José Wilker: "Cinema nacional precisa se associar à televisão"

Por Luísa Pécora , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Em vídeo, ator e diretor fala sobre "Giovanni Improtta", filme que leva personagem da novela "Senhora do Destino" às telonas

Uma das mais frequentes críticas ao boom de comédias nacionais é o uso no cinema de uma estética típica da televisão. Geralmente produzidos pela Globo Filmes, estes longas rapidamente foram inseridos em um grupo conhecido como "globochanchadas".

O ator e diretor José Wilker, ao contrário, defende diálogo entre os dois meios. "Onde o cinema deu certo no mundo, deu certo numa associação com a televisão", afirmou, em entrevista ao iG, citando Estados Unidos e Reino Unido como exemplos.

Leia também: José Wilker estreia na direção com o constrangedor "Giovanni Improtta"

Wilker estreia na direção com "Giovanni Improtta", que chega aos cinemas nesta sexta-feira (17), levando às telonas o personagem que interpretou na novela "Senhora do Destino", de Aguinaldo Silva, exibida em 2004.

Veja a entrevista de José Wilker ao iG:

Não consegue ver este vídeo? Clique aqui.

Para Wilker, durante muito tempo existiu no Brasil um preconceito de quem fazia cinema em relação à televisão, considerada um veículo menor. O abismo entre os dois meios só começou a diminuir nos últimos 15 anos e por iniciativa da Globo, que, segundo o ator e cineasta, "tem feito grandes benefícios" à produção nacional.

"(A disputa entre TV e cinema) É um paradoxo que só consigo admitir em gente com Q.I. muito baixo, muito acima da capacidade de compreensão de um fenômeno maior que é a necessidade de uma associação", afirma. 

Siga o iG Cultura no Twitter

Wilker também defende uma atuação governamental para criar novas salas e modernizar os equipamentos audiovisuais do País. "Sou a favor de o governo parar de fazer demagogia com o cinema e começar a tratar de forma séria e com respeito essa categoria."

Imagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: DivulgaçãoImagem do filme 'Giovanni Improtta'. Foto: Divulgação

A ideia de levar Improtta ao cinema deveu-se principalmente à sensação de que ele tinha uma "sobrevida" além da novela. "Às vezes você se apaixona por uma personagem, tem um carinho especial por ela e certa dificuldade em deixá-la, esquecê-la", justifica.

Leia também: "Brasil não faz comédia, faz chanchada", diz Karim Aïnouz

Além disso, Wilker achava que Improtta, um bicheiro carismático que busca ascender socialmente, era uma boa forma de falar sobre as mudanças sociais e econômicas do Rio de Janeiro desde a década de 1960, quando se mudou para a cidade. “Queria contar isso, mas com humor, sem ficar carrancudo, sisudo, chato, sem ficar dando aula e ensinando as pessoas a nada."

Estreando na direção aos 65 anos, ele já trabalha em um novo projeto, sobre o qual prefere não dar detalhes. "Adorei dirigir e quero fazer mais."

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas