No cinema, "Faroeste Caboclo" mantém crítica social e amplia romance

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

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Fabrício Boliveira e Isis Valverde estrelam longa de René Sampaio inspirado em uma das músicas mais famosas da Legião Urbana

Quase 17 anos após a morte de Renato Russo, o melhor retrato do grande interesse por sua obra está nas salas de cinema. Depois de a cinebiografia "Somos Tão Jovens" ser vista por 1,5 milhão de espectadores em menos de um mês, nesta quinta-feira (30) estreia "Faroeste Caboclo", adaptação de uma das músicas mais conhecidas da Legião Urbana.

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Ísis Valverde, a Maria Lúcia do triângulo Amoroso da história. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoFabrício Boliveira na favela cenográfica nos arredores de Brasília. Foto: DivulgaçãoFabrício Boliveira no papel de João de Santo Cristo. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Faroeste Caboclo'. Foto: Divulgação

Produzidos paralelamente e sem relação entre si, os dois filmes são bastante diferentes, mas retratam o mesmo cenário e época: a Brasília do final dos anos 1970 e início dos 1980. "Somos Tão Jovens" foca na juventude de Renato Russo e em como as experiências na cidade o formaram como artista, enquanto "Faroeste Caboclo" faz apenas breve menção à Legião Urbana, concentrando-se na ficção que o próprio cantor acreditava ser digna do cinema.

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Composta em 1979 e lançada em 1987, a música tem nove minutos de duração e 168 versos que contam a trajetória de João de Santo Cristo da infância à morte, numa narrativa com começo, meio e fim. O espírito e as principais passagens de "Faroeste Caboclo" foram preservados no filme, mas o diretor René Sampaio, estreante em longas, omitiu e alterou algumas partes, com a benção da família de Renato Russo.

Divulgação
Isis Valverde e o diretor René Sampaio durante filmagem de 'Faroeste Caboclo'

Nas telas, Fabrício Boliveira é João de Santo Cristo, jovem negro e pobre que nasce na Bahia e, após vingar o assassinato do pai por um soldado, é enviado à Febem. Após cumprir sua pena e voltar à liberdade, se muda para Brasília e divide-se entre uma marcenaria e alguns trabalhos para o primo, o traficante Pablo (Cesar Trancoso).

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A vontade de sair do crime aumenta quando Santo Cristo conhece Maria Lúcia (Isis Valverde), a rica filha de um senador (Marcos Paulo, em seu último papel), que se sente sozinha e entediada em meio às questões banais de sua turma de amigos.

A paixão entre o casal causa estranhamento no grupo e incomoda sobretudo Jeremias (Felipe Abib), um traficante playboy que rivaliza duas vezes com Santo Cristo: quer conquistar Maria Lúcia e dominar o mercado de venda de drogas.

A tensão entre Jeremias e Santo Cristo é responsável pelos momentos em que o filme mais se aproxima do faroeste, um gênero pouco desenvolvido no Brasil e para o qual Sampaio mostra ter talento. Até culminar no duelo final, a rivalidade entre o branco rico e o negro pobre mantém o forte tom de crítica social da letra de Renato Russo, sem excesso de didatismo e engajamento. 

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Nos momentos mais interessantes de "Faroeste Caboclo", Santo Cristo é um complexo anti-herói movido por um forte desejo de vingança, quase uma versão brasileira do Django de Quentin Tarantino. Violento, sim, mas justo e disposto a lutar contra o destino que lhe foi determinado.

É uma pena que esse lado sombrio da história fique em segundo plano, ofuscado pelo romance entre Santo Cristo e Maria Lúcia. Se na música a mocinha só aparece pouco antes da metade, no filme é presença marcante desde o início, uma escolha que dá ar juvenil e convencional a uma narrativa que poderia ir mais longe.

Veja o trailer de "Faroeste Caboclo":


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