos a música, que o atraiu para o longa de René Sampaio.

Leia também: No cinema, "Faroeste Caboclo" mantém crítica social e amplia romance

"O que me chamou a atenção foi o próprio ato de fazer cinema. Infelizmente faço muito pouco - e no Brasil, até quem faz muito, faz pouco", afirma, em entrevista ao iG. "Gostava da música e não a desprezei, mas meu foco é o cinema, o roteiro, a equipe."

Ísis Valverde, a Maria Lúcia do triângulo Amoroso da história. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoFabrício Boliveira na favela cenográfica nos arredores de Brasília. Foto: DivulgaçãoFabrício Boliveira no papel de João de Santo Cristo. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: Divulgação

Sem poder contar com os versos de Renato Russo para construir seu personagem, Calloni focou no texto e na relação "doentia" de Marco Aurélio e Jeremias, interpretado por Felip Abib. "Há um humor meio pesado entre os dois", afirma o ator, que também se inspirou em casos reais de corrupção policial.

"As referências são muitas e claras, infelizmente", explica. "Queria humanizar o personagem, mas sem recheá-lo de nuances. Ele é o policial corrupto, é mau. Mas é humano, existe e você reconhece."

Marco Aurélio também é a encarnação de todos os preconceitos que Santo Cristo, vivido por Fabrício Boliveira, encontra em Brasília, sendo negro, pobre e imigrante. "A questão social foi bem colocada, sem levantar bandeiras", opina o ator.

Leia também: "Sempre me arrepiei com 'Faroeste Caboclo'", diz Isis Valverde

"Achei que seria um filme clipadinho, bonitinho, alegrinho para a moçadinha", confessa. "Mas há um andamento bacana, uma densidade e um final trágico que não faz concessões. Ao mesmo tempo, não é hermético nem cabeça."

De folga da televisão após o fim de "Salve Jorge", Calloni atualmente se dedica à outra paixão: a literatura. "Gosto de música clássica, acho que faz bem para o ator. Mas minha cultura musical é mediana, gosto mais de ler", conta.

Para o segundo semestre, ele programa a publicação do oitavo livro, intitulado "Os 50 Anos Inventados em Dias de Sol e Algumas Poesias". Trata-se de uma espécie de diário que manteve dos 50 aos 51 anos, sem pretensão de autobiografia.

"Como disse Manoel de Barros, 90% do que escrevo é invenção, só 10% é mentira", afirma. "Mesmo o que coloco da minha vida é uma realidade elaborada."

Veja o trailer de "Faroeste Caboclo":

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas